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12 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

fez um discurso que ha de ficar registado nos annaes parlamentares. (Muitos apoiados).

A Camara aifirmou plenamente por essa moção a sua confiança no Governo: Por isso nem um instante hesito em afirma, que a maioria d’esta Camara não deixará de confiar plenamente na maneira de se resolver a crise vinicola, sem aggravo para o norte, centro e sul do país. (Muitos apoiados).

Nós aqui somos Deputados da Nação e o Governo não representa unicamente o Douro, o centro ou o sul de Portugal; representa o país. (Muitos apoiados). Nos sabemos que o Governo ha de resolver a questão vinicola pela maneira mais justa e completa. (Muitos apoiados).

Sr. Presidente: ainda ha poucos dias apresentei á Camara um telegramma da região de Mesão Frio, em que se pediam providencias para a crise vinicola d’aquella região. Eu li esse telegramma e disse que confiava em que o Governo havia de resolver a questão.

Sei que não só no Douro ha fome, mas tambem no centro e no sul do país; e portanto a Camara, confiando na intelligencia e no patriotismo do Governo, espera era que elle ha de resolver esta questão como melhor for para os interesses d’essas regiões. (Muitos apoiados).

Passo a ler a minha moção nos seguintes termos:

Moção

A camara confia plenamente na intelligtsncia e patriotismo do Governo para a resolução da questão vinicola e passa á ordem do dia. = Antonio Cabral.

Lida na mesa, é admittida, ficando juntamente em discussão.

(O orador não reviu).

O Sr. Tavares Festas:- Sr. Presidente: V. Exa. sabe que sou velho nesta casa, e que ha largos annos que não deixei nunca de pedir a palavra sempre que se trate da questão vinicola.

Quando o Sr. Claro da Ricca acabou de ler a sua moção, immediatamente eu redigia a minha, que é nos seguintes termos:

Moção

«A Camara, considerandoque a crise vinicola é nacional, espera que o Governo, em que plena e absolutamente confia, apresente medidas geraes já de sua resolução, medidas que por igual attendam a região do Douro como a do centro e do sul do reino. = Tavares Feitas»,

Eu sei que são graves as consequencias da crise vinicola, tanto no norte, como no centro e no sul do país (Muitos apoiados), e eu sou representante precisamente da região do centro, que ha cerca de vinte annos represento nesta casa, e por isso cabe-me a responsabilidade de me levantar aqui todas as vezes que se atacam os seus direitos e os seus capitães interesses. (Apoiados).

Mas, Sr. Presidente,- se represento aqui a região do Dão, sou sobretudo Deputado da nação, e como tal não me pertence falar exclusivamente nos interesses da minha região, mas nos de todo o país. (Apoiados).

Pedi a palavra para me oppor ás considerações feitas pelo illustre Deputado o Sr. Claro da Ricca. Trata-se de uma crise fundamentalmente nacional e portanto não podia votar aquella moção. (Apoiados).

Os homens que se sentam naquellas cadeiras não estão ali por vaidade, e por isso estou certo de que hão de fazer todos os sacrificios em prol do país. Merecem inteira confiança, tanto o Sr. Ministro das Obras Publicas como todo o Governo, e por isso confio em que elle, em occasião opportuna, ha de trazer á Camara um projecto para attender, com urgencia, á crise vinicola de todo o país. (Muitos apoiados).

São graves as circunstancias do Douro é certo; mas não são mais graves do ,que as do centro e as do sul do país. (Apoiados).

Sr. Presidente: eu poderia e deveria fazer mais largas considerações, e sabe V. Exa. que quando se discutir o assunto eu estarei aqui com a lealdade com que sempre as faço, quando se trate dos interesses do país e da região que aqui me manda. Termino, Sr. Presidente, dizendo apenas que para a mesa mando a minha moção de confiança, que merecerá a votação da Camara e que traduz a impressão de todos: as mais absoluta confiança no Governo; a certeza de que elle ha de trazer medidas absolutamente convenientes e indispensaveis, e que sobretudo ha de ser o penhor da opportunidade de as trazer á Camara. (Apoiados).

O Sr. Luis da Gama: — Assim é que são as moções de confiança.

Lida na mesa a moção, foi admittida.

(O orador não reviu).

O Sr. Pereira dos Santos: — Primeiro de permitta-me V. Exa. que explique o motivo que me levou a tomar a palavra;

Dei o meu voto para que tomasse a palavra sobre assunto urgente o Sr. Pereira de Lima, e mais tarde votei pela generalização do debate. Eu havia dito outro dia que simplesmente em circunstancias muito especiaes daria o meu voto a urgencia quando ella fosse solicitada nesta Camara, porque entendo sempre que as horas marcadas da sessão na ordem do dia não devem ser preenchidas com outros assuntos.

Eu não podia por forma alguma alterar o regular seguimento dos trabalhos com quaesquer assuntos que pudessem prejudicar o regular funccionamento da sessão; mas fiz uma excepção nessa occasião.

Para mim, como seguramente para toda a gente, a questão vinicola é a questão economica mais importante e grave que actualmente se suscita no país. Affirmo-o mais na moção de plenissima confiança com que o partido regenerador apoia o Governo, não só de uma maneira geral em todas as questões, como particularmente nesta, que é indiscutivelmente uma d’aquellas que mais suscita a sua attenção! Se nos não tivessemos plena confiança no Governo, relativamente a esta questão, não a poderiamos affirmar de uma maneira geral e completa. (Muitos apoiados).

A questão vinicola do país é uma questão grave, complicadissima. (Apoiados). Sem duvida que é afflictivo, o estado da região do Douro e que aos poderes publicos compete por todas as maneiras ver se allivia aquella fertil e rica região, da situação angustiosa em que se encontra, não só porque essa região é uma das mais distinctas e nobres pelo trabalho, que mais tem contribuido para a riqueza do país, como ainda porque a riqueza vinicola do Douro constituo em si uma das maiores fontes da nossa economia nacional (Apoiados); mas a questão é de si gravissima e não podo resolver se facilmente sem a opinião de todos, porque, conjugada com a questão vinicola do Douro, que já em si prende com interesses de commerciantes e agricultores, está a questão agricola das restantes regiões do país. A legislação actual tem feito com que a economia vinicola do Douro se conjugue com a economia da região do centro e do sul. Não se pode beneficiar a região do Douro, sem cumulativamente se darem compensações justas ás differentes regiões do país. Portanto, a solução do problema vinicola não pode ser vista por uma forma geral e unica. O que é indispensavel é que, quando se trate da questão do Douro, ao mesmo tempo se trate tambem das questões vinicolas do centro e do sul (Apoiados); quer dizer, se para a solução do problema tem de haver uma conjugação de interesses que naturalmente hoje se apresentam antagonicos, é necessario ouvir todos