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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

cionaes, contra todos os principios de governo representativo, em nome da penitenciaria, e hoje vem engeitar sobranceiramente as glorias do seu passado?!! (Apoiados.)

São suas, pertencem-lhes essas glorias. Estão fatalmente soldados a ellas.

O partido regenerador ha do morrer abraçado a esses famosos trophéus. (Apoiados.)

Não acceitaram o conselho que lhes dei em 1878. Pois hão de hoje reconhecer e confessar a sua responsabilidade, porque mais eloquentemente do que as suas palavras fallam os factos e a historia contemporanea.

Venham os documentos; publiquem-se. Então saberemos, a camara e o paiz, se o unico élo que prendo o partido regenerador ás tristes responsabilidades da administração da penitenciaria é o sr. Ricardo Julio Ferraz!

Então o paiz saberá se é esse o unico élo, ou se essa deploravel situação, que ahi está representada nos bancos do poder, se acha vinculada, o vinculada para sempre, á vergonhosa solidariedade d'aquellas memoraveis delapidações. (Apoiados.)

Faça-se a luz? Sim, faça-se a luz. (Apoiados.) Que o paiz nos julgue a todos, acceitando a phrase que escapou n'um momento de ingenuidade oratoria dos labios do sr. Manuel d'Assumpção.

Então se fará justiça, porque eu creio que já não haverá n'este paiz força que possa evitar que estes documentos vão d'aqui para os tribunaes judiciaes, que hão de dizer quem foi ou não criminoso. (Apoiados.)

O unico élo o sr. Ricardo Ferraz?!... Talvez se illudam. Ha mais altas, mais graves, mais levantadas responsabilidades do que essa. (Apoiados.)

1'] eu não comprehendo bem o procedimento do sr. ministro dos negocios estrangeiros e dos illustres oradores da maioria, quando declinam todas as responsabilidades politicas n'uma questão em que têem andado envolvidas perante a opinião publica as mais graves responsabilidades constitucionaes.

Que é isto? Fogo o governo, foge a maioria, foge o partido regenerador?! (Apoiados.) E quem é que fica? Quem é que se quer deixar para ahi só, isolado sem ninguem que o proteja, e o defenda? (Apoiados.)

A posição que occupo n'esta camara obriga-me a reticencias e melindres que v. ex.ªs comprehenderão do certo. (Apoiados.) Paro, portanto, aqui.

Ha de haver quem se levante e peça contas ao governo apelas delapidações da penitenciaria, e creiam s. ex.ªs que não ha de ser só o sr. Ricardo Ferraz quem terá que padecer. Ou se ha de fazer justiça inteira, ou não ha de ser elle o unico responsavel. (Apoiados.)

Não tem responsabilidade o partido regenerador?!... Então o que queria dizer a sua imprensa quando soltava a todos os ventos do céu a declaração de que a questão da penitenciaria era a honra e o brazão d'esse partido?!... {Apoiados.) Renegam hoje essa ostentosa declaração?!... (Apoiados.)

Pois não se lembram que, quando no anno passado se procedia n'esta camara á eleição da commissão de obras publicas, triumphava o sr. Ricardo Ferraz e com elle triumphava, na superioridade de numero de votos que lhe deram, a questão da penitenciaria? Pois não se lembram já de que suplantaram todos os outros membros da commissão de obras publicas, dando maior votação ao sr. Ricardo Ferraz, para que elle representasse bem claramente as glorias e os triumphos do partido regenerador? (Apoiados.)

Esqueceram-se d'isto? Lembro-lh'o eu. Avivo-lhes eu a memoria.

Pois então os illustres oradores, que fallaram aqui na camara contra o sr. Barros e Cunha, contra a administração que descobriu as malversações da penitenciaria, não censuraram violentamente o emprego que aquelle cavalheiro tinha feito da policia, como se a policia fosse só inventada para fazer pavorosas, para povoar as galerias d'esta casa

(Apoiados.), e para guardar as costas aos ministros (Apoiados.); como se a policia não fosse empregada em toda a parte do mundo em descobrir os crimes, seja qual for a qualidade dos criminosos? (Apoiados.)

Pois não se lembram de tudo isto?

Pois quando subiram ao poder, por essa restauração inconstitucionalissima a que já me referi, em nome de que principios entraram no ministerio?

Pois, quando em seguida a essa restauração, se nomeou uma commissão de inquerito á penitenciaria, para que foi essa commissão senão para cohonestar, para santificar, por assim dizer, pelas declarações solemnes de um documento publico aquella gloriosa administração? (Apoiados.)

O sr. Mariano de Carvalho e eu entrámos n'aquella commissão, porque o meu illustre amigo o sr. Francisco de Albuquerque veiu a esta camara propor um dia, sem que a maioria estivesse prevenida do caso, que nós fizessemos parte d'ella, e a maioria entendeu, consoante com o espirito liberal que queria representar, que lhe seria desairosa a rejeição d'aquella proposta, e por isso a approvou.

Eis aqui como nós entrámos.

Pois então não sabem todos que o governo ainda ha poucos dias confirmou os contratos celebrados com o sr. Burnay, apesar de estar prevenido officialmente pela commissão de inquerito á penitenciaria, que esses contratos eram suppostos e falsos? (Apoiados.)

E depois de todos estes factos anteriores e posteriores á restauração do governo, não querem que nós digamos que estão para sempre ligados ás tristes responsabilidades, da penitenciaria? (Apoiados.)

Podem fallar como quizerem. Podem fazer as declarações que lhes aprouver. Mais alto do que as suas palavras fallam os factos. (Apoiados.)

Esta questão não termina hoje. Ha do voltar mais vezes. Podem os srs. deputados novos ou velhos affirmar por todos os modos que não acceitam as suas tristes responsabilidades, que a eloquencia dos factos ha de prevalecer sobre as suas declarações, e nós continuaremos a dizer, que o partido regenerador achou ali a sua cruz, e que n'ella ha de ser crucificado. (Apoiados. — Vozes: — Muito bem.)

O sr. Adolpho Pimentel: — Depois do que disso o illustre ministro dos negocios estrangeiros; depois da brilhante explicação que das suas phrases fez o sr. Manuel d'Assumpção, e depois do eloquente, e muito serio e muito alevantado discurso, que em seu nome e no do partido regenerador fez o sr. Julio de Vilhena, escusado seria que eu fatiasse.

Sr. presidente, se pedi a palavra quando o sr. Rodrigues de Freitas, talento que respeito e caracter a que faço justiça, disse que nós os rapazes novos que estamos n'esta camara tinhamos estremecido, quando o sr. Manuel d’Assumpção estava fallando, e tinhamos assim protestado tacitamente contra o que s. ex.ª avançava, se só então pedi a palavra, já tencionava fallar, quando o sr. Luciano de Castro, respondendo ao sr. Manuel d’Assumpção notou que s. ex.ª dissera «não são os deputados novos da maioria; somos nós o partido regenerador», separando as responsabilidades do partido da dos novos sectarios.

Se o partido regenerador tem alguma responsabilidade em algum acto publico e partidario, eu e os deputados novos d'esse partido tomámos toda inteira e completa essa responsabilidade. (Apoiados.)

Quando me filiei no partido regenerador não reneguei passado nenhum, não abjurei idéas que tivesse, não desertei de outras fileiras, não abandonei outros arraiaes. Os meus principios estavam em harmonia com os do partido regenerador; as idéas d'aquelle honrado e illustre partido eram as minhas; e foi por isso que n'elle me filiei. Creiam os deputados da opposiçâo que tomo inteira responsabilidade de todos os actos d'esse partido. (Apoiados.) Bem alto e bem solemnemente e digo, para que ninguem possa duvidar de que é sincera a minha declaração.