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244 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

O orador termina solicitando do sr. ministro da fazenda, o obsequio de mandar pedir, ao sr. presidente do conselho os telegraramas que s. exa. haja recebido hontem e hoje a respeito do estado de agitação em todo o paiz.
Não lhe parece demasiada esta exigencia, por isso que o sr. presidente do conselho já declarou á camara que não tinha duvida em pôr á disposição de todos os deputados os telegrammas que recebesse a este respeito.
(O discurso terá publicado na integra quando s. exa. o restituir.)
0 sr. Ministro da Fazenda (Marianno de Carvalho): - Para respeitar a deliberação da camara tenho que ser muito simples na resposta que desejo dar ao illustre deputado.
A mim não me incommoda nem o abaixo nem o acima. (Riso.} Em geral grita abaixo quem pretende ir acima.
Agora com relação a Arouca.
O illustre deputado disse constar-lhe que em Arouca houve tumultos graves e que o commandante da força tinha sido ferido.
S. exa. sabe que este negocio da manutenção da ordem publica não corre pela minha pasta, mas no entretanto direi que hoje, encontrando-me com o meu collega das obras obras publicas, perguntei-lhe se tinha havido alguma cousa em Arouca e s. exa. respondeu-me que em Arouca reinava a mais completa tranquillidade e que era muito difficil ser ferido o commandante da força pela simples rasão de que não havia lá força militar. (Riso.)
Não estava lá nenhum destacamento, nem commandante nenhum, e por consequencia não era facil ser ferido um commandante que estava ausente. (Riso - Apoiados.)
Quanto ao comicio de Braga não posso dar senão as explicações que constam dos telegrammas já publicados e que o governo recebeu. Do que elles dizem resulta que se reuniu um comicio em Braga no theatro de S. Geraldo, e que a auctoridade não oppoz o minimo obstaculo a essa reunião.
Parte dos assistentes era favoravel aos promotores do comicio e a outra parte, que eu supponho ser a grande maioria, era contraria.
Quizeram fallar. Creio que se levantou logo uma questão sobre se o presidente havia de ser de uma parte ou de outra, e d'ahi resultou uma parte dar pateada, que eu creio que era a maioria.
Não havendo senão pateada, e não havendo discursos, a auctoridade perguntou ao presidente do comicio se tinha força para manter a ordem, e dizendo-lhe elle que não, foi dissolvido o comicio.
O illustre deputado diz que os que deram pateada foram agentes do governo. Resta proval-o. (Apoiados.) Creio que a auctoridade não ha de respeitar só a liberdade de opinião dos adversarios do gabinete, mas de todos os cidadãos.
E não me parece que seja agora a occasião opportuna para o fazer, por não estar presente o ministro da respectiva pasta.
O illustre deputado mostrou desejos de que eu mandasse pedir ao sr. presidente do conselho os telegrammas recebidos de hontem parte hoje a respeito de quaesquer acontecimentos que perturbassem a ordem publica em qualquer ponto do paiz.
Eu vou escrever ao sr. ministro do reino, que está na outra casa do parlamento, para satisfazer aos desejos do illustre deputado.
Não posso fazer outra cousa.
O sr. Presidente: - Eu não posso conceder a palavra a nenhum outro sr. deputado sem consulta de novo a camara.
A camara resolveu que se désse a palavra aos srs. deputados Ruivo Godinho e Amorim Novaes, mas alem d'estes acham-se ainda inscriptos os srs. deputados João Arroyo, Teixeira de Vasconcellos, Estrella Braga e Avellar Machado.
A camara resolverá se quer que eu continuo concedendo a palavra aos srs. deputados inscriptos, pela ordem de inscripção, ou se quer que se passe á ordem do dia.
Consultada a camara resolveu que se passasse á ordem do dia.
O sr. Marçal Pacheco: - Eu não quero tomar tempo á camara, simplesmente quero mandar para a mesa a seguinte:

Nota de interpellação

Requeiro que seja prevenido o sr. ministro da justiça, de que desejo interpellal-o ácerca dos acontecimentos succedidos era Braga no dia 7 de outubro proximo passado contra a redacção do Commercio do Minho. = O deputado, Marçal Pacheco.
Mandou-se expedir.

ORDEM DO DIA

Continuação da discussão do projecto de lei n.º 6 relativo à contribuição industrial

O sr. Presidente: - Continua com a palavra que lhe ficou reservada da sessão anterior o sr. deputado Moraes Carvalho.
O sr. Moraes Carvalho: - (O discurso será publicado quando s. exa. restituir as notas tachygraphicas.)
O sr. Presidente: - O sr. Franco Castello Branco tinha pedido a palavra para antes de se encerrar a sessão; mas preciso consultar a camara sobre este pedido.
A camara permittiu que lhe fosse concedida a palavra.
O sr. Franco Castello Branco: - Agradeço a benevolencia da camara, permittindo que eu use agora da palavra.
Por poucos momentos occuparei a sua attenção.
O meu unico fim é pedir a v. exa. que sejam lidos na mesa aquelles telegrammas cuja remessa para esta casa do parlamento foi hoje pedida pelo meu illustre collega o sr. Amorim Novaes.
Como v. exa. sobe, o sr. Novaes acompanhou aquelle seu pedido de algumas considerações tendentes a favor ver á camara que por alguns boatos ou noticias recebidas por alguns membros da opposição, constava que, principalmente nos concelhos da Bairrada, não estava mantida a ordem publica tão completa e perfeitamente como ainda hontem affirmou n'esta casa o sr. conselheiro José Luciano de Castro.
Diz se até que a casa do sr. presidente do conselho, ou de alguem de sua familia, não tem sido respeitada pela populaça.
Note v. exa. que eu refiro este caso, levando-o em conta de boato, e desejarei muito que qualquer dos membros do governo possa dizer a respeito d'elle o que, ha pouco, disse o sr. ministro da fazenda ao meu illustre collega o sr. José Novaes, relativamente a boatos que tambem corriam, de ter havido desordens em Arouca e de ter sido gravemente ferido o commandante da força.
Supponho que interpreto o sentimento de todos os membros da opposição regeneradora n'esta casa, dizendo que sentiriamos muitissimo que a casa do sr. José Luciano de Castro, ou de qualquer pessoa de sua familia, tivesse sido desrespeitada. (Muitos apoiados.)
Entretanto, só o facto existe, por pouca importancia que tenha, constituo realmente só por si um forte indicio de que a ordem publica não está tão completamente mantida na Bairrada, como declarou á camara o sr. presidente do conselho. (Apoiados.)
Pedia portanto a v. exa., sr. presidente, e parece-me que n'esta altura da sessão é o que ha a fazer, que mandasse ler na mesa os telegrammas pedidos pelo meu collega o sr. José Novaes e cujo pedido teve favoravel acolhimento por parte do sr. ministro da fazenda.
Esses telegrammas é de crer que já estejam sobre a mesa.