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12 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

mos por estarem sacrificando os interesses do paiz á satisfação dos seus caprichos, e ás illegitimas conveniencias das suas pessoas, dos seus amigos e até dos seus clientes.

Vozes: - Muito bem, muito bem.

(O orador foi comprimentado.)

O sr. Ministro dos Obras Publicas (Pedro Victor): - Peço a palavra.

O sr. Presidente: - Lembro ao illustre ministro que são horas de passar-se á ordem do dia, e portanto peço a s. exa. que seja breve nas suas considerações.

O sr. Ministro das Obras Publicas (Pedro Victor): - Desejo apenas dizer duas palavras em resposta ás considerações apresentadas pelo illustre deputado.

O sr. Presidente: - Tem v. exa. a palavra.

O sr. Ministro das Obras Publicas (Pedro Victor): - Pedi a palavra unicamente para dizer que com todo o prazer espero a interpellação do illustre deputado, para n'essa occasião discutirmos desenvolvidamente, cora toda a liberdade, o caso nefando da eleição de Beja.

A camara toda, segundo me parece, conhece mais ou menos a politica militante, todos os illustres deputados lêem jornaes, e só agora é que, segundo creio, tiveram conhecimento d´esses negros factos, d'esses negros acontecimentos que se deram durante aquella eleição!

A unica resposta que n'este momento vou dar ao illustre deputado, accedendo ao convite do sr. presidente d'esta camara, é a seguinte:

No meu ministerio, na minha administração, estabeleci como principio que o ministerio das obras publicas é um campo neutral. (Apoiados.)

Os illustres membros do partido progressista, que estão d'esse lado da camara, todos os empregados do ministerio das obras publicas, que estão aqui sentados, que digam se eu, desde que sou ministro, desde que dirijo a pasta das obras publicas, pratiquei um unico acto que fosse motivado, ou por interesse proprio, ou por interesse partidario (Apoiados.)

Sempre que ali se apresentou um membro de qualquer dos partidos, fosse elle dos mais avançados, fosse do partido progressista ou do partido regenerador, fosse quem fosse, a pedir justiça, a apresentar uma reclamação justa e acceitavel, e que merecesse a minha approvação ou adhesão, eu nunca lh'a recusei. (Apoiados.)

Desde que sou ministro das obras publicas, o ministerio a meu cargo foi um campo absolutamente neutro para todos os partidos politicos, para todos (Apoiados.)

(Interrupção.)

As eleições de Beja! Aqui estão os srs. Marianno de Carvalho e Correia de Barros; e o sr. Eduardo José Coelho não está ahi? (Riso.) O sr. Eduardo José Coelho, que de mais a mais conheço muito bem a politica de Beja, porque já ali foi juiz durante muitos annos. Pois eu constituo esses tres cavalheiros juizes n'esta causa, para n'essa ocasião decidirem se n'aquella eleição houve a mais pequena prepotencia.

Eu posso dizer ao illustre deputado que nunca tive a menor, a minima interferencia nos actos da eleição de Beja; hei de demonstral-o da maneira mais palpavel e mais evidente, e os tres juizes que eu escolho, como emeritos e sabedores de eleições, como ninguem, (Riso.) hão de vir dar me rasão e confirmar o que tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

ORDEM DO DIA

O sr. Presidente: - Vae proceder-se á eleição da commissão de legislação civil.

Convido os srs. deputados a formularem as suas listas.

Fez se a chamada.

O sr. Presidente: - Entraram na urna 54 listas. Para a eleição ser valida era preciso que tivessem entrado 57, e, portanto, tem do se repetir a eleição. Em conformidade com o regimento, que determina que se levante a sessão logo que em qualquer votação se reconheça que não houve numero, vou encerrar a sessão.

A ordem do dia para amanha é a mesma que estava marcada para hoje.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas e um quarto da tarde.

O redactor = Barbosa Colen.