( 17)
dade. As armas não disculem, ferem. Se esse chamado direilo se invoca de novo, o que Deos afiaste; se a máxima delateria que nos tem gangrenado ale' ao coração da sociedade, se o direilo revolucionário se defender mais vezes nas lheses da anarchia, deste lado, como da direita, ha'dc expressar-se com igual calor a reprovação, ha de esligmalisar-se com a mesma indignação o altenlado. Aqui não ha curadores officiosos de revolta, ha Depulados da Nação, que adoece, e pôde morrer desses coníliclos....
Esta industria, que grangeia, como negocio per-mittido, as calamidades publicas, e é o emprego de quem não serve para outro, o officio de insurreccio-nario, precisamos que acabe, é necessário que 'se mate o mais cedo possível.. .. Tirem-lhe os prémios da loteria politica; deixem-lhe os perigos só, e ninguém correrá mais atrás da fortuna por este caminho. Ha 14 annos que enrouquecemos a proclamar nas praças, e ganhámos só em ruina o que dispen-demos em patriotismo de parada.... Mas o inter-dicto deve lançar-se a todos, sem excepção deve ír bater a toda a parle.... seja licito aqui uma reticencia___.o inlerdiclo abrange muilo longe, e abraça
muita cousa.. .. temos peccado lodos.
Factos apparecem, que imporia investigar; para saber se entram nas proporções do exame possível, se cabem na demonstração provada da Tribuna; fallo dos recenseamentos, alludidos já pelo meu Amigo, que se assenta neste lado da Camara. Eu tenho para mim, que esta questão dos recenseamentos é justamente daquellas, que só por iucidente, se podem Iraclar no Parlamento. As provas das asserções, ou se afilrme, ou se negue, faltam; era indispensável para ajuizar com segurança descer com o inquérito ao seio das Commissões Municipaes, verificar a exactidão do seu trabalho, a lealdade dos seus actos, c a justiça das suas decisões. O convencimento jurídico exigiria um processo monstro; carros de documentos ; a paciência e o tempo, que só a Inglaterra consagra a averiguações destas, ou d'ou1ra natureza. Sobre a queslão dos recenseamentos pôde haver suppo-siçôès ; mas certeza não. Nenhum de nós, com a mão na consciência, pode dizer: « Eu Deputado atteslo, que os recenseamentos foram lodos leaes; que os não altera a menor irregularidade ; que não se mutilou nem addicionou individamenle a verdadeira representação politica!.. «Qual de nós ousará attest ar isto sobre factos com evidencia incontestável ? Éporissoque me abstenho de fazer argumento negativo, ou appro-valivo deste ponto. Não lenho senão suspeitas. Sei só, que se na confecção dos recenseamentos entrou dedo partidário, fica estampado nessa pagina o sacrilégio, que profana a mais importante das funeções civicas.
Mas, tirada mesmo a questão de facto do recenseamento, circumslancias geraes influem para caracle-risar a eleição; edevemos considera-las na sua apreciação. Antes de consummado o processo não ha acontecimentos, que o olham de perlo não ha acci-denles ou episódios que não podem ser indifferentes ao juiz imparcial ? Dois vicios insanáveis infirmam a authenlicidade de uma eleição, enão sei delles qual seja o peior. Palio da corrupção e da inlimidação; formas diversas da mesma coacção, uma opera sobre a moral, a outra dirige-se ao físico. A corrupção, exercida pelas graças do Poder, ou pelos lhesouros da classe rica esconde nas trevas o seu crime', es-Vol. 1.°—Janeiro— 1848.
capa facilmente ao flagrante da apprehensão. Scillé* se, deplora-se e não se pune custa a provar, e provada, os culpados eslão alios, e o braço da justiça e'curlo quasi sempre para os alcançar. Se houve corrupção tal neslas eleições, ignoro ; não posso contar o que não sei. Tudo o que ouso annunciar é que po* dia have-la.
A intimidação, essa, não se occultou invergonha* da; correo diversos districlos. Procedeo com toda a facilidade, e não se deteve mesmo a inventar pretextos, ou a corar escusas. Foi positiva, terminante, e brutal, cm algumas partes. No Algarve deixou monumento, que tarde esquecerái Não quero fazer culpa com o que vou dizer, ao parlido cartista; não o aceuso do que outros praticaram, invocando em falso o seu nome. Deos me livre! Os assassinos do padre Bitorres; os monleadores eleitoraes de Faro; os he-roes de Serpa, e de Portimão, tem a sua 'dinastia excepcional — não entram na igreja dos fieis.
Houve assassínios, o sangue fumegou, e os homici-dos ficaram impunes! Expatriaram-se cidadãos e famílias, fugindo á perseguição, e a perseguição rio-se infrene do santo temor das í.eis ! Uma força, levando as iras do parlido ao gráo do crime, declarou-se vingadora do paiz e em nome das suas paixões, fez tremer tudo em roda de si! As varas dos espancado-res coroaram-se dc louros; os abusos louvaram-se como virtudes. Não faltou chronisla para as gentilezas e apologia para a miniatura dos Tiberios...
Concebo, que o ardor das paixões escusa cerlas violências, certos excessos. Não os imputo senão á immoralidade, residuo faial dascommoções politicas. Mas a extensão das que censuro, os effeilos delias, sahem dos limites naluraes do desforço desculpável para figurar no catalogo dos grandes delidos. O sangue de um clérigo inerme; o terror de uma provincia; a emigração de famílias para Hespanha, e a intolerância confessada epreconisada como heroísmo, não sãopeccados veniaes, são attentados, quedeshon-rariam o paiz, a civilisação, e o parlido cartista, se aqui se não levantasse uma voz para estigmalisar os crimes, e pôr fora de toda a cominunhão esses here^ jes sacrilegos que fazem do ferro argumento de conversões politicas. Os assassinos não têem partido, não vestem senão á libré do algoz! (Apoiados de iodos os lados da Camara.)
Citei estes factos para declinar da opinião cartista •a sua responsabilidade , e para concluir delles, que era impossível que a eleição do Algarve feita debaixo desta intimidação publica e efficaz, deixasse de se ressentir profundamente delia. A falta de um partido na votação diz muito lambem... Alé que ponlo ella influiu não sei; que influiu é fora de duvida.
Sr. Presidenle, durante a época eleitoral, disse um Sr. Deputado, havia um Governo. Se por esla frase quiz suppor a acção administrativa, a influencia licita e regrada, e a tutella vigilante do Poder, não me conformo, esou obrigado aconleslar — não houve lai Governo. Tivemos decretos em papel, mas a obediência não eslava do lado dos Ministros? As suas ordens não se cumpriam, as suas assignaluras passavam sem força. Sinto que não estejam neslas cadeiras — porém a sua falta, se é o elogio da sua consciência escrupulosa, não conclue de cerlo em louvor da sua influencia eleitoral, da sua significação. É o primeiro Gabinete, que não conseguio fazer-se Eleitor e Depulado!