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10 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

mento de Coimbra, não deu s. exa. resposta alguma. Só me referi ás palavras do sr. João Dias por incidente, porque conheço que não eram argumento fundamental da exposição que eu fazia.

Peço, pois, ao sr. ministro das obras publicas, em nome da cidade de Coimbra, que metta já mãos á obra, e a primeira cousa que no meu entender s. exa. deve fazer é abrir concurso para escolher projectos. Ha já uns poucos de projectos escolhidos, dois dos quaes estão premiados; entre elles ha uma grande differença de preço, e ou não discuto agora qual d'elles deve ser o preferido.

Depois d'isto feito pôde o sr. ministro das obras publicas realisar a operação, que eu, sinceramente, acho muito boa. Abra s. exa. o concurso que a empreitada ha de ser acceite, nas condições que s. exa. indica.

Termino, pedindo novamente ao sr. ministro das obras publicas que não desista
das boas disposições em que hoje se encontra, e pelas quaes o felicito.

(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas do seu discurso.)

O sr. Eduardo Abreu: - Tivera a curiosidade de consultar os registos parlamentares, e por elles vira que, ao passo que antigamente era no fim das sessões legislativas que passavam os projectos de onde resultava augmento de despeza, este anno os pedidos do augmento de despeza se apresentavam em grande numero logo no principio da sessão.

Parecia-lhe isto um desvario, quando se não sabia se poderíamos pagar aos credores e quando se estava em duvida sobre se se haviam de pedir mais alguns milhares de contos aos contribuintes.

Não se admirasse portanto a camara que elle, orador, protestasse contra estes factos.

Em março do anno passado perguntara ao governo se estava disposto a annullar o concurso que estava aberto para algumas cadeiras da escola do exercito.

Respondera-lhe o sr. presidente do conselho, que deixaria seguir o concurso, porque estava aberto, mas que, com as côrtes fechadas ou com as côrtes abertas, seguiria o caminho das economias que eram indispensaveis, e em caso algum se fariam as nomeações.

Se não se deviam fazer as nomeações n'aquella epocha, porque já se não podia pagar aos credores mais de 50 por cento, não era o argumento muito mais valioso agora, quando se não sabe se aos credores se poderá pagar um terço?
Com que auctoridade política tinha, pois, o sr. ministro da guerra mandado abrir concursos na escola do exercito, aggravando, de um modo digno de toda a censura, as despezas publicas?

Era escusado esperar pela presença do sr. ministro da guerra.

Pedia, por isso, ao sr. ministros das obras publicas, a fineza de dizer, tanto a s. exa., como ao sr. ministro do reino, que muito má impressão deve ter causado o facto de se abrirem aquelles concursos, e de pedir ao sr. ministro do reino que proceda agora como procedeu no anno passado.

(O discurso será publicado na integra e em appendice a esta sessão, quando s.
exa. haja revisto as notas tachygraphicas.)

O sr. Ministro das Obras Publicas (Pedro Victor): - Communicarei aos srs. ministros da guerra e do reino as considerações que o illustre deputado acaba de fazer; mas no entretanto, emquanto s. exas. não vem responder, mesmo porque a este respeito supponho que há uma interpellação annunciada, e v. exa. terá então occasião de largamente discutir este assumpto, devo dizer que a reforma da escola do exercito representa in totum uma economia de 20 e tantos contos de réis.

O sr. Eduardo Abreu: - Isso é verdade.

O Orador: - Ora, s. exa. não pôde querer nem ninguem, que o ensino da escola do exercito esteja sem os professores necessarios.

A economia in totum existe, mesmo com a nomeação d'esses professores; e ninguem pôde querer que a primeira escola do applicação do nosso paiz esteja sem os professores necessarios e indispensaveis para que ahi se ensinem os diversos cursos.

Por consequencia parece-me que s. exa. não tem rasão nas suas observações.
Ha economia, e desde que ella existe no total, s. exa. não pôde senão comparar a organisação da escola, tal qual estava antigamente com o que está agora.

Existia um certo numero de professores, dos quaes sairam alguns, e é preciso que entrem outros que os substituam.

É o que tenho a responder muito por alto ás considerações do illustre deputado, independentemente da communicação que farei aos meus collegas da guerra e do reino, que certamente virão dar a s. exa. explicações mais desenvolvidas.

(S. exa. não reviu.)

O sr. Eduardo Villaça: - Tenho a honra de fazer á camara a seguinte:

Participação

Participo que está constituída a commissão do orçamento, tendo escolhido para presidente o sr. Marianno de Carvalho e a mim para secretario, havendo relatores especiaes. = Eduardo Villaça.

Para a acta.

O sr. Presidente: - Vão passar-se á ordem do dia. Os srs. deputados que tiverem papeis a mandar para a mesa podem fazel-o.

ORDEM DO DIA

Eleição do commissões

O sr. Presidente: - Vae proceder-se á eleição da commissão de administração publica.

Feita a chamada e corrido o escrutínio, verificou-se terem entrado na urna 58 listas, saindo eleitos, com igual numero de votos, os seguintes srs.:

Adolpho Pimentel .... 58 votos
Amandio Eduardo da Mota Veiga .... 58 votos
Antonio Baptista de Sousa Santos Viegas .... 58 votos
Campos Henrique .... 58 votos
Augusto Guilherme de Sousa .... 58 votos
Pereira Leite .... 58 votos
Eduardo J. Coelho .... 58 votos
Frederico Arouca .... 58 votos
Ayres de Campos .... 58 votos
João Marcellino Arroyo .... 58 votos
Rodrigues dos Santos .... 58 votos
Correia de Barros .... 58 votos

O sr. Presidente: - A ordem do dia para sexta feira é a mesma que estava marcada para hoje e mais a interpellação do sr. Abreu Castello Branco ao sr. ministro da justiça.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas da tarde.

O redactor = Sá Nogueira.