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ravam; porque o preceito ou faculdade lá está marcada no Decreto de 19 de Novembro; tertiò de que as operações que fizeram tendo logar successivamente, foram tão bem dirigidas nos termos francos e leaes em que a Commissão de Inquerito as apresenta no seu Relatorio, e com que a Commissão reconheceu que as transacções feitas pelo Banco tinham sido na vantagem deste, e do Paiz.

Entendo pois, Sr. Presidente, que com quanto desejos tenha o nobre Deputado de que entremos nesta materia com os possiveis e necessarios esclarecimentos sobre o objecto, nós não podêmos obter mais, nem carecemos de mais do que aquelles que possuimos desde muito tempo existentes, não só nesse Relatorio da Commissão de Inquerito que ahi está para ser tractado conjunctamente com este, mas nos factos subsequentes á publicação delle, que são conhecidos de todos, e finalmente porque as relações que a grande questão de Fazenda póde ter com o Banco, se limita a dois pontos simplesmente, que já são bem conhecidos, isto é, á questão dos 120 contos, que, como já disse estão fora de combate, e é a questão do quantum do capital que hade ter o Banco para dirigir com mais facilidade e com mais vantagem do proprio Banco, e do Paiz, as transacções, os supprimentos, e adiantamentos de que póde carecer o Governo; mas esta questão tambem se tractará no logar competente, disse só supprimentos e adiantamentos, não fallo dos emprestimos, por serem cousa muitissimo differente.

Voto por tanto, Sr. Presidente, por que o adiamento não tenha logar, pronuncio-me precisamente contra o adiamento; entremos já franca e lealmente nesta grande questão.

O Sr. Carlos Bento: - Sr. Presidente, desgraçadamente a questão de Fazenda é quasi sempre para o illustre Cavalheiro que occupa a pasta das Finanças uma questão de amor proprio; desgraçadamente tudo quanto se diz da má situação da Fazenda, o illustre Cavalheiro que está no Ministerio da Fazenda toma-o como uma provocação, como um ataque, como uma duvida a respeito da intelligencia da sua pessoa. Ora nestas questões parece-me que era facil, parece-me que era mais conveniente para SS. Exa. os Srs. Ministros da Fazenda, longe de querer refutar todas as opiniões que se apresentam tendentes a demonstrar que a situação não é satisfactoria, o dizerem não somos responsaveis por isso, essa situação é a consequencia de huma historia desgraçada, acontecida neste Paiz; mas não é isso que succede, SS. Exas. tocados na sua susceptibilidade reagem fortemente contra tudo quanto se diz tendente a demonstrar que não estamos em bom estado. Ora, Sr. Presidente, eu peço perdão á susceptibilidade de SS. Exas., mas não sou eu, não hade ser a minha voz, não hão de ser as razões que eu apresentar que hão de fazer mal á susceptibilidade de SS. Exas., é o testemunho dos factos.

Se SS. Exas. fossem atacados tão levemente pelos factos como o são por mim, se SS. Exas. não tivessem outro testemunho contra si senão a pobre palavra do orador deste Parlamento, iam bem, deliciosamente; se SS. Exas. não tivessem senão uma triste minoria que se apresenta contra si nestas questões politicas ou de Fazenda, iam perfeitamente; mas desgraçadamente não é isso, e eu pediria a SS. Exas. que os arrancos da sua susceptibilidade os reservassem para outras circumstoncias: porque, por exemplo, se eu pertencesse a uma corporação armada, e se em nome dessa corporação armada dissesse - a mizeria foi além do que podia ir, é preciso que se attenda á fome e que se cubra a nudez - isso havia de inquietar mais de que as palavras soltas daqui. Quando ha factos desta ordem, factos que ha muitos annos não tiveram logar...

O Sr. Presidente de Conselho: - Mas é que não ha.

O Orador: - (proseguindo) quando succedem casos destes realmente parece-me que não é contra o pobre orador, que teem duvidas, que não está habilitado, que não tem esclarecimentos, que se deve dirigir a susceptibilidade de SS. Exas.

Ora, Sr. Presidente, eu agora reputo-rne muito feliz por não ter de usar da maior de todas as modestias, sou eu o unico que não está habilitado para tractar desta questão, tenho toda a franqueza nesta declaração, porque vejo pelo que disseram os illustres Cavalheiros que faltaram, e pelos apoiados com que foram recebidos, que todos estão habilitados para a tractar já, e acho-me muito feliz em poder dizer sem modestia que eu é que não o estou.

Sr. Presidente, até agora publicava-se um Relatorio das Operações do Banco dos annos antecedentes, esse Relatorio ainda não se publicou, mais uma razão para estarmos habilitados! E quer V. Exa. saber porque é que estamos habilitados? É porque SS. Exas. os illustres Cavalheiros que fallaram nesta questão muito largamente, nos discutiram as vantagens que o Publico tem tirado deste estabelecimento; e certamente as vantagens são tanto mais claras, tanto mais incontestaveis, quando falta um documento pelo qual podiamos avaliar essas vantagens. Por consequencia estamos no melhor de todos os terrenos! O Relatorio ainda não foi publicado, o do anno de 47 foi, o de 48 tambem, o de 49 ainda o não foi; mais uma razão para nós estarmos completamente, perfeitamente habilitados para tractar desta questão! S. Exa. o illustre Ministro da Fazenda, e o illustre Cavalheiro cujos conhecimentos neste assumpto eu muitissimo respeito, e muita gloria tenho de confessar-me seu discipulo, seu respeitoso discipulo, SS. Exas. trouxeram os grandes serviços prestados pelo Banco; mas pelo amor de Deos! O documento que deve mostrar a existencia desses serviços no anno anterior, falta. "Mas para que o quereis vós ver, vamos discutir, ao depois virá;" e S. Exa. o Sr. Ministro da Fazenda annunciou de passagem que daria os esclarecimentos que forem necessarios sobre esta ou aquella questão. Ora esta passagem que é muito boa para essas percepções rapidas, para os genios e intelligencias que n´um lance de olhos comprehendem todas as relações que um facto qualquer tem com diversas questões, não e boa para as intelligencias grosseiras e rudes, que não podem de passagem, a modo de võoo de passaro, achar a relação de uma questão com as outras questões de Fazenda; muitas vezes póde-se no remanso do Gabinete descobrir relações que de passagem n´uma citação de algarismos se não podem verificar, nem muitas vezes se ouve. "Mas para que se precisam mais esclarecimentos, basta este simulacro." Não basta, Sr. Presidente.

Houve tambem uma lição á minha ignorancia quando fui taxado de confundir emprestimos e supprimentos, uma lição que eu respeito pelas pessoas