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SESSÃO N.° 24 DE 6 DE JUNHO DE 1908 13

para se tomar uma solução que seja, pelo menos, acceita, se não satisfazendo completamente o desejo de todos, representando pelo menos uma transigencia.

Eu estou certo que o Governo, desejoso de acertar, de produzir alguma cousa de util para o país, o seu natural desejo ha de ser ouvir as opiniões de todos com serenidade, para assim, de todas essas opiniões, fazer um trabalho que seja pratio e util para o país. Esta é uma missão bastante difficil, mas se a conseguir, ha de ser para si bastante honrosa. (Apoiados).

Sinto-me satisfeito por ver nas bancadas do poder o actual Governo, que merece a confiança das maiorias parlamentares d’esta Camara. (Muitos apoiados).

Não vejo, para a resolução das graves resoluções que ha a tomar, melhor do que este Governo, que tem, como ninguem pode contestar, produzido a acalmação politica do país.

Eu sei perfeitamente que o Governo, interessando-se tanto pela questão vinicola, não pode deixar de a trazer em primeiro logar á consideração da Camara.

Visto isto, e corroborando a antiga manifestação de plena confiança, que o partido regenerador já deu, pela palavra autorizada e eloquente do Sr. Sabino Coelho, eu apresento e mando para a mesa a seguinte

Moção

A Camara, certa de que o Governo se tem empenhado e está esforçando pela resolução da questão duriense, e continuando a affirmar a sua plena confiança no Governo, passa á ordem do dia. = Pereira dos Sanos.

Lida na mesa é admittida.

(O orador não reviu).

O Sr. Presidente: — Vae ler-se a moção mandada para a mesa pelo Sr. Pereira dos Santos.

Vozes: — Alto, alto.

Leu-se na mesa.

Foi admittida á discussão.

O Sr. João Pinto dos Santos: — Pedi a palavra não para tratar da questão do Douro, mas unicamente para affirmar as razões por que este lado da Camara votou a urgencia referida pelo Sr. Pereira de Lima.

As opposições votam todos os requerimentos em que se peça para falar, porque seria um contrasenso as opposições votarem para que se estivesse calado. Aos leaders é que compete regular os debates, porque as opposições podem fazer pedidos que não sejam justificados. Isto é o que se faz em todos os Parlamentos do mundo.

Não se generaliza um projecto, generalizam-se as considerações sobre esse projecto.

Se o Sr. Pereira de Lima se limitasse a mandar para a mesa o seu projecto de lei, e não fizesse sobre elle considerações, evidentemente não tinha havido discussão. Mas muito bem fez o Sr. João Castello Branco quando apresentou o seu requerimento, pois que, sendo representante de um circulo que é affectado pela crise vinicola, entendia ser occasião de fazer certas considerações sobre essa crise. Depois falaram alguns oradores, entre os quaes um, que classificou de trapalhada o que se estava passando.

Sr. Presidente, aproveito a occasiao para dizer que V. Exa. procedeu como devia. A trapalhada não a fez V. Exa., a trapalhada é o resultado da vida politica da maioria, que tem levado todo o tempo a digladiar-se; as trapalhadas vêem dos elementos heterogeneos que existem na Camara, alguns dos quaes estão bem irrequietos para subir ao poder.

A maioria deve apoiar o Governo.

Nos, dissidentes, não temos no Governo quem nos represente, de modo que não podemos confiar nelle.

As opposições so; á medida que vão apparecendo os trabalhos é que depositam confiança no Governo. Quem está representado no poder, como os regeneradores estão, não precisa de moções.

Sr. Presidente: folgo muitissimo dizer que a trapalhada não partiu de V. Exa., porque V. Exa. tem dirigido as discussões com superior criterio. A trapalhada, Sr. Presidente, veio da situação anomala em que nós encontramos.

Eu então, visto que tenho tambem de apresentar a minha moção, vou fazê-lo, esperando que o Governo traga opportunamente a resolução da questão vinicola.

A minha moção não é uma moção de confiança, é apenas uma moção de esperança. É a seguinte:

Moção

A Camara espera que o Governo saiba cumprir o seu dever, apresentando opportunamente as medidas convenientes para resolver a crise vinicola. = João Pinto dos Santos.

Lida na mesa ê admittida; ficando conjuntamente em discussão.

(O orador não reviu).

O Sr. Luis da Gama: — Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro a V. Exa. se digne consultar a Camara sobre se julga a materia sufficientemente discutida. = Luis da Gama.

O Sr. João de Menezes: — É o vinho... abafado.

(Riso).

O Sr. Luis da Gama: — Não tenho duvida nenhuma em abafar questões d’estas.

Lião na mesa o requerimento do Sr. Luis da Gama, é approvado.

O Sr. Presidente: — Em vista da deliberação da Camara vão ler-se, para serem votadas, as moções, pela ordem da sua apresentação.

O Sr. Conde de Castro e Solla (para um requerimento sobre o modo de votar): — Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro votação nominal sobre a moção do Sr. Deputado Antonio Cabral. = Conde de Castro e Solla.

O Sr. Presidente: — O requerimento do Sr. Deputado que acaba de ser lido fica sobre a mesa para ser opportunamente considerado.

O Sr. Affonso Costa (para um requerimento): — Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro a prioridade sobre a minha moção, que não é politica, devendo fazer-se a respectiva votação nominalmente. = Affonso Costa.

A minha moção é a unica que não é politica.

O Sr. Presidente: — Vae ler-se para ser votado o requerimento do Sr. Affonso Costa. Leu-se na mesa.

O Sr. Presidente: — O requerimento do Sr. Affonso Costa tem duas partes, a primeira relativa á prioridade, e a segunda á sua votação nominal.

Submetto, pois, á votação da Camara a primeira parte do requerimento.

É rejeitada.