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SESSÃO DE 25 DE JANEIRO DE 1888 243

que ella está melhor era Villa Real de Santo Antonio, creio que s. exa., apesar do muito interesse que tem por Faro, ha de concordar commigo.
Posta a questão n'estes termos, se o illustre deputado me annunciar uma interpellação, promptamente me declaro habilitado para lhe responder.
Vozes: - Muito bem.
O ar. Presidente: - Passa-se á ordem do dia.
O sr. José. Novaes: - Eu tinha pedido a palavra.
O sr. Presidente: - Como é a hora de passar á ordem do dia vou consultar a camara sobre o pedido do sr. deputado Novaes; mas devo observar que tambem está inscripto o sr. Ruivo Godinho, e que, por isso, a deliberação da camara tem de ser com relação aos dois srs. deputados.
A camara permittiu que se lhes desse a palavra.
O sr. Ruivo Godinho: - Prometto tomar pouco tempo á camara, porque me limito a mandar para a mesa os seguintes requerimentos: um, de Anacleto da Silva Pelejão, general de brigada reformado; outro, de José Antonio Pereira, general de brigada reformado; outro, de José da Silva, major reformado; outro, de Antonio Vieira Bettencourt, major reformado; e outro de Cypriano José Gonçalves, major reformado, pedindo para serem contemplados na melhoria de vencimento que têem os reformados, posteriormente, em virtude da lei utimamente votada, e para que seja approvado o projecto de lei apresentado pelo sr. D. Luiz da Camara Leme, na camara dos dignos pares, em sessão de 9 do corrente, ou alguma outra proposta que tenda a melhorar a sua situação.

proveito a occasião para declarar que tenho necessidade de dirigir algumas perguntas ao sr. ministro da guerra, e portanto pedia a v. exa. a fineza de fazer constar ao sr. ministro que eu desejava a comparencia de s. exa. n'esta camara.
Uma, voz: - O sr. ministro da guerra está doente.
O Orador: - Ouço dizer que o sr. ministro da guerra está doente, mas eu peço licença para dizer que ainda no domingo andava s. exa. passeando na avenida, e por isso parece me que não estando impedido para passeiar, talvez não esteja impedido para vir á camara. (Apoiados.) Se a doença do illustre ministro for de caracter duradouro, n'esse caso deve ser substituido no seu impedimento, porque não póde estar uma pasta sem ministro; (Apoiados.) e se for por pouco tempo, então eu esperarei, confiando em que v. exa. lhe fará constar este meu desejo.
Hontem o sr. ministro da fazenda disse-me que desejava que eu provasse uma asserção que tinha avançado, de que se davam muitas gratificações pelos differentes ministerios. S. exa., quando me respondeu, referiu-se só ao ministerio da fazenda, e eu tinha-me referido a todos os ministerios.
Ora eu tenho muito desejo de satisfazer a vontade ao sr. ministro, mas para isso ha de tambem s. exa. satisfazer me a minha vontade, fornecendo-me os documentos que peço.
O sr. ministro da fazenda já está em divida para commigo ácerca de uns documentos que pedi, porque já no anno passado requeri uma nota dos addidos e aposentados desde que s. exa. é ministro, e até hoje ainda me não foi satisfeito esse requerimento, o desperdicio dos dinheiros publicos, de que accuso o governo, está tambem no numero de addidos e aposentados, que tem arranjado.
Se o sr. ministro me tivesse mandado aquella nota, já eu hontem podia ter começado a fazer-lhe a vontade de apresentar as provas das proposições que avancei, provas, que aliás não eram precisas, porque para convencer o paiz não são precisas, porque elle está convencido de mais, e para convencer o sr. ministro não são tambem precisas, porque s. exa. sabe bem o que elle e os seus collegas têem feito, não é preciso provar-lh'o para o convencer.
No entanto, e vista a vontade do sr. ministro da fazenda, mando mais dois requerimentos para a mesa: um a pedir nota da despeza que se tem feito por todos os ministerios desde fevereiro de 1886 até á data em que vier a nota, comparada com a despeza feita nos dois annos immediatamente anteriores, e outro pedindo uma nota das gratificações que tiverem sido dadas no mesmo periodo declarando-se as que tiverem sido dadas em virtude de lei e as que tiverem sido dadas sem auctorisação legal, e bem assim as pessoas a quem tiverem sido dadas.
Se o governo satisfizer a estes dois requerimentos, e ao do anno passado, a que já me referi, espero fazer a vontade ao sr. ministro da fazenda.
Sei que ha varios modos de satisfazer aos requerimentos, podem ser satisfeitos de uma maneira mais ou menos sincera, como têem sido as resistencias na opinião do sr. ministro da fazenda, e podem ser satisfeitos apenas de uma maneira sincera.
Eu desejo que estes sejam satisfeitos apenas sinceramente, porque tenho vontade de ser agradavel ao sr. ministro da fazenda, e não quero deixar de satisfazer, ao. primeiro pedido que s. exa. me faz.
Vozes: - Muito bem.
Os requerimentos tiveram o destino indicado no respectivo extracto a pag. 238.
O sr. Amorim Novaes: - Será breve, para não abusar da concessão que a camara acaba de fazer-lhe.
Rasão tinha ha dias o illustre deputado, sr. Arroyo, para classificar de ingenuo o procedimento de alguns collegas da minoria, quando pediam ao sr. presidente do conselho que désse ordem ao seu delegado de confiança em Braga para que o direito de reunião fosse assegurado e a ordem mantida no comicio que ali se projectava fazer.
E s. exa. assim o prometteu; mas, noticias fidedignas recebidas hoje de Braga dizem que n'aquella cidade se deram acontecimentos extraordinarios, tendo os agentes do governo invadido o theatro, onde o comicio se devia effectuar e obstado a que elle se realisasse, ameaçando de resolver em punho quem ali estava!
É assim que o delegado do governo cumpriu a promessa do sr. presidente do conselho; é assim que foi assegurada a ordem em Braga e se procurou manter o direito de reunião!
Aos desatinos de hontem, succedem-se os desatinos de hoje.
Ha dias, acrescenta o orador, soccorreu-se o sr. presidente do conselho a um celebre artigo do codigo administrativo para desculpar as violencias praticadas pelos seus delegados de confiança no districto de Braga. Tambem agora quererá s. exa. cital-o?
Não se envergonhará s. exa. de o fazer, em desdouro dos seus merecidos creditos de jurisconsulto?
Não o ousará, por certo, a não ser que ao mesmo tempo venha assegurar ao parlamento que o meeting projectado em Braga era tambem incendiario.
Mas, n'este caso, é preciso que o governo explique o que entende por actos ou palavras incendiarias.
O que se vê é que em diversos pontos do paiz se alastra a desordem e a anarchia sem que o governo tenha força a para a dominar; o que se ouve por toda a parte é o grito de: "abaixo o ministerio" e é sem duvida esta phrase que mais magôa e irrita o governo, porque os srs. ministros querem ficar, embora a desordem continuo.
Entre submetter se ou demittir-se, dilemnia de Gambeta, o governo prefere submetter-se, e ficar.
Por isso, sempre que s. ex.ªs têem as palavras "abaixo o ministerio" vêem n'ellas uma phrase incendiai e para as suas intenções e para os seus desejos.
E no entretanto os tumultos continuam. Começados na Madeira o Pombal, repetiram-se em Cantanhede, em Oliveira do Bairro, em Moncorvo, onde houve quatorze victi-mas, na Mealhada, na Anadia, e, segundo se diz hoje, tambem em Arouca, correndo o boato de ter sido ali ferido um official.