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384-N DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

propositadamente aqui se diz, propala e affirma, com o intuito de alarmar a opinião publica, que se mostra indifferente aos incitamentos e planos dos que pretendem promover agitações e arruaças para as explorarem! (Apoiados.)

Não ha na mesa nenhuma representação nem protesto, contra o ruinoso, o odiado, o infame projecto? Pois é preciso que haja!

Ha de haver manifestações, para satisfazer os desejos e propositos da opposição, para coroar os seus esforços parlamentares !

E sabem como é que ellas se fazem, como havemos de ouvir aqui os echos da ruidosa agitação? É por esta fórma, vão ver!

Eu pego n´um jornal regenerador, em accordo de idéas com os jornaes republicanos, embora seja sisudo e redigido por um dos mais talentosos e graduados membros d´esse partido, e vejo: Contra a conversão, na maior parangona, no alto da primeira pagina, no logar de honra, e leio:

«Promove-se activamente pelas provincias um movimento de protesto contra a conversão. E, segundo lemos n´um jornal da manhã, esse movimento é iniciado pelo partido republicano. Honra lhe seja.

«De lamentar será que os partidos de governo se conservem n´uma attitude, que a muitos poderá afigurar-se connivencia e a todos um erro politico irremediavel, se a Providencia divina se não amercear de nós, mallogrando o accordo que se projecta.

«Nem sobre o valor moral da proposta, nem sobre a sua importancia economica, temos duvidas: não as póde ter o paiz, se de todo em todo lhe não são indiferentes as palavras proferidas no parlamento ou escriptas na imprensa contra tão deploravel expediente govemativo.»

Promove-se activamente pelas provincias, ouviu bem a camara? O protesto vae ser solicitado, preparado, propositadamente promovido!

É como quem promove um espectaculo, uma toirada, uma festa, um divertimento com convite, incitamento, e programma a aguçar o appetite!

Arranja-se assim uma grande e espontanea manifestação de resistencia, de agitação profunda a tumultuar nas das e nas praças, onde, no dizer do sr. Luciano Monteiro, se deve preferir morrer espingardeado a acceitar a conversão! (Apoiados.)

Promove-te activamente o protesto, aconselham-se e animam-se os republicanos á folia, e depois aqui o teremos pela mão da illustre opposição monarchica, que o tratará carinhosamente.

O sr. Teixeira de Sousa (com vehemencia): - Isso não é exacto. (Apoiados da esquerda.)

O Orador: - Está aqui escripto. Póde v. exa. ler o jornal. Eu não leio senão o que aqui está...

O sr. Teixeira de Sousa: - v. exa. affirma que se promove a agitação.

O Orador: - Peço perdão. Um jornal do partido regenerador é que diz isto e o affirma, não sou eu. Por mim apenas o leio á camara, e ella e o paiz de certo tiraram os conclusões que entenderem. (Apoiados.)

Queira v. exa. ouvir, sr. Teixeira de Sousa, e não se irritar tanto, porque não tem do que. As cousas são o que são, dou a quem doer!

Se nas minhas palavras ou commentarios aos factos houver alguma cousa que possa melindrar v. exa., o que não é intenção minha, eu dou-lhe completas explicações d´ellas, dentro dos limites da cortezia e do respeito que todos nós nos devemos, sem isso coarctar em nada o meu direito e liberdade de apreciação, porque eu sou dos que aqui, e em toda a parte, sustentam dignamente as suas palavras e opiniões. Não provoco conflictos, mas tambem não fujo às minhas responsabilidades. Não tendo nunca intenção de offender ninguem, quando não tenha motivo, desagrada-me, confesso-o, a attitude tão exaltada do illustre deputado!

S. exa. não tem rasão no que disse. Eu não alterei o que está escripto, li bem; e torno a ler. Que soffra censuras quem as merecer.

Diz o referido jornal: «Promove-se activamente pelas provincias um movimento de protesto contra a conversão».

Abre o artigo de fundo por estas palavras, que me parecem muito significativas, para se concluir a espontaneidade e importancia do movimento de resistencia e protesto que virá convulsionar o paiz e aterrar o governo. Nada mais. E eu, do illustre redactor do jornal, um dos homens mais importantes do partido regenerador, e de quem sou amigo, nada disse nem tinha que dizer.
Referi-me elogiosamente á sua conhecida individualidade, mas não discuti nem tinha que discutir, nem custumo discutir pessoas; avalio e discuto os factos! Repeti o que está escripto, e dei-lhe importancia por vir no jornal aonde vem.

Vozes da esquerda: - Mas quem promove?

O Orador: - Ah! meus senhores. Vamos a ver quem promove. Promovem os que fazem opposição ao projecto. Creio que não podem ser os que o defendem! (Apoiados.} Promovem os que querem explorar a opinião publica!

O sr. Luciano Monteiro: - Se se promoveu essa agitação, essa promoção era justa, e patriotica.

O sr. Presidente: - Peço aos srs. deputados que não interrompam o orador.

O Orador: - O que entenderá s. exa. por promoção justa e patriotica? A que melhor convenha aos planos politicos do seu partido? A de incitar e chamar o paiz para a desordem? A de fazer o jogo dos inimigos das instituições?!

Pois s. exa. são tão amigos do povo, bons amigos e conselheiros, que o querem trazer para a rua, para a desordem, para depois o verem espingardeado (Apoiados) na indispensavel repressão dos tumultos, da revolta, com quem ninguem póde ganhar? Que amigos do povo!

Uma voz: - Venha tudo isso e a colera popular e a guilhotina para executar algumas cabeças.

O Orador: - Sim, virá! poderá vir!

Mas tambem lhes digo, que se ella chegar a vir e a funccionar, não é d´este lado da camara que ha de recrutar maior numero de cabeças, (Apoiados) estejam bem certos!

Vozes: - Porquê? Explique!

O Orador: - Eu vou dizer porque. Não deixo de dar a rasão do meu dito, não se afflijam nem irritem tanto!

Eu disse isto, e repito: que teriam de recrutar d´ahi maior numero de cabeças, porque o povo sabe; muito bem, que tendo estado o partido regenerador muitos mais annos no poder, do que o progressista, tem maiores responsabilidades e muito mais culpa do estado a que chegámos. (Apoiados.) Não quero dizer que haja crimes; ou criminosos, d´esse ou d´este lado da camara, porque n´um ou noutro partido, não considero ninguem criminoso emquanto isso não se provar. O que digo, e é verdade, é que tendo sido o poder um farto morgadio do partido regenerador, durante tantos annos, elle tem pelos seus erros de administração e pelos seus grandes e tradicionaes esbanjamentos, a maior somma de responsabilidades, a quasi totalidade, da precaria situação em que nos encontrâmos e de que agora tanto accusa os seus adversarios! (Apoiados.) Nós, o partido progressista, temos tido muito raras e pequenas interinidades de governo, que tem sido effectivo e quasi permanente para os regeneradores nos ultimos vinte e cinco annos, e por isso a nossa culpa e responsabilidade, é bem menor, (Apoiados) nem se póde comparar!

Portanto, se chegar o tal sombrio momento da colera e justiça popular, das forcas ou dos fuzilamentos, em que v. exa. parece que esquecidos, tão levianamente fallam, não é d´aqui. não é no nosso partido, que ha de haver mais victimas! (Apoiados.) Creiam!

Mas, ai de nós, ai de s. exa. e de todos, se essas suas