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SESSÃO N.° 13 DE 20 DE MAIO DE 1908 11

consumidores do açucar, alem da parte benefica dos pretos que gastam tambem consideravel quantidade de açucar.

Por conseguinte, o futuro do açucar é muito grande e é bom que o possamos proteger, para diminuir ou difficultar a producção do alcool, cercando essas difficuldades por outras medidas que naturalmente occorrem.

Como já declarei a V. Exa., Portugal está perfeitamente compenetrado das obrigações que lhe impõe o acto addicional de 3 de novembro de 1906 e o regulamento do decreto de 28 de novembro de 1907, e há de empregar todos os seus esforços no sentido de chegar a uma conclusão vantajosa e que não envergonhe o país.

Eu tenho a certeza absoluta de que o Governo actual ha de empregar esses meios, e que, se tiver o auxilio da Camara, e pode incondicionalmente contar com elle, alguma cousa será apresentada ainda nesta sessão, a fim de proteger mais desenvolvidamente esse consumo.

Parece-me ter respondido aos principaes argumentos do illustre Deputado que me precedeu, pedindo a V. Exa. e á Camara que me desculpem pelo tempo que empreguei rias minha considerações. (Vozes: - Muito bem, muito bem).

(O orador não reviu).

O Sr. Joaquim Tello: - Sr. Presidente: só hoje me chega a palavra pedida em tres dias consecutivos. Não censuro ninguem. Isto prova a solicitude com que os meus collegas acodem a servir os interesses dos circulos que representam.

Bem sei que, á semelhança do que legitimamente praticaram os meus collegas Mello Barreto e Arthur Montenegro, poderia ter escalado a palavra, pedindo-a para um negocio urgente. Não o fiz, porque este processo, embora facultado pelo regimento, me repugna pelo seu caracter um pouco violento.

Por isso muito - folgarei com que seja considerada pela Camara a proposta ultimamente apresentada pelo Sr. Deputado Araujo Lima, substituindo o artigo do regimento em que permittia falar uma hora, com a tolerancia de um quarto de hora, a todos os Srs. Deputados, por outro em que se limitasse a meia hora com um quarto de hora de tolerancia.

A esta proposta eu acrescentaria, que, antes da ordem do dia, se limitassem os discursos a dez minutos com a tolerancia de cinco, com excepção apenas dos avisos prévios onde poderiam ser mais largos.

Entrando agora propriamente no assunto para que pedi a palavra, consinta V. Exa. que chame a attenção da Camara e do Governo para a crise que actualmente atravessam os povos da provincia do Algarve por motivo da estiagem prolongada que ali destruiu as sementeiras temporãs e impediu a lavra das serodias.

Sr. Presidente: para estes factos, que desgraçadamente se repetem no nosso país com frequencia, não há defronto outro remedio que não seja a abertura de trabalhos publicos.

Infelizmente a imprevidencia dos nossos Governos e os processos agricolas, ainda bastante primitivos, deixam desamparados os nossos agricultores contra estas injurias meteorologicas.

Se ha mais tempo se pensasse no aproveitamento dos nossos. recursos naturaes, se copiássemos os aperfeiçoamentos introduzidos nas nações mais cultas, os nossos lavradores estariam melhor preparados para affastar ou resistir a estas calamidades.

Assim, o unico remedio de effeito é dar trabalho aos que teem fome e não podem esperar providencias mais espaçadas.

Com este louvavel intuito, Sr. Presidente, teem formulado as camaras municipaes do Algarve representações ao Governo, pedindo que se abram trabalhos em toda a
provincia, alvitrando cada um o que se lhe afigura mais conveniente para os interesses dos concelhos que representam.

Não as conheço; mas applaudo já a sua intervenção humanitaria e patriotica. A unica que conheço, porque me foi enviada por copia, é da Camara Municipal de Lagos, e por isso já a ella me posso dirigir com mais conhecimento.

Sr. Presidente: a Camara Municipal de Lagos solicita com instancia que se comecem desde já os trabalhos de terraplanagem do troco do caminho de ferro de Lagos a Portimão, porque são estes os meios apropriados para occupar os braços ociosos dos trabalhadores ruraes dos concelhos que marginam aquella estrada.

Sr. Presidente: eu tenho um defeito, se não uma qualidade, sou muito bairrista. Não sei se esta palavra será bastante luzida e elegante para entrar nesta casa; mas sei apenas que neste momento exprime com rigor a ideia que quero exprimir.

A mim alegram-me sempre as prosperidades da minha provincia e magoam-me os seus infortunios.

E por isso que o desprezo e abandono em que se encontra a minha provincia acêrca de melhoramentos ha muito pedidos, ha muito justificados, me doe profundamente.
E neste ponto ainda devo especializar a parte barlavento do Algarve.

Sr. Presidente: nunca pude cornprehender os motivos poderosos, as razões especiosas que determinaram a suspensão da linha ferrea do Algarve no seu ramal para Lagos.

Teem-se construido caminhos de ferro para muitos pontos, nem todos do certo com a utilidade e justificação deste. Nada me admiraria se visse projectado e construido um ramal para a lua ou para o planeta Marte, e este sempre posto de parte. Eu, Sr. Presidente, ainda um dia hei de fazer, se me apparecer a opportunidade, a historia longa e triste do caminho de ferro do Algarve, um modelo de criterio administrativo dos nossos homens publicos. Por emquanto devo restringir-me ás reclamações das camaras municipaes do Algarve e especificadamente á de Lagos.

Este troço de caminho de ferro serve directamente cinco concelhos: Portimão, Monchique, Lagos, Villa do Bispo e Aljezur. Estes dois ultimos são concelhos valiosos, demonstrando accentuada tendencia para o seu desenvolvimento agricola e industrial, sendo o da Villa de Bispo ainda hoje considerado como celleiro do Algarve, por motivo das suas importantes producçoes cerealiferas.

Portimão é uma das mais importantes villas do Algarve, pelo seu notavel incremento industrial e commercial, pela sua cultura agricola e piscicola, e pelo génio emprehende-dor dos seus habitantes.

Monchique é um concelho afamado pelas suas excellentes thermas, pelas suas preciosas aguas e pela fertilidade do seu solo.

Lagos é uma das primeiras cidades do Algarve, antiga, cheia de gloriosas tradições, ricas pelos seus recursos agricolas, pela sua crescida industria, pois explora dezaseis fabricas de estiva e conserva de sardinha e atum, é ainda outras, pela sua riqueza piscicola, pelos seus monumentos que attestam ainda o seu poderio e uma civilização reconhecida; entre estes monumentos avultam os militares, que são vastos e importantes, contendo um hospital regimental que é o melhor de todo o país; nesta cidade conheci eu ainda aquarteladas mais de 1:000 praças de infantaria, uma forca de cavallaria e uma força de artilharia; hoje esta guarnição está reduzida a um batalhão de infantaria, onde muitas vezes nem ha soldados para o serviço do quartel e um destacamento de artilharia para o serviço da fortaleza da Ponta da Bandeira, isto por virtude de um criterio politico e militar, cujas vantagens não logro descobrir! Felizmente, melhor apreciadas as condições geographicas e estratégicas d'aquelle ponto, voltará