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valor ao que elles escrevem a nosso respeito! Vejamos esle ponto com alguma brevidade; e não recorramos a factos antigos. Ainda ha pouco tempo li no Diário dos Debates que as duas cidades mais importantes de Tras-os-Montes são Chaves e o Porto! (Riso.) Outro escriptor, que nos visitou modernamente, declara que todos os porluguezes são sebastianistas; e apoia-se no epitáfio, que cobre as cinzas del-Rei Dom Sebastião! (Hilaridade.) Aquelle parenlhesis— si vera est fama, — parenlhesis, cuja finura ou cuja philoso-fia não intendeu o estrangeiro, é para elle uma prova inconcussa ! Mas para que hei de cançar-me ? ... Ou por que somos pequenos, ou por que ha empenho de nos tornar ainda menores, o cerlo é que—atlen-didas raríssimas excepções — tudo o que escrevem estrangeiros a nosso respeito e' ordinariamente inexacto e indigno da menor consideração. Eu ainda desculpo de algum modo estes escriptores de periódicos; o que estranho é que falte á verdade quem por todos os titulos devia escreve-la. Teremos occasião de desfiar o Livro Azul: ahi se verei como foram expostos os factos, na sua quasi totalidade.. .
Queixou-se o illuslre Depulado de que o parlido, com quem hoje sympathisa, abandonasse a eleição. Não sou procurador desse partido, nem ouso dar-lhe conselhos. Nego que o partido ou facção, de que se trácia, desamparasse aeleição. A queixa contra os negligentes não e' moderna. Os primeiros homens do parlido colligadt?, os seus chefes ou capitães, sempre que foram vencidos, dirigiram fortíssimas invectivas contra a indolência dos seus. O resultado, que vimos, não é devido a falia de diligencias; é filho do desengano que peneirou por Iodas as classes da sociedade porlugueza. (Apoiado.) Nunca houve em Pot-lugal uma eleição Ião fácil como a ultima. Averi-guem a causa, e acharão que lhes digo a verdade.
Quer o illuslre Deputado que lodos os parlidos sejam moderados. Nada mais justo. Direi porém a S. S.a que o partido, que se adorna com o nome de popular, nunca poderá allingir esse fim ou esse de-sideratum. Ahi está a historia de onze annos, que nos esclarece e desengana. Em 1836 houve quem se persuadisse de que poderia dirigir a revolução; mas a esperança ou a persuasão durou um instante: o lai parlido tem sempre um companheiro inseparável, que co arsenal. Não ha para elle disciplina que preste. ( Apoiados.)
Ouvi uma historia, que me contaram fora de Lisboa, e que o illuslre Deputado refere a seu modo: é a que diz respeito a alguns soldados do batalhão do Algarve, que se travaram de rasões e vieram a vias de facto com vários cidadãos, que se achavam, segundo oiço, n'um botequim ou loja de café; Diz S. S.a que os taes soldados imposeram recêo ao parlido vencido (então mais que nunca numeroso em Lisboa.)
Parece-me que o parlido exaltado não deve agradecer esla declaração: um parlido forte mal podia tremer diante de meia dúzia de soldados. Parece-me aliás que o illustre Deputado ouviu apenas melade da historia. Por ahi é voz corrente que os algarvios resistiram a uma provocação; e que os supposlos offendidos, chegados da guerra onde tinham praticado as maiores violências, se apresentavam ainda com os dislinctivos e insígnias que a Junla lhes dera. Eu já disse que me não julgava competente paia referir este facto: foi occorrido na minha ausência: Sessão N." 15.
algum dos Srs. Deputados, que então estavam em Lisboa, poderá dizer o que houve em verdade. (Algumas vozes: — Foi assim; é cerlo )
Sou chegado a uma occasião mais grave, a respeito da qual é de crer que não fiquem silenciosos alguns Deputados, que já pediram a palavra. Diz o roeu adversário qlie na occasião em que se procedeu ás eleições o paiz se resentia ainda, ou antes se as-similhava ao que fora durante a suspensão das garantias.. Esta asserção é mais que temerária; é destituída de todo o fundamento. Se o illustre Deputado se refere a perseguições exercidas, ou pelo Governo, ou pelas auctoridades, ou ainda por particulares, dir-lhe-hei que taes perseguições não existiram. Pelo contrario: os Ministérios, que se seguiram á acceitação do Protocolo, se por alguma cousa podem ser aceusados é pela demasia de favor com que Iractaram os revolucionários. (Apoiado, apoiado.) Esses Ministérios cuidaram que a fusão consistia em dar nova, e mais extensa preponderância nos partidos da Junla rebelde. (Apoiado, apoiado.) Peço ao illustre Depulado que olhe, por exemplo, para a provincia do Minho. Que vemos alli ainda hoje ?•— Vemos na posse dos seus logares os juizes de direito, que mais se distinguiram em favor da revolta, já excitando os povos, já capitaneando guerrilhas? Que vemos alli ainda hoje? Os melhores empregos da provincia desfruclados por funecionarios, que militaram de coração sob as bandeiras da Junla ! Que vemos finalmente? Vemos demillidos e definhando na miséria muitos cidadãos que naquella provincia e na de Tras-os-Montes prestaram relevantes serviços á causa da Rainha e da Carla! (Apoiados, muito bem, muito bem.) Tenho nola de tudo islo: em tempo opporluno tractaremos o negocio; e enlão veremos se as chamadas tenlaiivas de fusão não foram antes a saneção da immoralidade e da injustiça. (Apoiados repelidos.)
Sr. Presidente, vou perdendo as esperanças: as revoluções tornaram-se entre nós modo de vida, jogo em que sempre se ganha, industria, a que não cabe nem a menor sombra de perigo. O revolucionário rouba, assassina, cominelte, n'uma palavra, toda a espécie de crimes: lá vêem depois as portarias acces-sorias, os preceitos do Protocolo, as insinuações da politica, as da tolerância; e quem perdeu, perdeu... (Apoiados, muito bem.)