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muilo inferior á do illuslre Deputado: tenlio de responder no que se disse neste momento —é forçoso que eu seja o homem aclualj ao mesmo tempo que o Depulado, que se prepara, pôde ser o homem da véspera, ou o homem de muitos mezes. (Vozes: — Muito bem).
Começou o nobre Depulado, dizendo que Iodas as opiniões devem ser representadas neste Congresso. Elle sabe, porque lem comigo relações de ami-sade ha muito tempo, que eu defendi sempre essa opinião. Não posso pore'm admittir que a falta, que se nota naquellns cadeiras (apontando para a esquerda da Camara) deva ou possa ser-nos imputada. O paiz entendeu que as cadeiras da esquerda deviam estar desoecupadas na presente Legislatura. Se o paiz errou, oucommelteu injustiça, com o paiz so avenha o illustre Deputado (Apoiados).
Tão pouco posso admittir que vivámos (como disse S. S.a) privados de todo o meio dc opposição. O próprio Deputado acaba de deslriuir a sua affirmaliva. Opposição lemo-la aqui, opposição temo-la na imprensa; e oxalá que a opposição se limitasse a esses dois meios, sem duvida efiicazes e legaes: toda a que se desviar delles, o appellar para o campo, é opposição altamente criminosa (Apoiado, apoiado).
Não concordo com uma opinião emitlida pelo illustre Deputado, a qual foi por elle formulada do seguinte modo: ser moderado ê pertencer d maioria do seu tempo. Se admiltissemos esta asserção, ou esla máxima, ou como lho queiram chamar, diríamos que a maioria dos francezes de 1792 e 93 tinha sido moderada... (Signaes dc denegação na esquerda j apoiados no centro e na direita). O Orador: — Effectivamente os fados demonstraram que os crimes da revolução franceza tiveram por si, não digo a ápprovação (era impossível), mas o consentimento, e em algumas parles o enthusiasmo, da nação quasi inteira. Sei o que se diz em contrario; sei o que escrevem muitos historiadores, que averiguaram este ponto; mas o certo é que os auctores de tanta torpeza e tanto llagicio, caminharam desimpedidos por largo espaço de tempo, e obtiveram victorias assi-gnaladas, clamando sempre que tinham por si a nação inleira. Um dos parlidos em que então se dividia a França, de certo o mais respeitável pela sua illustração, e pelas suas tendências moderadas, cur-vou-se á voz do mais despresivel dos revolucionários, e saiu da Assembléa para a guilhotina. Esse revolucionário não poderia tanlo, se as suas forças fossem diminutas....
Também não estou d'acôrdo com o illustre Deputado, quando nos affirnia que Deos ercou o homem colleclivo, salvo seS. S.atem poder para emendar o Génesis: Deos creou o homem (um homem) e ainda em cima lho tirou uma costella, para formar a mulher (hilaridade.) Perdoem-me esla breve digressão.
Confessou o illuslre Deputado que a eleição ultima fora quasi unanime; e logo depois tractou de explicar este resultado. As rasões que lhe ouvi, assentam principalmente nos queixumes do pai tido'vencido.
Mas que! Era possível, ou queria o Sr. Depulado, que esse partido conviesse em que a eleição ultimamente representava a opinião do paiz, já corre-gida e emendada ? Não exijamos tanlo. Havia de forçosamente recorrer á solila canzçne das fraudes,
VoL. 1.°—JnNEIltO —1848.
dos excessos e das violências. Não se lhe oiTerccia outro meio para neutralisar ou justificar a sua derrota.
Disse ainda o illustre Deputado que o recenseamento fora feito por pessoas, que representavam uma única opinião politica—-queixou-se das commissôes revisoras — e disse que o espirito de partido as linha cegado.
Não fallarei do decreto, pelo qual foram creadas as commissôes revisoras: é assumpto, que devemos tractar mais de espaço e cm melhor occasião. Direi só que os trabalhos do recenseamento foram praticados com toda a regularidade— que interveio nel-les exclusivamente a acção de corpos populares — e que as commissôes revisoras foram compostas, na máxima parte, de individuos que representavam opiniões contrarias ás do partido vencedor (Apoiados.) E'ponto de facto, que se resolve á luz das estatísticas.
A respeito de irregularidades e fraudes commetti-das no recenseamento, desejava eu que o illuslre Deputado olhasse pelo que fez um ministério que teve o seu opoio: esse dissolveu camarás municipaos e concelhos de dislricto, e empregou lodos os meios para dar a vicloria aos anarquistas: nós não seguimos este exemplo; cingimo-nos stricla e religiosamente ás disposições do Código Administrativo ( Apoiados.)
O illustre Deputado, contrahindo-se por um momento á eleição do Algarve, achou o parecer pouco explicito, e fallou cm certas irregularidades, que disse haverem-se praticado na assembléa de S. Clemente: notou (para explicar-ine, n'uma palavra) que este facto não merecesse maior desenvolvimento. Responderei, l.°que o facto foi mencionado em geral; 2." que o desenvolvimento desse facto aqui está a com--missão para se encarregar delle, sc a sua conclusão fòr por ventura impugnada.
lfal!ou-se n'um protesto, a que o illustre Deputado pareceu dar grande importância. A esse protesto da-la-hia igual a commissão, se ella quizesse dirigir-se por inspirações de partido. Saiba-se que o protesto, a que allude o Sr. Deputado, foi feito contra a validade d'uma eleição em que o Ministério passado alcançou vicloria. Mas o proteslo era obra d'um homem, aliás respeilabilissimo; e o contra-proteslo era assignado por cinco. Pareceu pois á commissão quo em matéria de facto devia dar menos pela opinião de um, do que pela de cinco cidadãos (Apoiados.)
M^aravilha-me que o illuslre Deputado nos cite o exemplo de Hespanha, para concluir que alli existe maior liberdade duranle as eleições, do que temos cm Portugal no mesmo periodo. Parece-ine que S. S.a, ou não preslou a esle assumpto a devida atlen-ção, quando visitou aquelle paiz, ou intende que nenhum de nós tem noticia do que se passa em Hespanha. Sr. Presidente, limilar-me-hei a citar um facto, que bastará para desengano: os capitães gene-raes em Hespanha assumem, durante o aclo eleitoral, poderes extraordinários e deporiam ad libilum. Pergunto agora ao nobre Depulado: segue-se entre nós a mesma pratica? Desejará porventura que a adoplemos? De certo não. (Vozes: — Muilb bem.)
Fallou-nos o Sr. Carlos Bento da Silva na opinião em que alguns estrangeiros têem Portugal, as suas instituições c os seus homens; e pareceu dar algum