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Discurso que devia ser transcripto a pag. 236, col. 2.ª, lin. 9.ª do Diario de Lisboa, na sessão de 26 de janeiro

O sr. Sá Nogueira: — Não quero alongar esta discussão extemporanea, porque a hora está muito adiantada, e porque o illustre deputado que me precedeu já disse alguma cousa sobre o ponto principal da questão trazida aqui fóra de tempo pelo sr. Ferreri. Quando vier o parecer da commissão sobre a proposta do actual sr. ministro da guerra, então será occasião opportuna de se fazerem reflexões a este respeito (apoiados).

O ponto principal foi já ferido pelo meu amigo o sr. Quaresma. Levantou-se da parte de alguem grande opposição á ultima organisação do exercito, houve algumas apprehensões bem fundadas talvez; mas houve outras que eram, por assim dizer, simuladas; porque, como disse, e muito bem, o sr. Quaresma, gritava-se contra uma cousa quando a rasão por que isso se fazia era outra (apoiados). Não era por serem offendidos interesses legitimos, mas sim por o serem alguns interesses individuaes contrarios aos da maxima parte do exercito (apoiados). Quando o parecer da commissão se discutir terei talvez occasião de dizer mais alguma cousa sobre este assumpto; e devo desde já prevenir a camara do meu modo de pensar relativamente ao exercito.

Pertenço a uma familia de militares. Dez de meus irmãos foram militares. Fui creado com militares, sendo um d'elles o meu honrado amigo, ha muito tempo fallecido, o sr. José Victorino Barreto Feio. Não partilho as idéas de muita gente — de que o exercito não é necessario; a minha opinião, desde longo tempo, é opposta a estas idéas. Entendo que o exercito é necessario (apoiados), que sem exercito não está segura a nossa independencia, e que esta será respeitada se tivermos meios para a defender; e entendo mesmo que a nossa força militar deve estar na rasão inversa da nossa população em relação ás nações mais populosas, porque é preciso que n'um momento dado se possa apresentar uma força tal que, pelo menos, imponha respeito a um exercito invasor, e nos ponha ao abrigo de um golpe de mão. Entendo tambem que o exercito póde ser um grande meio de civilisação para o paiz. Esta é a minha opinião. Não posso por consequencia ser inimigo do exercito, pelo contrario entendo que lhe devemos fazer todas as vantagens rasoaveis, compativeis com os nossos recursos, e em relação com o que se faz nos outros paizes. Pensam porventura alguns individuos que levantam a voz mais alta — que a nação é estupida, que não sabe para onde se aponta, e qual é o alvo dos seus tiros? Pensam que os membros d'esta casa são todos homens inscientes, ignorantes e ineptos absolutamente? Julgam que se não sabe, e para onde se atira? Sabe se muito bem, ha de se dizer, e ir mais longe, se for preciso. Hei de pugnar pelos interesses dos militares que effectivamente servirem no exercito; um militar que por longos annos vae servir n'uma carreira civil deixa de ser militar (apoiados); e até não sei se um militar mettido toda a sua vida n'uma secretaria deve continuar a ser considerado militar. As verdadeiras rasões da opposição á reforma não se dizem. Grita-se aqui d'El-Rei, que é contra os interesses do exercito, quando não é assim. Se for preciso havemos de ir á origem d'estas accusações.

Não quero cansar a camara; reservo me para a occasião competente.

Emquanto ao que disse o sr. Ferreri que = foi condemnado sem ser ouvido =, pergunto ao sr. Deputado — se requereu ou não para se lhe dar um despacho, e se apresentou ou não documentos a fim de fazer valer a sua pretensão? Se s. ex.ª não sabe nada do que se passou; se não tem conhecimento das informações que houve das auctoridades competentes; se ignora tudo isto para vir aqui fazer uma censura immerecida, por não terem sido attendidos os seus interesses pessoaes.

Por agora não direi mais nada, reservo-me, repito, para occasião competente.

Discurso que devia ser transcripto a pag. 236, col. 2.ª, lin. 55 do Diario de Lisboa, na sessão de 26 de janeiro

O sr. Antonio de Serpa: — Eu não sou aqui instrumento nem voluntario nem involuntario dos interesses nem dos despeitos de ninguem (muitos apoiados). Todas as vezes que tenho a honra de fallar n'esta casa timbro em faze-lo de maneira que as minhas expressões não possam ferir o caracter de ninguem (apoiados). Se eu quizesse usar da linguagem do illustre ministro tambem podia dizer, com aquelles documentos na mão, que s. ex.ª não tinha sido em todo este negocio senão o procurador involuntario dos interesses da casa Stern. Não o digo porque adopto, e já eram minhas, as nobres e excellentes doutrinas que s. ex.ª aqui proclamou na sessão passada; e oxalá que s. ex.ª as proclame e siga sempre, e que nós todos as sigamos (apoiados). Nobres e excellentes doutrinas! Mas não façamos só doutrina abstracta, façamos doutrina pratica e façamos doutrina historica (apoiados).

No dia que foi publicado o annuncio do emprestimo, appareceu n'um jornal d'esta capital um artigo, cujo estylo era diverso dos artigos habituaes daquella folha, em que se lançavam contra muitos homens honestos d'este paiz as injurias mais graves e as calumnias mais infames (muitos apoiados).

No dia seguinte resurgiu n'este paiz outro jornal, com a missão de desacreditar, difamar e calumniar todos os homens publicos d'este paiz, que podessem fallar do emprestimo, e todos os capitalistas que se poderiam queixar do procedimento do sr. ministro da fazenda (muitos apoiados). Este jornal, que difama e calumnia infamemente toda a gente, este jornal só acha probo e honesto o sr. ministro da fazenda!!... Grande gloria! Grandioso triumpho! Capitolio edificado na lama!! E pergunta o sr. ministro a rasão por que é s. ex.ª o alvo preferido pelos seus adversarios? Aqui tem uma das rasões, e outras ha de natureza similhante. E porque se diz por toda a parte que a esses sicarios da honra alheia s. ex.ª acolhe, recebe, premeia, inspira e subsidia (muitos apoiados). Diz-se que tem conferencias no seu gabinete, e em publico algumas vezes se têem visto a seu lado. É por estas e por outras rasões similhantes que a opposição aggride de preferencia o sr. ministro; é por estas e outras rasões muito analogas, da natureza de uma questão escandalosa que aqui se discutiu, como devem lembrar-se, na sessão passada, na qual, se bem me recordo, tive a honra de votar contra o sr. ministro da fazenda, ao lado de um dos seus actuaes collegas, o honrado sr. ministro das obras publicas (apoiados).

Vozes: — Muito bem.

O Orador: — Bem vindas sejam as nobres doutrinas que professa agora o illustre ministro. Bem vindas sejam essas doutrinas; sejam ellas aceitas por todos nós; sejam aceitas como uma lição por aquelles que d'ella carecerem, mas sejam aceitas tambem do nobre ministro como protesto de arrependimento.

Instrumento involuntario do despeito dos capitalistas! Não conheço a casa Knowles; não conheço nenhum dos seus membros. Não tenho com elles nenhumas relações. Conheço aquella casa como a conhece toda a camara pelos documentos que lhe foram presentes no anno passado e este anno. Conheço aquella casa por ter feito no anno passado um emprestimo de 5.000:000 libras ao governo em condições muito mais vantajosas do que as do emprestimo actual. Conheço aquella casa pelos elogios que lhe fez o sr. ministro da fazenda. Conheço a por ella se ter recusado a tomar 250:000 libras que lhe foram offerecidas, a pedido do sr. ministro, no emprestimo feito com a casa Stern. Conheço ainda aquella casa por ser ha longos annos correspondente do banco de Portugal, por ter na sua carteira ordinariamente o valor de 300:000 ou 400:000 libras do mesmo banco.

Conheço aquella casa por ter creado ha pouco um estabelecimento importantissimo no paiz, o banco portuguez e brazileiro, cujas acções, quando apenas se tinha desembolsado 2 libras por acção tinham 4 libras de premio. Conheço aquella casa por ser uma d'aquellas a quem se tem confiado a maior parte das fortunas portuguezas e brazileiras, que tem os seus capitães no estrangeiro. Conheço aquella casa por isto só e nada mais. Não tenho outro conhecimento. Se eu dirigisse aqui as minhas opiniões por motivo das minhas relações pessoaes, devia antes ser o defensor da casa