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da não sabem quaes as necessidades que reclamam promptas providencias; e d'aqui vem as dificuldades para o Governo: e surprehende-me como os Srs. Ministros contam tanto com a sua vontade, que até brincando augmentam os embaraços, e as difficuldades da situação em que nos achamos. A Imprensa Ministerial falla em alguns Projectos que se hão de apresentar, e o Discurso da Corôa não diz nada; apenas diz vagamente que se hão de apresentar Propostas, mas não diz quaes ellas sejam. Diz tambem a Resposta (leu). É religiosa esta idéa; mas talvez que o Homem d'Estado se deva abster o maior numero de vezes possivel, de fazer contrahir o nome da Divindade na pequenez destas nossas controversias politicas; talvez que fosse mais religioso o sentimento de não querer attribuir á tulella da Divindade a situação em que nos achamos.

Mas eu pergunto no Sr. Presidente do Conselho - Se quando S. Exa. entrou para o Ministerio, a ordem publica eslava perturbada?.... Quando S. Exa. entrou, deixava de existir a tranquillidade publica? Tinha ou não atravessado o Paiz épocas difficeis, quando S. Exa. entrou para o Ministerio?... Quando S. Exa. deixou este Paiz, deixou de haver ordem e tranquillidade publica ao tempo em que esta era alterada em toda a parte?... Houve mais: na ausencia de S. Exa. deste Paiz, este Paiz atravessamos épocas perigosos, épocas de crises graves e S. Exa. entendeu que a ordem e tranquillidade não perigava com a ausencia de S. Exa. porque foi justamente nestas circumstancias melindrosas que S. Exa. se foi embora; e não obstante isso, a ordem continuou inalteravel, ao mesmo tempo que estava ameaçada todos os dias lá fóra, e em que era imminente o perigo, e apegar disso podiamos vir a esta Camara com menos força de guarda do que aquella que se acha lá em baixo.

Sr. Presidente, este Paiz atravessou épocas perigosas, S. Exa. não estava na Administração, não estava no Paiz, e não houve perigo. Mas que resposta seda a este argumento?... Eu não digo que essa resposta venha de S. Exa. mas apresentam-na os seus amigos, os seus defensores, esses defensores que o compromettem altamente neste ponto, e compromettem o systema, o partido, e o Paiz; estes defensores são os que julgam a indispensabilidade de S. Exa. Pois S. Exa. é dispensavel nas circumstancias criticas; ausenta-se; e apparece, quando a ordem está estabelecida e segura; póde dispensar-se, quando esta é ameaçada, não fazendo falta no Paiz, quando a Europa inteira passa por crises terriveis; e agora que tudo isso passou e que S. Exa. faz falta e é indispensavel? Os amigos de S. Exa., que estabelecem a sua indispensabilidade, e que sustentam que S. Exa. não póde separar-se do Ministerio, compromettem-no altamente. S. Exa. e por ventura a personalisação de um partido?... Os partidos são bandeiras, não são escudos (O Sr. Presidente do Conselho: - Apoiado.) Não se defendem homens pelos partidos, defendem-se partidos pelos homens; e desgraçados partidos os que se personalisam, e que dizem: - Achei este homem, achei o homem indispensavel, não posso procurar outro!! - A escala dos homens de merito de um partido deve ser maior, deve haver nelle muitos que possam governar melhor do que os que por ventura existam no Poder; devi: haver mais intelligencias, homens justos e de efficacia, podem e devem haver n'um partido promoções, podem haver jubilações, partidos, e até terceira secções; e por interesse mesmo de um partido elle não deve dizer - Achei um homem; agora não posso procurar outro. - Esta theoria da indispensabilidade dos homens é a mais inefficaz e absurda de todas as theorias; tenho visto homens tornarem-se impossiveis á força de serem indispensaveis! E agora não deixarei de citar um facto da historia da nação visinha; alli ha poucos dias, por occasião de se dirigir uma interpellação a um militar, que está á testa da Administração da nação visinha, declarou elle, que não se reputava, nem necessario, nem indispensavel; que haviam muitos outros individuos que, melhor que elle, podessem desempenhar as funcções que tinha a seu cargo. Entendeu que havia muitos mais homens no partido que podiam corresponder ás esperanças, espectativa, e desejos do paiz; não se reputava indispensavel. Não direi que S. Exa. não tenha essa modestia, que teve aquella notabilidade hespanhola; porém com indiscrição os seus amigos politicos collocam as cousas neste ponto de indispensabilidade do homem, declaram que não acham outro, que o não encontram. Faz-se mais, diz-se - Este homem por isso mesmo que é tão fortemente atacado, mais motivo ha para o conservar. - É argumento este que se emprega todos os dias, mas é um argumento triste, é ruinoso a todos e a tudo; não póde servir nem a amigos, nem a inimigos. Ora eu quando digo homem, digo systema politico; quando digo homem não me refiro á entidade pessoal do Sr. Conde de Thomar; quando fallo da sua pessoa, é unicamente com relação aos seus actos governativos. Não sei se S Exa. me fará justiça de acreditar que digo a verdade, quando assevero que não sou inimigo pessoal do Sr. Conde de Thomar, mas sou seu inimigo de morte como homem politico, (sensação) O Sr. Presidente do Conselho cava a sua ruina, e a deste Paiz, perde-se a si, e nem se salva, nem ao Paiz com a sua presença no Ministerio; esta é a minha convicção profunda. Qualquer que fosse a minha politica, se entendesse que o meu Paiz se perdia, estando no caso em que está S. Exa., não hesitaria um só instante em fazer a retirada dessas Cadeiras (Apontando para as dos Ministros) aonde não póde estar um instante sem comprometter todos os interesses desta Nação. Ha certas considerações a que se não póde deixar de prestar attenção; ha condições a que senão póde resistir; todos nós nos podemos illudir a respeito de certos factos, todos nós podemos julgar que um homem é necessario; mas chega a época do esclarecimento, e ella esclare-se-nos de que esse homem que julgamos necessario, n'um momento, se tornou perigoso n'outro; não ha ninguem que possa resistir ao revez; é preciso acreditar nelle; um homem qualquer póde, n'uma occasião, mas com os favores de um partido, as sympathias de uma nação, mas, não obstante isso, póde não ser elle, nessa occasião, o mais proprio para a época e para o fim a que é destinado. Sr. Presidente, Napoleão depois de Waterloo não faria terceiro desembarque; e admira que S. Exa., o Sr. Presidente do Conselho, não tenha reparado n'uma cousa, e é, que não ha segundas edições de Homens de Estado; na segunda vez quasi sempre se é infeliz. Necker na primeira vez que esteve na Administração fez um governo excellente, a segunda vez que foi á Administração, retirou se vergonhosamente. Na-