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206 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

capital, que vamos matar, transformando-a em grandes aterros marginaes, que substituam essas negras lamas que lentamente envenenam e atrophiam a população de Lisboa, em docas de carga e de descarga, de abrigo e de concerto, em pontes e em armazens de um excellente porto commercial. (Apoiados.)

"Eis o que é patriotico, eis o que é sensato, eis o que chamará sobre o paiz um manancial de riqueza e de prosperidade, e sobre o ministro energico que realisar esta medida, a gloria de uma obra grandiosa e de um arrojado emprehendimento."

Não foi hoje que tive esta idéa, foi ha tres annos. Convem esclarecer este ponto.

Tenho dito.

Os requerimentos vão publicados no logar competente. A proposta ficou para segunda leitura.

O sr. Pinto de Magalhães: - Mando para a mesa uma proposta renovando a iniciativa de dois projectos de lei.

Ficaram para segunda leitura.

O sr. Consiglieri Pedroso: - Sr. presidente, vou responder em breves palavras ás considerações feitas pelo sr. Fuschini, porque a camara tem de occupar-se de outros assumptos, e eu não desejo portanto roubar-lhe o tempo n'esta occasião; mas antes d'isso mando para a mesa varios requerimentos, que constituem o fim principal para que pedi a palavra.

Como vejo que não está ainda presente o sr. previdente do conselho, vou occupar a attenção da camara por alguns momentos antes de se passar á ordem do dia, respondendo rapidamente ao sr. deputado Fuschini.

Eu estaria bem dispensado mesmo de responder ao illustre deputado com uma simples declaração.

Se o illustre deputado, que parece não ter prestado bastante attenção ao discurso em que eu fallei ácerca da questão agraria na Madeira, tivesse recorrido ao Diario da camara, veria que a opinião que ali está exarada é diversa e opposta mesmo á opinião que s. exa. me attribue n'este momento.

Sou eu que me espanto, com effeito, de que o sr. Fuschini, cavalheiro que se interessa tão profundamente por estes problemas sociaes, venha dizer que eu pronunciara n'aquella tribuna palavras que destoam, não só do meu modo de sentir, mas até do mais trivial bom senso em quem se occupa de questões d'esta ordem!

Eu não disse que não existia a questão agraria na ilha da Madeira; affirmei apenas que para o caso actual do desenvolvimento rapido, extraordinario e inexplicavel apparentemente do partido republicano n'aquclla ilha, a questão agraria e social, a ter realmente influido de algum modo no resultado, havia representado um papel meramente secundario.

Disse mais que havia para mim um grande argumento capital, que provava bem que a questão agraria não tinha sido a causa principal do desenvolvimento do partido republicano, porque, se assim fosse, claro era que devíamos encontrar a maxima intensidade d'este partido nos concelhos ruraes, e que devia corresponder uma intensidade, minima á capital do districto, que de certo nada tem que ver com a organisação, boa ou má, da propriedade nos concelhos ruraes...

O sr. Fuschini: - Peço perdão ao illustre deputado para lhe fazer uma interrupção. V. exa. permitte?

Eu não quiz contar á camara um certo numero de anedotas, porque não costumo occupal-a com pequenas cousas, mas quer v. exa. saber como é conhecido o sr. Manuel de Arriaga na ilha da Madeira?

Pelo fidalgo!!

Sabe v. exa. o que delle diziam os pobres villões?

Diziam que o sr. Manuel de Arriaga fizera com que passasse a lei dos terços, isto é, a lei na qual se determinava que a renda seja dividida em tres partes, uma para o agricultor ou explorador, outra para o dono da propriedade e a terceira para despezas do grangeio.

Diziam mais que esta lei estava no governo civil, donde a não deixavam sair, mas que o illustre ex-deputado republicano lá iria num navio para a arrancar do governo civil!

Ora v. exa. ha de desculpar-me que lhe diga, que gente d'esta, não é certamente a mais apta para discutir e ter opiniões sobre assumptos de direito publico. (Apoiados.)

O Orador: - Antes de tudo, tenho a ponderar a s. exa. que sei muito bem o que se dizia na ilha da, Madeira, não só a respeito do sr. Manuel de Arriaga, mas ainda mesmo a respeito de outros assumptos que de certo n'este momento pouco interessarão á camara; mas o que s. exa. provavelmente não sabe, senão tel-o-ía dito com toda a lealdade que é propria do seu caracter, é que essas lendas não foram inventadas pelos taes villões, mas foram exactamente propaladas por aquelles que tinham interesso em especular com a desgraça, com a credulidade e com a miseria!

Já vê s. exa. que o ponto de vista é completamente diverso, e por consequencia que bem pequeno é o valor dessas lendas a, que s. exa. acaba de referir-se, lendas que melhor seria talvez não repetir aqui, porque ellas provém de fontes onde de certo o sr. Fuschini não vão beber a sua sciencia nem buscar as suas informações!

Creio ter explicado o que disse a respeito da questão agraria na ilha da Madeira, ao occupar-me das causas do desenvolvimento da idéa republicana n'aquella ilha por occasião da ultima discussão na camara.

Se s. exa. ainda assim quer tirar todas as duvidas, póde recorrer aos annaes parlamentares e lá encontrará as palavras que eu aqui proferi.

Não desejo cansar a camara com esta discussão, que hoje me parece aqui absolutamente deslocada, e vou por isso terminar já.

Simplesmente direi a s. exa. que, embora eu me associe á proposta do sr. Fuschini, para que se faça um inquerito parlamentar, com o fim de estudar as condições do trabalho na Madeira, não a teria eu proprio feito, apesar de lhe reconhecer a justiça, porque ainda ante-hontem esta camara rejeitou uma proposta do inquerito, não tão lata, nem ao tão largo alcance, e sobretudo mais urgente, apresentada pelo sr. Dias Ferreira, a respeito dos factos occorridos por occasião da ultima eleição geral na assembléa da Ribeira Brava.

Já v. exa. vê que, embora me associe á proposta que acaba de ser apresentada, não tomei a iniciativa d'ella porque sabia já qual a sorte que á esperava, e, com franqueza, não desejo todos os dias e s lar a ser padrinho de defuntos!

A respeito da questão separatista, não existe na Madeira. É uma torpe calumnia com que pretendem ferir aquelle bom povo. Posso afiançar isto a v. exa.

Eu, que estive ha pouco tempo em meio d'aquellas populações, asseguro á camara que não existe lá ninguem que seja partidario da separação de Portugal. Do que a Madeira quer separar-se, e com rasão, é de instituições que, até no insuspeito dizer dos deputados monarchicos, têem sido para ella uma causa de miseria e de ruína!

Tenho dito.

O sr. Matos de Mendia: - Participo a v. exa. e á camara que se acha constituida a commissão de agricultura, tendo nomeado para presidente o sr. Estevão de Oliveira, e a mim para secretario, havendo relatores especiaes.

ORDEM DO DIA

O sr. Presidente: - Como a hora está muito adiantada vae passar-se á ordem do dia, continuando em discussão o parecer da resposta ao discurso da corôa.

Tem a palavra sobre a ordem o sr. Antonio Candido.