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8 DIARIO DA CAMAKA DOS SENHOBES DEPUTADOS

se ao que se passou o anno possado e, portanto, a ratificar as suas palavras, que outra cousa não tem a fazer.

O que hontem disse foi que, se alguem havia trazido a politica para a discussão de reorganisação do exercito, não tinha sido elle, ministro; o até concordou com o sr. Arroyo em que não era nada politico.

Este ponto parece-lhe perfeitamente, rectificado.

Quanto ás emendas, a declaração está escripta, commentada o repetida varias vezes. O sr. João Franco perguntou-lho só admittia emendas, e elle, orador, respondeu que podiam mandar Iodas aã emendas, que a, camara resolveria sobre ellas, que pela sua parte desejaria que fossem approvadas as que melhorassem o projecto.

Em resposta a s. exa. nada mais tem a dizer, para não proceder como s. exa., que resolveram guardar silencio sobre os projectos que se discutem, para só se referirem ao que se passou na sessão passada. Com isso ninguem lucra.

(O discurso será publicado na integra quando s. exa. o restituir.)

O sr. José de Azevedo Castello Branco: - Declara que só estivesse presente á sessão em que se votou a moção do sr. Ferreira de Almeida, relativamente ás colonias, a teria rejeitado.

É o primeiro a reconhecer que não tem auctoridade technica para discutir o projecto, porque anda alheiado completamente dos estudos militares, mas não é sob esse aspecto que o vae encarar e sim da sua inopportunidade e inconveniencia.

Antes, porem, de deixar consignada a sua opinião sobre o projecto, cumpre-lhe dizer que lho foi muito agradavel ouvir a estreia do sr. relator, que foi brilhante, o em harmonia com os seus conhecimentos especiaes do assumpto. Todos assim o esperavam, e elle, orador, consignando o facto, não faz mais do que exprimir o sentimento geral da minoria.

O projecto tem dois aspectos, o militar e o politico.

Quanto ao primeiro já disso que não tinha competencia para o discutir, pois que, apesar de ter pertencido ao exercito, e ser do antigo, que ainda era do tempo dos cirurgiões mores, ainda que tivesse essa competencia, não se serviria d'ella, porque acima dos interesses do exercito, ha outros mais elevados, os interesses economicos da nação.

Ao paiz inteiro póde ser absolutamente notorio, intuitivo mesmo que se torna necessario organisar os quadros do exercito por forma a estarem em condições de n'um momento em que esteja em perigo a defeza nacional, elles serem uteis; mas a tudo isso sobreleva um facto superior, e de não permittirem as circumstancias da nação que só mexe na organisação do exercito no sentido de se augmentarem as despezas que com elle se fazem.

O exercito, no seu entender, pertence á categoria das instituições que, pela sua maneira de ser, são uma verdadeira ficção do nosso systema.

Tem um grave receio de que, gastando-se sommas avultadas com o exercito, a sua organisação seja absolutamente improficua e incapaz de produzir um esforço util, e essa preoccupação augmenta quando, encarando o que se está pausando nas colonias do sul, se vê qual ha do ser a organisação futura dos exercitos europeus.

O argumento principal para a defeza do projecto é a necessidade do ter quadros. É bom, com effeito, ter quadros, mas o necessario que se tenha exercito, e nós não temos exercito, mas uma corporação em que se dispende 7:000 contos, e que não está nas condições de só oppor a uma invasão estrangeira.

O nosso exercito não corresponde por forma, alguma á sua funcção, porque para isso é necessario ter armamento, e elle não o tem, como não tem instrucção, nem condições do mobilisação, e n'estas condições para que se pede que seja augmentada a despeza que com elle fazemos?

Com o pretexto do o melhorar, dada a competencia theorica do sr. ministro da guerra, s. exa. apresenta hoje esto projecto e ámanhã póde apresentar outros para a acquisição de capsulas couraçadas, para a organisação de baterias de montanha, do infanteria montada e outras cousas com que se podem absorver uns 20:000 contos. Os conhecimentos de s. exa. dão mesmo para muito mais.

Dizem que a velhice é avara.

Pois este ministerio está velho, mas não está avaro; pelo contrario, está prodigo, e prodigo até á loucura.

Se o sr. ministro da guerra não tivesse saido pelas escamoteações secretas das combinações politicas da nossa vida serena de official de estado maior para a politica; se tivesse percorrido o paiz e visto a repugnancia com que a população portugueza dá os seus filhos para a vida militar, veria que se tinha alguma cousa a fazer, ora aproveitar o esforço do cidadão portuguez para fazer d'elle um cidadão armado e não um soldado. Mas, porque não lhe succedeu assim, naturalmente atraz d'este projecto virá outro o outro.

S. exa. poderá continuar a ser ministro da guerra; mas o que ficará sendo no futuro, é o padroeiro dos ferradores.

(O discurso será publicado na integra quando s. exa. o restituir.)

O sr. Cayolla (para um requerimento): - Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro a v. exa. que consulto a camara se considera a materia sufficientemente discutida. = Lourenço Cayolla.

Foi approvado.

O sr. Presidente: - Vão ler-se o artigo 1.°, para ser votado.

O sr. Dias Costa (para um requerimento): - Mando para a mesa a seguinte

Requerimentos

Requeiro a v. exa. se digne consultar a camara sobre se permitte que haja votação nominal. = F. F. Dias Costa.

Foi approvado

Feita a chamada.

Disseram approvo os srs.:

Adriano Anthero de Sousa Pinto.
Alberto Affonso da Silva Monteiro.
Alexandre Ferreira Cabral Paes do Amaral.
Alfredo Baptista Coelho.
Alfredo Carlos Le Cocq.
Alvaro de Castellões.
Antonio Eduardo Villaça.
Antonio Ferreira Cabral Paes do Amaral.
Antonio Lopes Guimarães Pedroza.
Antonio Maria Dias Pereira Chaves Mazziotti.
Antonio Osorio Sarmento de Figueiredo.
Antonio Rodrigues Nogueira.
Antonio Simões dos Reis.
Antonio Vellado da Fonseca.
Arthur Pinto de Miranda Montencgro.
Arthur do Sousa Tavares Perdigão.
Augusto Cesar da Silveira Proença.
Augusto Guilherme Botelho do Sousa.
Carlos do Almeida Pessanha.
Duarte Gustavo do Roboredo Sampaio e Mello.
Eusebio David Nunes da Silva.
Francisco Felisberto Dias Costa.
Francisco José Machado.
Francisco José de Medeiros.
Francisco Limpo do Lacerda Ravasco.