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este altentado era ainda menos desculpável. E nem ao menos nesta parte podia ser cumprida afmalfa-dada Carla? Quo inconveniente havia para isso? E era este attentado tão pequeno, que riem merecesse a pena de fazer-se menção delle no Relatório, e pedir-se por elle um bill de iridemnidade ? Onde ha de ir a Camará buscar agua para lavar tão gran-~ de macula ?

Sr. Presidente: o ultimo inirincheiramento do Ministério eram as economias; quasi que desappa-receram á vista das cifras. Allegou-se primeiro honestidade dos motivos; e essa de nenhum modo justifica a escandalosa impropriedade dos meios. Passou-se depois á Historia Parlamentar; e a Historia Parlamentar levanta-se contra o Ministério. Recorreu-se á necessidade hypothelica ; e a necessidade hypuihelica, não se encontra ern medida alguma, ou e tão insignificante, que não pôde entrar em linha de conta. Não achando pois motivo nenhum plausível para a concessão do bill de indern-nidade^ eu rejeito-o, e voto contra elle ; e também "não àpprovarei os Decretos, pelos quaes esse bill é pedido, salvo se passarem pelos tramites constitu-cionaes, conforme a_Proposta do nosso Collega, e muito insigne, muito abalisado Publicista, o Sr. Silvestre Pinheiro (Apoiados).

O Sr. Ministro do Reino: ~ Sr. Presidente: vou entrar no debate , que ha muitos dias têm occupa-do a Camará , não pelo desejo de fallar, não porque eu entenda, que posso esclarecer uma matéria magistralmente tractada pelos mais conspícuos Oradores d'um , e cToutro lado da Camará: tomo parte no debate pela obrigação, que me irnpõç a cadeira, que occupo nó Parlamento, pela obrigação, que me impõe a minha qualidade de Ministro: eu entro porem na questão bem torturado, não petos argumentos da Opposição, como disse um Sr. Deputado daquelle lado da Camará,, mas pelo mau estado da minha saúde, e pelo cançasso, que me tem resultado da altençâo, que tenho sido forçado a dar á importante, mas já bem longa questão que nos oecúpa.

Quando observei, que a Opposição-abandonou a discussão da Resposta ao Discurso da Coroa, e disto já não pôde duvidar-se, loiido em vista o que se passou nesta Camará, e especialmente as observações feitas sobre tal objecto por um dos rneus honrados Collegas , entendi, que existia daquelle lado da Camaf-a propósito , e disposição firme pára oc-cupar-sedá discussão dos objectos materiaes do Paiz. Eu convenci-me de que a Opposição, escarmentada do abandono, que havia recebido da parte da Nação, estava decidida, para ganhar boa fama e opinião, a mudar de procedimento, occupando-se do exame dos actos do Governo, e pondo de parle as provocações, as personalidades, as banalidades enfim. Enganei-me: e supposto eu seja obrigado a reconhecer , que alguns dos Oradores da Opposição iraclarauí a questão decente-."e cavallieira-menle, com tudo,- se atlendermos rnais particularmente ao Discurso do Orador, que abriu a discussão , havemos de convencer-nos de que, bem longe de se attender á seria discussão dos negócios,, se combate ainda no carnpo das invectivas i no campo das Verrinas; sim, no campo das Verrinas, no sentido do Sr. Deputado; das Verrinas, que, por •conterem matéria muitas vezes repetida, matéria VOL. l.0—JANEIRO —1843.

velha , matéria já desprezada , podem sim fazer rir os espectadores, mas que não merecem a menor • contemplação dos homens sérios (Apoiados),

Sr. Presidente , eu entendo como o nobre Deputado o Sr. J. A. de Campos, que nestas lides parlamentares consiste a vida dos Governos Representativos; mas S. Ex.a será também o primeiro a concordar comigo que o ,modo de combater de alguns dos seus amigos bem longe de dar a vida, desacredita taes Governos. Eu estou convencido da necessidade d'uma Opposição, que analysando os actos do Governo, mostre as suas illegalidades, se por ventura são illegaes, mostre o prejuízo quedei-lês possa ter resultado ao Paiz, se por ventura são prejudiciaes. Eu sei que as Opposições, se ellas têern em vista o bem publico, ao passo que combatem ó Governo, e o seu systema, devem substitui-lo, mostrar a excéllencia dos seus principio» e systema, mas eu não sei como alguém se persuade de que promove o bem do Paiz, não digo já era combater sem nada substituir, mas em se occupar com banalidades, e generalidades acompanhadas de personalidades? (Apoiado) Quando chegará a época em que nos poderemos convencer de que uru discurso por ser abundante de insultos, nem por isso produz bom effeito, ou que produz effeito con-, trario? (Apoiados).

Bem fez o Sr. Deputado d'Aveiro em declarar que não sabe o mundo em que vive, parece na realidade que S. S.a vive ha muito tempo na lua. Se o Sr. Deputado andasse por este mundo de Chris-to, por onde todos nós andamos, veria que todos estão cançados de vagas, e desconcertadas decía-mações, veria que em logar de pomposas frases se pedem realidades (Apoiados geraes), veria que por não ter o-seu Partido andado por este caminho, ale'm de ter por mais d'uma vez sido quasi excluído da Representação Nacional , acaba de repudia-lo em todos os cargos electivos (Apoiados); ainda um Partido político não levou uma lâo severa lição , oxalá que ella lhe aproveite ! ,

Em quanto um dos nobres Oradores daquelle ia-do da Camará esforçando-se por mostrar a marcha errada do Gabinete reconhece todavia que não ha no Ministério o propósito firme de chegar ao despotismo, o Sr. Deputado d'Aveiro mais arrojado avança que marchamos no caminho de Villa Franca , e que o Governo se tem declarado despótico, e no entanto, Sr. Presidente, em logar de privarmos os Srs. Deputados da livre comrnunicação do pensamento, e da liberdade das discussões, nós estamos aqui expostos aos violentos ataques da .Opposição. (Apoiados).