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tas seus oppressores. Os entendimentos humanos tem-se desenvolvido; as imprensas livres tem mostrado a verdade; e os tyrannos já não podem com ella. Já hoje se não soffre que os povos sejão a respeito de quem os governa como rebanhos, para elles os tosquiarem, e espesinharem a seu sabor: estarem grandes Nações constante e systematicamente reduzidas á pobreza; sem educação publica, sem administração de justiça, sem boas leis, seccas as fontes da prosperidade publica, tudo pela ignorancia, paixões, e ambição dos despotas; e não poderem ellas dar um só passo para a sua felicidade, porque esses déspotas lho não consentem, e se interessão em as ter em perpetua desgraça para melhor as desfructar, e sopear. Por mais que se lhes prégue, que aquelles homens governão por direito divino, ellas não crêm em tal direito, que as faz infelizes, e que a elles os autoriza para commetterem toda a casta de crimes, abusos da autoridade, e prevaricações. Debalde lhes falão em ligitimidade: sabem a origem de todos os governos, e que ninguem he senhor legitimo para lhes impedir os caminhos de serem felizes.
Por tanto estas nações, taes como a França que vê todos os dias destruir-se-lhe aquella forma de governo, que lhe deu a felicidade que gosa depois da revolução, a Italia, e a Peninsula, etc. horrorizadas pelas pretenções insolentes e machiavelicas da Santa Alliança, esperão sómente a occasião de fazerem uma reacção terrivel, que as restitua ao seu estado natural. Esta occasião he a invasão da Peninsula. Nós faremos então o que faz o pacifico habitador de uma casa, quando se vê assaltado por ladrões: páos, pedras, armas, fogo, ferro, venenos, tudo se emprega contra a quadrilha, e logo que se chega a seguralla, he perseguida até morte. Ai de quem offender o ciúme natural da península? A guerra será de morte, e depois de ganhada a superioridade contra os aggressores , quero dizer a das nações contra esses tyranos, não se deporão as armas sem lhe acabar a casta. Não se tratará de os fazer emigrar para Coblentez, e para Lilla, para depois algum dia regressarem a dar outra vez cabo das liberdades francezas, rodeados de fanáticos hypocritas, e ambiciosos: Está provadíssimo que são inimigos irreconciliaveis das nações, e que não conhecem outra medida se não a da sua ambição: por tanto se banira então por uma vez tal raça, e sobre as ruínas della se levantará a gloriosa dynastia do Sr. D. João VI, que conhecendo não dever separar-se a causa das nações da causa dos Reis se uniu cordialmente com Portugal, para se ver livre dos que tanto o enganárão, e o fizerão por tantos annos infeliz a elle e á nação. Os taes ambiciosos que se proclamão vindos imediatamente do ceo, para regularem por direito divino não só os seus próprios reinos, mas até os alheios, irão para o ceo donde vierão, pois as nações tem-se achado muito mal com a regencia de direito divino, e cá se irão remediando como poderem sendo governados por direito humano. Tal será logo que se realizar a invasão o grito geral, desde os Perineos ao Téjo: "Morrão os despotas, e os tiranos que perturbão a paz das nações, e lhes querem impedir o caminho da sua felicidade.
Nem nos digão que Portugal não tem dinheiro para a guerra. Armamento já está encomendado o que falta: o dinheiro he muito, e está dentro de Portugal , e gastando-se com a guerra não sahirá para fora do reino. Se alguem não fizer indicação sobre isso eu a farei. O dinheiro nacional que comem os occiosos, quero dizer, os donatarios da coroa, do alto clero, os frades, e freiras, venha ao grande destino da nação a que pertence, deixando-se áquelles desfructadores uma subsistencia decorosa: os que, ricos de bens nacionaes estão ainda disfructando grandes ordenados e pensões á custa do pobre povo, larguem-nas. Os rendimentos dos facciosos, e desertores, apliquem-se á causa sagrada, vendão-se os bens nacionaes. etc. Por outra parte desatem-se as mãos ao governo, que por muito que o tenhão pretendido tornar odioso alguns homens e periodistas ou cegos ou máos, nunca o notarão de inimigo da causa da liberdade: os empregados públicos em quem elle não tiver confiança sejão removidos dos empregos: os inimigos internos que se declararem, mandem-se para as ilhas, ou um pouco mais para diante, e saibão todos, que se o principio fundamental dos constitucionaes he a moderação, e a humanidade, no caso de se lhe querer tocar na sagrada arvore da Constituição, então só haverá energia e vigor para aniquillar seus inimigos; nem cuidem que á sombra benefica desta arvore se póde abrigar quem a pertende destruir.
Tem-se dito que nestes inimigos he que confião os taes fanaticos do governo de França. Muito maior partido tinhão cá dentro os exercitos de Napoleão, e era partido dos homens de juizo, que em quanto se não manifestou a ambição daquelle conquistador, querião a regeneração, viesse ella do diabo. Hoje porem, quem he que quer se reproduza o systema do absolutismo, do despotismo, e da inquisição? Só os que vivem de abusos, de privilegios, do suor dos pequenos, ou por ahi o tolo de algum fanatico. A opinião geral está formada. Tratemos de habilitar o Governo, para se pôr a Nação na altitude que lhe convem: a Hespanha faz o mesmo, e em apontando os tyrannos pelos Pyrineos, serão esmagados para sempre debaixo do pezo da geral indignação. Elles sanccionão o principio de invadir nações independentes para regular os seus negocios interiores: pois bem, a Peninsula quando vencedora, unida á illustrada nação Franceza, lhes retorquírão o principio com usura. Ellas não se esquecem, que desde que essa Santa Alliança se formou em 1814 a sua constante marcha tem sido manter as espoliações já feitas, e pilhar mais e mais territorio, mais e mais poder. Desde então a Hollanda foi engrandecida com a Belgica, a Prussia com grande parte da Saxonia, a Austria com Veneza, a Serdanha com Genova, e a Russia ganhou sempre terreno na Polonia, Georgica, e America septentrional, e tem os olhos fitos na Turquia, e Dardanellos. Assim tem sido tambem entre nós tudo o que tomou o nome de Santo: Santa inquisição, Sagrada religião de Malta, Santa igreja patriarcal, etc., já se sabe, tudo para grandes chuxadeiras. Pois agora he necessario que se desmascare a hypocrisia, e que cada classe, ou cada reino se contente com o que lhe