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mas para não insistir sobre este assumpto direi só, que ha um facto que prova o juiso desses capitães, e é que foram elles os primeiros que se precaveram contra a marcha que o Governo seguia. Foi nesta Casa que um Cavalheiro, muito conhecido pela parte importante que tinha nessas Companhias, veiu dizer em 1845, que se acaso não tivesse havido uma revolução no Paiz, o Governo não teria realisado nem mais um real, porque os capitães se lhe não facilitariam; a Camara toda ouviu isto, e a opinião desse Cavalheiro tem alguma importancia no assumpto, porque elle tinha concorrido para a formação de muitas dessas Companhias. Mas não parou aqui, a propria Confiança desconfiava dessas Companhias feitas para auxiliar o Governo; a propria Companhia Confiança escreveu no seu Relatorio que não confiava no Governo; e como se faz questão de datas, e eu já ouvi desconfiar dessas datas, por isso as cito; apegar de que, ha verdades que não dependem de datas; o facto é porém, que foi a Companhia Confiança Nacional quem levantou o primeiro brado de desconfiança contra o Governo, e foi na data em que o Sr. Presidente do Conselho de Ministros actual fazia parte dessa Administração; foi em 1845.

Ora, Sr. Presidente, quando eu vi na Administração de S. Exa. apresentar-se uma operação de 4:000 contos pedidos ao Contracto do Tabaco, para que o Governo, libertando todas as rendas do Estado, podesse entrar em uma marcha regular; gostei, confesso que me pareceu tão obvia, e importante uma medida desta ordem, que disse comigo: - Naturalmente vamos entrar em novo raminho, porque a quantia de 4:000 contos é tão importante, que não póde deixar de produzir brilhantes resultados. - Pois, Sr. Presidente, não tinha ainda passado um anno, e já estavam antecipados perto de 2:000 contos de réis, e era por isso que a Companhia Confiança dizia que desconfiava do Governo. Por consequencia, trago isto para provar que não são os precedentes que podem ser trazidos para comparação, e se o Sr. Presidente do Conselho de Ministros vier aqui dizer hoje, que tem em sua defeza os precedentes, os actos da sua Administração passada, desde já lhe digo que não é exacta a sua conclusão; e digo mais, que a prova de que S. Exa. não reputa esses actos inteiramente gloriosos, e que entende que essa epoca não é epoca que dê lustre glorioso a essa Administração, é que S. Exa. entendeu que a Administração que existiu então, não se devia agora reunir do mesmo modo. S. Exa. disse que tinha modificado as suas opiniões, e por consequencia perdeu o direito de dizer que os seus actos precedentes lhe dão gloria para agora.

Mas esta Administração que entrou ha oito mezes para a direcção dos negocios, o que tem feito? Por que actos se tem acreditado? Que meios tem empregado para que a sua duração no Poder se tenha fortificado, e esteja mais firmo do que quando entrou? Conta S. Exa. hoje com mais sympathias? Tem mais amigos? Sente mais força? Pode dizer - a minha entrada na Administração não tem sido infructuosa: no primeiro dia pedi que esperassem pelos meus actos; hoje já tenho feito muito; hoje já posso dizer aos amigos que nos prestem o seu apoio, e aos inimigos que nos respeitem, a uns que nos applaudam, e a outros que abaixem a cabeça? Está hoje esta Administração mais forte? Examinemos.

Sr. Presidente, o Cavalheiro que está á testa da Administração não póde desconhecer, que existem antipathias contra a sua pessoa; ellas podem ser infundadas; mas S. Exa. que é habil Politico, não póde desconhecer que essas antipathias existem, e para ser Homem de Estado, o que lhe cumpria fazer primeiro que tudo era procurar que todos os actos da sua Administração tendessem a desfazer essas impressões e antipathias; mas o que aconteceu? Foi que S. Exa. entrando na Administração, logo no primeiro passo que deu, foi tropeçar n'um objecto de interesse pessoal; o Sr. Ministro defendeu desde logo a acctimulação de um ordenado, que lhe não competia; começou a Administração defendendo para si um ordenado superior ao dos seus Collegas; isto quando todos os Empregados publicos soffriam um desconto terrivel! Pois seria este mn passo proprio para S. Exa. poder desfazer as antipathias que tinha? Seria este um passo proprio para nos animar a votarmos-lhe as medidas, que dizia serem de vantagem para este paiz? Pois uma Administração que pede que esperem pelos seus actos para ser julgada, e que vê que os seus actos passados lhe não dão grandes titulos para ser respeitada, começa logo por defender um acto desta natureza?!...

Eu entendo, Sr. Presidente, que S. Exa. para ser Homem de Estado, a primeira cousa que devia fazer era não querer tractar de semilhante negocio; não começar a sua Administração por um objecto puramente pessoal; e digo mais a V. Exa., se algum Ministro devesse receber ordenado maior, era sem questão nenhuma o Sr. Ministro da Fazenda, com tanto que apparecessem resultados da sua Administração; se assim devesse ser, era o Sr. Ministro da Fazenda o unico que devia ser remunerado com differença dos outros seus Collegas. Mas parece impossivel como S. Exa. não viu logo este passo, e não quiz livrar a sua pessoa das imputações que necessariamente lhe haviam de ser dirigidas por elle; como não viu que as classes famintas, reduzidas á miseria, se haviam de queixar altamente deste proceder de S. Exa.!...

Pois, Sr. Presidente, parece-me que era do interesse de S. Exa., parece-me que era do interesse do partido que S. Exa. diz representar, parece-me que era do interesse de um homem, que está á testa dos negocios de uma nação começar por dar o exemplo aos seus subalternos, de não querer para si mais do que deve ter. Por consequencia, quando S. Exa. se queixa dos seus inimigos, é injusto; queixe-se primeiro de si. Este primeiro passo de S. Exa. fez-lhe muito mal, e poz logo em desconfiança aquelles que esperavam pelas medidas da sua Administração para o julgarem.

Mus não parou aqui: nas mais tristes circumstancias, quando se mantinha o atraso mais horroroso, lembrou-se o Sr. Ministro (malfadada lembrança!) de se reunir em Conselho, e ahi tractar o modo como se havia de pagar em dia a tres classes do Estado, e uma dellas era aquella a que S. Exa. pertencia! O Ministerio reuniu-se em Conselho, e quando todos suppunham que ia deliberar sobre os meios de occorrer aos males do seu paiz, porque a situação era dolorosa; o estado era tristissimo; o agio das Notas ainda então era consideravel; quando todos esperavam algum remedio que minorasse estes males, sabe V. Exa. a medida que occorreu para