348
DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
kilometros, com uma população especifica de 118 habitantes por kilometro quadrado, e no districto de Villa Real corta o concelho do Montalegre, seguindo o valle do Cavado em uma distancia de 25 kilometros, baixando a densidade da população a 24 habitantes por kilometro quadrado. Serve as Caldas do Gerez, notaveis pela abundancia do seu manancial e elevada temperatura das suas aguas, podendo com a facilidade de communicações tornar-se um estabelecimento importante. Esta região tem consideravel valor pecuário, sendo o concelho de Montalegre representado o solar da raça barrosã, devendo a sua creação tomar grande desenvolvimento pela facilidade e barateza dos transportes.
3.ª Do Porto á Povoa de Varzim e Famalicão. — Construída já na extensão de 44 kilometros entre Porto e as Fontainhas, por companhia não subvencionada, acha-se ainda em construcção na extensão de 13 kilometros das Fontainhas a Villa Nova de Famalicão aonde termina.
4.ª De Famalicão a Chaves. — Cortando os concelhos de Villa Nova de Famalicão, Guimarães, Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto no districto de Braga, e os de Ribeira de Pena, Villa Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves no de Villa Real põe em communicação directa com a linha do Minho toda a zona por elles occupada. Mede segundo estudos feitos pela companhia da Povoa de Varzim uma extensão de 186 kilometros. As regiões atravessadas são das mais interessantes do nosso paiz sob o multiplice aspecto da sua densa população, intensidade de cultura, riqueza pecuária e excellencia das suas vinhas, o que tudo leva a prognosticar um trafego importante em passageiros e mercadorias. A densidade da população é na zona do districto de Braga de 126 habitantes e no do Villa Real de 44 por kilometro quadrado. Dos 186 kilometros, metade são no districto de Braga e a outra metade no de Villa Real.
5.ª Ramal de Amarante. — Partindo do caminho de ferro do Douro o seguindo o valle do Tamega, vae este ramal, na extensão approximada de 45 kilometros, prender-se na linha, anterior em Cavez. E esta, sem duvida a communicação mais curta entre o Porto e Chaves.
Attendendo a esta circumstancia o á população e cultura das duas margens do Tamega, deve este ramal ser julgado de grande conveniencia e um complemento da, linha de Famalicão a, Chaves.
6.ª Regua a Chaves. — E directriz' forçada d'este caminho o valle do rio Corgo em toda a sua extensão. Passa, em Villa Real e deverá porventura ligar-se nas proximidades de Villa Pouca de Aguiar com a linha já descripta para Chaves. A circumstancia de dar serventia a Villa Real e a todo o valle do Corgo sobre o caminho de ferro do Douro, dispensa de mais justificação. Mede o seu traçado 49 kilometros.
7.ª Bougado a Guimarães. — Tem construidos 7 kilometros, e por isso a incluímos na tabella. Faltam 25 kilometros.
8.ª Mirandella a Vinhaes. — Esta linha vae indicada como prolongamento natural da de Foz Tua a Mirandella, não tem um caracter de urgencia, e deve substituir a estrada districtal n.º 20 de Vinhaes, por Torre de D. Chama, a Mirandella.
9.ª Pocinho a Miranda. — Deve substituir a estrada de 1.ª ordem n.º 9 na parte comprehendida entre áquelles pontos. Dará serventia ás importantissimas minas de ferro de Moncorvo. Corta o planalto comprehendido entre os rios Sabor e Douro, região importante sob o ponto de vista agricola e pecuário, e susceptivel de grande desenvolvimento logo que tenha transporte barato para os seus productos.
10.ª Valle do Vouga. — Na extensão de 60 kilometros atravessa, os concelhos do Estarreja, Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzella e S. Pedro do Sul, bastante populosos e cultivados. A densidade da população na zona
servida por este caminho é de 90 habitantes por kilometro. quadrado. Ainda sob o ponto de vista mineiro merece esta linha, particular attenção.
É n'esta região que já hoje se acham era activa exploração as minas de chumbo de Braçal, Malhada e Coval da Mó, alem de outras do cobre, Palhal e Telhadella. Levada, se o terreno o permittir, até Vizeu, seria a communicação mais directa entre esta cidade e o Porto.
Por esta fórma seria a distancia de Vizeu á linha do norte de 88 kilometros, o que, em relação ao Porto, importaria um encurtamento de 41 kilometros sobre o trajecto pelo ramal de Vizeu á linha da Beira Alta.
ll.ª Sul do Mondego. — Tem este caminho em vista servir os concelhos da margem esquerda do Mondego, Pendia, Miranda do Corvo, Louzã, Goes, Arganil e Oliveira do Hospital, cuja importancia agricola e fabril é geralmente conhecida. A população especifica d'esta zona é de S8 habitantes por kilometro quadrado.
A distancia entre Coimbra e Gallizes, termo indicado da linha, é de 70 kilometros. A escolha d'este terminus é motivada pela conveniencia de ligar com a estrada real n.º 46, conhecida pela designação das Pedras Lavradas que, atravessando todo o macisso da serra da Estrella, abre mais uma importante communicação ao commercio com a Covilhã.
Esta estrada, traçada com declives maximos de 3 por cento, não obstante a serra que transpõe, prestar-se-ha de futuro ao estabelecimento de um caminho americano a vapor, o qual poderá ligar em Gallizes com a linha do sul do Mondego.
12.ª Ramal de Peniche a Santarem. — Este caminho recommendado por considerações estrategicas offerece a vantagem de ligar as duas linhas de 1.ª ordem — Lisboa a Pombal o caminho de Leste, cortando cerca de meio comprimento a peninsula formada pelo Tejo e occeano.
Incluindo-a na 2.ª ordem entendemos comtudo que muito convirá que seja construida de via larga para melhor corresponder á sua dupla feição.
13.ª Cacilhas, Cezimbra, Pinhal Novo. — Sem acceitar-mos a opinião dos que pensam que esta linha offerece a melhor solução em relação ao movimento commercial que se opera pelas linhas do sul ao Tejo, cujo terminus se acha hoje no Barreiro, visto que as sommas que seria necessario despender na estação terminal de Cacilhas e suas dependencias excedem a muito o capital preciso para dar á estação do Barreiro as necessarias condições de facil carga e descarga, julgamos comtudo devel-a incluir na tabella n.º 2, attenta a conveniencia que póde offerecer ao movimento do passageiros e mercadorias da região a que dá serventia. Alem disso são reconhecidas as vantagens militares e estrategicas que um dia ella poderá prestar, e se os poderes publicos assim o considerarem de futuro, mais justificado logar lhe caberá no quadro das linhas de 1.ª ordem.
14.ª Sines a Beja. — Com quanto o porto de Sines não tenha por agora as condições para um consideravel movimento maritimo, é certo comtudo que mais tarde elle póde e deve ser dotado com os melhoramentos necessarios de abrigo e facilidade de serviços da navegação e do commercio.
Uma linha que de Beja se dirija para este porto cortará a bacia hydraulica do Sado e ligará o centro do Baixo Alemtejo com o oceano pela mais curta communicação que póde estabelecer-se.
15.ª Littoral do Algarve. — E esta uma zona de grande intensidade de população, e tal que em alguns concelhos excede ainda mesmo as proporções da provincia do Minho.
Esta facha de territorio largamente dotado com todas as bellezas naturaes, carece de ser ligada de um a outro extremo por uma linha de via reduzida da qual faça parte um troço da do Algarve, de cerca de 40 kilometros. É a nosso ver uma das mais justificadas entre todas as li-