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rece que as Repartições de Contabilidade de todos elles precisam de uma reverendissima reforma.

Resta-me, Sr. Presidente, para concluir e acabar, o Ministerio dos Negocios Estrangeiros. Eu tambem tenho sympathia pelo Sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros; as nossas relações são simplesmente de vista, mas sympathiso com a figura e presença de S. Exa. (riso.) O Sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros tambem costuma ser franco, e não vejo na sua Repartição objectos muito especiaes para serem trazidos para uma discussão que deve ser tractada per summa capita, não me parece que mereça muito a nossa attenção nesta discussão, a reforma que se póde fazer nas cathegorias do Corpo Diplomatico, nem a differente collocação que podem ter os Consules Geraes, são cousas que não veem agora para a questão. Mas o que pedia a S. Exa. era que desse attenção, e ordenasse ao Inspector Geral dos Correios, Cavalheiro de summa capacidade e probidade, na minha opinião, que tivesse a bondade de dar providencias para que os Correios, não obstante o estado das estradas, fossem mais regulares. Eu concordo que no estado em que estão as estradas, os Correios não podem andar quando as chuvas são muitas, mas que deixem de andar só porque o tempo está um pouco chuvoso, ou ameaça chuva, com isso é que me não posso conformar: e isto é defeito antigo, isto e facto constante que tenho observado por espaço de 29 annos que estou em Lisboa. Portanto pedia ao Sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros que recommendasse ao Inspector dos Correios, que fosse mais rigoroso com os conductores, e providenciasse de modo que elles só deixassem de caminhar quando houvesse impossibilidade absoluta de caminhar. Pedia tambem que estes conductores andassem mais decentes; porque ás vezes encontra-se na estrada um conductor de malas descalço: e assim como os Correios de posta, aqui em Lisboa, andam fardados, o que é decente, podia tambem a dignidade e a decencia daquella Repartição, que os conductores das malas andassem assim bem vestidos (apoiados.)

Tenho pois concluído o exame dos actos da Administração passada de um modo pacifico; mão não posso deixar de mandar para a Mesa um Proposta, que eu pedia a V. Exa. a considerasse como Emenda, e não como Additamento; porque sendo assim ella tem de ser votada antes do Projecto da Resposta ao Discurso da Corôa; se for approvada, declaro que voto pela Resposta, mas se for rejeitada, então voto contra a Resposta. Se o Systema Representativo estivesse filosoficamente estabelecido, a Resposta ao Discurso do Throno havia de dizer mais alguma cousa; eu entendo que assim como o Corôa diz o que tem tenção de fazer a bem da Nação, assim tambem a Nação não faltava, nem á cortezia, nem ás conveniencias, em dizer ás necessidades que tem (apoiado.) Esta Proposta que faço agora, e que já a fiz na Sessão passada, tem por fim o chamar a attenção da Camara, e do Governo sobre a necessidade de promover a Moral publico, e a conveniente Instrucção do Povo Portuguez. Eu não esperava no anno passado, que esta Proposta nem ao menos fosse admittida á discussão; porque não sei como uma Camara, quando um Deputado propõe que se mostre interesse em promover a Moral, e a Instrucção Publica, ella diga que não. Só a Camara hoje rejeitar esta minha Proposta, o que se segue são duas

proposições filosófica e logicamente necessarias - ou se entende que o estado actual está bem, e não precisa aperfeiçoar-se mais nem a Moral nem a Instrucção Publica, ou se entende então que se não devem aperfeiçoar ainda que estejam mal. - Ora ambas as cousas são absurdo; porque nem a Camara póde entender que a Moral, e a Instrucção Publica senão devam aperfeiçoar, e que estão bem no estado em que se acham, nem a Camara entende, que estando mal senão devam aperfeiçoar. Se a minha Proposta for rejeitada, eu poderia conduzir a Camara a consequencias, que pareceriam absurdas, que era mandar para a Mesa duas Propostas, uma no sentido de que a Camara entendia que o estado de Instrucção Publica está bem, e sujeitar esta Proposta á discussão; e a outra era, que à Camara entendia que o estado da Moral e Instrucção Publica está mal: mas que não tem empenho em o melhorar: mas não apertarei tanto; e sujeitarei unicamente á approvação da Camara a primeira Emenda, no sentido de que a Camara se empenhe o mostre desejos, e o Governo com ella, de promover a Moral e a Instrucção Publica do Povo Portuguez, que as guerras civis teem consideravelmente prejudicado. Portanto concluo pedindo a V. Exa. que me de tempo para redigir a Proposta neste sentido, e que me conserve a palavra para uma explicação, se for necessaria; porque ainda que tenha pedido a palavra pela segunda vez, com tudo não sei se ella me chegará.

O Sr. Ministro da Fazenda: - (a) Começa dizendo, que tencionava não pedir a palavra tão cedo neste debate, porque queria ouvir antes os Srs. Deputados que pediram a palavra, e responder depois aos seus argumentos; entretanto o Sr. Deputado, que acabou de fallar, descreveu com côres tão medonhas o estado da Fazenda Publica, e fez uma serie de perguntas aos Ministros, com especialidade ao da Fazenda, que entendia ser conveniente dar algumas explicações a respeito das asserções de S. Sa.

Que o Sr. Deputado queixou-se de ter ficado adiada para depois da Reposta ao Discurso da Corôa, a discussão da Proposta que apresentou para a nomeação de Commissões de Inquerito para a alfandaga das Sete Casas, do Porto, e para examinar em que estado estava nos differentes Ministerios a operação da passagem das acções do fundo de amortisação; mas o nobre Deputado viu que elle (Orador) votou porque a discussão sobre essa Proposta continuasse, não só porque previu, o que effectivamente aconteceu, que S. Sa. de novo encetaria essa discussão na Resposta ao Discurso da Coroa, mas porque desejava desde logo demonstrar, que o pedido do Sr. Deputado não tinha a importancia que lhe quiz dar. O Sr. Deputado procurando agora demonstrar os motivos que tinha tido para pedir a nomeação dessas Commissões de Inquerito, disse - Que era porque o estado da Fazenda Publica era deploravel; que o Governo nem remediou, nem disse que queria remediar esse estado, e que era necessario que o Parlamento procurasse pôr-lhe termo. - Esperando, porém, da parte do nobre Deputado uma demonstração completa desta proposição, viu com pasmo que, para justificar o que tinha dito, se soc-

(a) S. Exa. não pôde rever o seu discurso, e por isso com auctorisação sua se colloca aqui o Extracto do mesmo discurso, que foi publicado no Diario do Governo.