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correu aos Diarios do Governo desde o 1.° de Julho de 1849 a 30 de Setembro do mesmo anno, onde lhe parecia que o Sr. Deputado devia ver o contrario daquillo que tinha apresentado!.....Pois não viu o nobre Deputado que a descoberta das prevaricações de que foliou, era um acto desta Administração? Não viu que a par dessa descoberta appareceu immediatamente o castigo aos prevaricadores? Não viu que a par desse castigo appareceram medidas para evitar de futuro essas prevaricações? Realmente os Diarios a que o Sr. Deputado se soccorreu, contem documentos que não podem provar senão a favor do Governo, e não esperava da imparcialidade do Sr. Deputado que tirasse a conclusão que tirou. Esta Administração tem sido tratada com nimia injustiça (apoiados); quando appareceram as fraudes commettidas nas Sete Casas, e que todo o paiz viu com espanto, negou-se inclusivé á Administração actual ter sido ella quem nomeou o Visitador que fez essa descoberto, quando a nomeação desse Visitador e de 27 de Junho, e a Administração foi nomeada a 18 do mesmo mez; até este serviço se quiz negar!..... Pertendeu-se attribuir esta descoberta a puro acaso, e o mesmo Sr. Deputado disse - Que nos livros estavam as provas das malversações, e por consequencia, o resultado foi de puro acaso -; mas o exame desses documentos foi mandado fazer pela Administração actual, e foi em virtude desse exame que se descobriram os desvios, applicando-se aquelles que os praticaram, o devido castigo, castigo que depois foi classificado nimiamente severo, apparecendo ao mesmo tempo uma providencia que tornou absolutamente impossível a repetição de taes fraudes, por isso que em Portaria de 30 de Julho se ordenou á Commissão Directora da alfandega das Sete Casas, que fizesse proceder todos os dias a uma conferencia entre os livros dos armazens e os da receita, e por aqui veria o nobre Deputado, que a unica providencia que era possível admittir-se, tinha sido adoptada.

Em quanto á operação da passagem das acções do fundo de amortisação, no Decreto de 6 de Setembro encontra o Sr. Deputado prevenida a repetição de prevaricações iguaes áquella que se verificou no Ministerio da Fazenda, e pelo processo que nesse Decreto se estabelece para essa operação ter logar, facilmente se conhece se nos outros Ministerios se deram semilhantes prevaricações, estando por este modo satisfeitos os desejos do Sr. Deputado: como pois se diz que o Governo nada remediou, nem quer remediar? (apoiados.)

Maravilhou-se ainda de que o Sr. Deputado lendo os Diarios a que se referiu, não encontrasse nelles uma prova de zelo que a Administração linha empregado para melhorar a situação da Fazenda Publica, quando, tractando-se no Parlamento de auctorisar o Governo para emittir Escriptos que representassem a decima do anno civil de I849, e propondo o Sr. Deputado o limite de 15 por cento para o premio das transacções que se fizessem por essa auctorisação, pelo Decreto de 28 de Agosto se mostra que o Governo póde fazer uma transacção mais vantajosa de que o Sr. Deputado imaginara poder fazer-se; porque realisou esses Escriptos com o desconto de 12 por cento ao anno. Mas a par deste facto, apparece um outro, que e a diminuição do ágio das Notas que era a 40 por cento, quando entrou a Administração actual, é actualmente e menor de 20 por cento, (apoiados.)

Pois nem ao menos por isso entendera o nobre Deputado que devia dirigir algumas palavras de louvor a Administração? O Governo porém tem a satisfação de declarar, que o premio de todas as operações que effeituou desde o 1.º de Julho de 1849 até ao fim de Dezembro do mesmo anno, é inferior ao lucro que ganhou o Thesouro sómente com a diminuição do agio das Notas!.. E o mesmo Sr. Deputado que tinha calculado em 456 contos o prejizo que o Thesouro soffria pelo agio das Notas, calculo que foi exaggerado, mas que equivale a uma perda de 40 contos por mez, na presença da diminuição do ágio devia reconhecer que essa perda se reduziu a 20 contos, e por consequencia fazer mais justiça ao Governo que tem empregado todos os esforços ao seu alcance para melhorar a situação financeira, melhoramento que as Administrações anteriores encetaram, mas que a actual teve a fortuna de continuar em escala mais larga, (apoiados.)

Que o Sr. Deputado constantemente clama - Que o Governo não quer dar contas; - e a este respeito espera que com o tempo S. Sa. se ha de desenganar de que não é o Parlamento quem toma contas ao Ministerio, mas sim um Tribunal especial cuja missão é essa; e o Parlamento não póde proceder com firmeza senão sobre a decisão desse Tribunal, e foi a Administração actual, recebendo para isso auctorisação do Parlamento, que organizou aquelle Tribunal convenientemente, dando aos seus Membros a independencia de julgadores.

Accrescenta que o Governo tem procurado colher todos os dados estatisticos que possam elucidar o Parlamento na grave questão financeira, e ha de apresentai-os logo que estejam completos. Por aquelles que já possue, se vô, que a situação do Paiz, mesmo debaixo deste ponto da visto, e animadora, e no anno economico de 1848 a 1849 se cobrou uma receita superior á do Orçamento em 600 contos, qualquer que fosse a applicação que teve essa receita; porque é questão á parte, e mesmo a receita que produziu a lei de 23 do Maio de 1848, tinha uma applicação especial que efectivamente se lhe deu.

Em quanto ao déficit de 700 contos que apparece no Orçamento por elle (Orador) apresentado, nota que ao Sr. Deputado não devia admirar a existencia desse déficit, no qual ainda não era comprehendida a despeza extraordinaria, quando o Parlamento reconheceu na Sessão passado, a existencia de um deficit de 1:594 contos, e que montou a 1:760 conto?, porque no Orçamento foram comprehendidas despezas que o não foram na lei de 9 de Julho.

Tambem reconhece como o Sr. Deputado, que a situação do Paiz é mais prospera do que parece na presença do estado do Thouro. A producção do Paiz tem augmentado consideravelmente, e para isto se reconhecer basta notar-se que desde a creação do Terreiro se importaram em cereaes, só para o consumo de Lisboa, valores equivalentes a 151 mil contos, e que se consumiram cereaes no valor de 145 mil coutos; isto dá um termo medio por anno de 3 mil coutos: esta importacão cessou, por conseguencia esta riqueza ficou no Paiz, e o Paiz produz hoje muito mais sem tomar-se em consideração que a população tem augmentado consideravelmente (apoiados). Ainda ha poucos dias, por causa de uma im-