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tente do Ministerio do Reino, fez todos os sacrifícios que estavam ao seu alcance. Sr. Presidente o Engenheiro tendo alcançado este bom resultado dos seus trabalhos, deu parte delles ao Governo, e que seria muito proveitoso que o Sr. Ministro do Reino lhe desse ordem e lhe facilitasse meios para que elle immediatamente pozesse em execução os bons desejos d'quelles povos, e assim se utilisarem os donativos que se acabavam de fazer. O Sr. Ministro do Reino officiou ao Governador Civil de Viannado Castello, que de mãos dadas com este Engenheiro tractassem de nomear um commissão para a fiscalisação desta obra, e esta commissão foi mais feliz que a Associação Commercial do Porto.

O Governador Civil encarregou a direcção desta obra ao Engenheiro; e este apresentou-se pela segunda vez na Villa da Barca, e aquelles proprietarios, dignos de todos os respeitos, nomearam este Engenheiro presidente da commissão: instalou-se esta, e o resultado foi immediatamente serem demolidas todas as pesqueiras e açudes desde a ponte da Barca até ao Carregadouro, que são duas legoas e meia; para isto os povos de sette Concelhos (se bem me lembro) se apresentaram, e n'um tão grande numero de pessoas que andava nesta obra, não houve senão alegria, e nunca uma contestação. Por tanto, Sr. Presidente, parecendo que esta pequena historia interessante, mas mal narrada, que não vem nada para o caso, mas que muito me interessa, por isso que e mais vulgar fazer recriminações, do que dar os louvores a quem lhe pertence; por isso, digo, que esses proprietarios merecem que os seus nomes sejam conhecidos no paiz pela boa vontade com que se prestaram a ceder das suas azenhas e açudes em proveito desta obra.

Ao Governo tambem competem muitos louvores, porque nada lhe escapou para que nem uma duvida impedisse o mencionado encanamento; por tanto, Sr. Presidente, agradeço a V. Exa. e á Camara a bondade de ouvir esta pequena narração, que entendi que devia faze-la, por isso que ainda não vi uma só letra em Periodico algum a respeito desta obra, feita com a melhor vontade tanto da parte da Camara dos Arcos, como da Villa da Barca; por tanto, Sr. Presidente, o Governo, e tambem o Sr. Placido Antonio da Cunha Abreu, Delegado das obras publicas no Alto Minho andaram com muito acerto, e muito zelo; faço votos que estas acções sejam imitadas em todas as Províncias, para que assim se possam levar a effeito os melhoramentos de que tanto precisamos, e a que não póde chegar o nosso Thesouro Publico.

O Sr. Presidente: - Em quanto ás informações que o illustre Deputado deu, digo que este não e o lugar proprio para se responder a correspondencias que vem nos Periodicos; não interrompi o Sr. Deputado, porque sempre esperei que concluísse por alguma proposta.

O Sr. Lopes de Lima: - Sr. Presidente, depois do resultado que teve a interpellação que hontem tinha dirigido ao Sr. Ministro da Fazenda, e da maneira porque S. Exa. respondeu ás perguntas que lhe fiz, allegando a incompetencia do seu Ministerio; vejo-me obrigado a dirigir por outra vereda uma lnterpellação ao Sr. Ministro da Marinha: por tanto mando para a Mesa a seguinte:

INDICAÇÃO. - Pertendo interpellar o Sr. Ministro da Marinha sobre a possibilidade de melhorar a sorte dos Officiaes da Armada em serviço effectivo, estendendo a elles o beneficio dos descontos dos recibos, de que estão gessando os Officiaes arregimentados do Exercito, e do Batalhão Naval. - Lopes de Lima.

Mandou-se fazer a communicação.

O Sr Rebello da Silva: - Sr. Presidente, mando para a Mesa um Requerimento de que peço urgencia.

REQUERIMENTO. - Requeiro que pela Repartição de Fazenda se peça uma cópia authentica da informação ou representação que o Administrador da Repartição do Papel Sellado fez ha tempos ácerca da qualidade de papel, que actualmente se vende sellado, e bem assim, da resposta, que se lhe deu. - Rebello da Silva.

Foi declarado urgente e approvado sem discussão.

O Sr. Palmeirim: - Sr. Presidente, as poucas palavras que vou proferir, devem ser julgadas como conversa parlamentar, mas parece-me que devem merecer a consideração do Governo e creio de todos nós. Ha dias tem apparecido uma quantidade immensa de pescadores summamente desgraçados, o seu numero é avultado, eu hoje mesmo quando vinha para a Camara, encontrei uma quantidade dos mesmos infelizes, e perguntando as circumstancias da sua infelicidade presente soube, que da falta de pescaria de sardinha na estação propria, e a dos temporaes na costa lhes duplicou a sua mizerio, e movidos pela fome e desgraça os obrigaram a mendigar. Se estes homens fossem vadios, e se não visse que eram dados ao trabalho, e que por uma fatalidade se acham reduzidos á fome, o que lhes tem acontecido por mais vezes, e se o Governo não tem uma verba especial para que possa dar soccorro e auxilio, o Governo tem outros meios que por ventura lhes possa destinar, e occorreo-me agora um que talvez póde avaliar se é conveniente ou não.

Nós votámos annualmente uma verba se não de um conto e duzentos, é de um conto, destinado aos náufragos portuguezes que navegam em paiz estrangeiro, talvez que os náufragos não tenham necessitado desses meios, e por certo a Camara não levaria a mal que daquella verba se destinasse uma quantia para ser applicada a estes nossos concidadãos por certo muito desgraçados: chamo a attenção do Sr. Presidente do Conselho sobre este objecto.

O Sr. Presidente do Conselho: - Creio que é exacto o facto que acabou de referir o nobre Deputado, porque effectivamente alguns pescadores, que costumam vir á costa nesta época, em consequencia do máo tempo não tem sido possível serem empregados nesse serviço; porem nas mesmas circumstancias dos de Aveiro se acham todos os pescadores das defferentes partes, porque effectivamente não tem havido pesca em toda a costa; e se por ventura devem ser soccorridos uns, devem ser soccorridos todos os outros que estão nas mesmas circumstancias: mas eu não sei se será conveniente estabelecer este procedimento; porque talvez no futuro lhes sirva de pretexto para se não empregarem nesse serviço, e em todo o caso a verba que referiu o nobre Deputado, não póde ter essa applicação; se ella pela Lei tem uma applicação especial, não póde ser destinada para outra despeza. O mesmo nobre Deputado disse que o Governo podia exceder um pouco no uso que deve fazer dessa verba, mas eu peço licença ao no-