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12 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

a fazer-se luz nesta questão, onde já encontro opiniões fundamentadas de militares illustres.

Mas devo ainda expor á Camara outras circunstancias, que distinguem esta cidade, sendo em primeiro logar a sua vasta e famosa bahia, uma das melhores do mundo, infelizmente mal conhecida no nosso país, o que não acontece nas nações estrangeiras, especialmente na Inglaterra, que, em quasi todos os annos e ás vezes mais de uma vez por anno, ali manda as suas esquadras manobrar.

Muita gente assistiu ao grandioso espectaculo que offerecia aquella vasta bahia, onde entrara perfeitamente escalonada uma imponente esquadra composta de mais de 100 couraçados e cruzadores fundeando com uma ordem e firmeza para ser invejada por soldados de infancia.

O espectaculo então da bahia não é facil descrever, sobretudo quando aquella excepcional força maritima salvava ao mesmo tempo!

Mas deixemos isto, e diremos mais que o porto aduaneiro naquella cidade é dos mais rendosos da provincia o que attesta o seu desenvolvimento industrial e commercial.

E por ultimo preciso dar ainda uma nota do caracter dos seus habitantes, a sua tendencia para progredir, para saber; o que facilmente se deduz do crescido numero de seus filhos, que frequentam as escolas superiores, quasi sempre em numero superior a outras terras de mais recursos e com menores sacrificios, e principalmente os resultados obtidos pela escola de desenho industrial, ali ultimamente estabelecida por iniciativa do meu amigo e illustre estadista, o Sr. D. João de Alarcão, então Ministro das Obras Publicas.

Não ha hoje escola industrial no país melhor installada do que a de Lagos - graças á generosidade e bom criterio da camara d'aquella cidade, que offereceu ao Estado um antigo convento de freiras, que facilmente se transformou numa excellente escola, e á sua extraordinaria matricula, que orça por 100 alumnos por anno, com excellentes resultados finaes.

Pois, Sr. Presidente, tudo isto se desconhece, tudo isto se põe de parte, e rejeita-se a construcção de um troço de caminho de ferro, absolutamente recomendado e plenamente justificado.

E porque ? Tenho ouvido falar mysteriosamente na ponte sobre o no Portimão. Ah! A ponte!

A famosa ponte parece um fantasma, que a todos apavora!

Entretanto não offerece dificuldades technicas nem financeiras. Os nossas engenheiros teem construido outras mais importantes, e as dificuldades financeiras desfazem-se de um modo muito simples.

Ha, Sr. Presidente, uma empresa de navegação para os portos do Algarve, a que o Governo concede um subsidio animal de 16 contos. Este subsidio, por força do seu contrato, cessa desde que o caminho de ferro chegue a Portimão.

Ora o caminho de ferro ainda lá não chega, fica todo dentro do concelho de Lagoa, é por isso tem de manter-se o subsidio; mas quando chegue a Portimão, o que se consegue com a construcção da ponte, desapparece aquelle encargo. E isto representa um capital muito superior ao orçamento que compete a este melhoramento.

Nestas condições já vê, V. Exa. e a Camara, que as taes difficuldades para a construcção da ponte são mais pretextadas do que reaes.

O Sr. Presidente: - Devo prevenir o illustre Deputado que deu a hora para entrar na ordem do dia.

O Orador: - Agradeço a V. Exa. a prevenção e limitarei aqui as muitos considerações a que mais tarde talvez seja obrigado a voltar.

Por agora cumpri o meu dever, espero e estou certo que o Governo saberá cumprir o seu. Disse.

O Sr. Presidente: - Deu a hora de se passar á ordem do dia.

Os Srs. Deputados que tiverem papeis a mandar para a mesa, podem-no fazê-lo.

O Sr. Moreira Junior: - Mando para a mesa uma representação da Associação de Classe dos Lojistas Barbeiros e Cabelleireiros de Lisboa, pedindo o descanso semanal por turnos, conforme as exigencias do trabalho e a harmonia dos patrões e officiaes.

O Sr. Estevão de Vasconcellos: - Sr. Presidente: envio para a mesa um telegramma que acabo de receber e para o qual peço a attenção do illustre Ministro das Obras Publicas.

O Sr. Oliveira Simões: - Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro que, pelo Ministerio da Fazenda, me sejam enviados os seguintes esclarecimentos:

Nota dos concelhos ou bairros em que o serviço de avaliação de predios urbanos está completo ou principiado, e especificando se os concelhos em que ficou interrompido;

Nota das commissões de avaliação de predios urbanos que estão actualmente em serviço;

Nota das commissões cujo serviço foi mandado suspender ou cessar pelo ultimo Ministro da Fazenda;

Nota das commissões que o ultimo Ministro da Fazenda nomeou;

Nota da despesa feita com este serviço, especificando os annos;

Nota do numero de predios que foram inscritos na matriz e dos que o foram pela primeira vez. = José de Oliveira Simões.

Mandou-se expedir.

O Sr. Augusto de Castro: - Mando para a mesa o seguinte

Aviso previo

Desejo ouvir o Sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros acêrca da nossa representação no Congresso internacional sobre propriedade literaria e artistica, que se deve realizar no proximo mês de outubro em Berlim. = Augusto de Castro.

Mandou-se expedir.

O Sr. Presidente: - Consta-me que está nos corredores da Camara, para prestar juramento, o Sr. Deputado Correia Mendes. Convido os Srs. Costa Lobo e Sinel de Cordes a introduzirem S. Exa.

É introduzido e presta juramento.

O Sr. Ministro da Marinha (Augusto de Castilho): - Mando para a mesa uma proposta de lei, tornando extensiva a todos os officiaes das differentes classes da armada e auxiliares do serviço naval a reforma pôr equiparação, autorizada para todos os officiaes combatentes e não combatentes do exercito, pelo decreto com força de lei de 19 de outubro de 1901.

Mando tambem para a mesa a seguinte

Proposta

Senhores.- Em conformidade do disposto no artigo 3.° do Primeiro Acto Addicional á Carta Constitucional da Monarchia, o Governo pede á Camara doe Senhores Deputados da Nação permissão para que possam accumular,