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SESSÃO DE 11 DE FEVEREIRO DE 1885 415

que o governo quizesse conceder áquella junta o subsidio que ella pede, poderia depois esse edificio servir conjunctamente para a escola da junta parochial e para a escola industrial. Não ficaria sobrecarregado o orçamento do ministerio do reino com essa pequena verba que seria ao mesmo tempo dos mais uteis resultados e um justo serviço áquella junta parochial, de quem me apraz registar aqui os louvores que merece pelo cuidado e disvello que tem dispensado á instrucção publica d'aquella freguezia.

Como não está presente o sr. ministro do reino, termino por aqui as minhas considerações, esperando que s. exa., lendo-as no Diaria da camara, torne o assumpto a que ellas se referem na devida consideração.

O sr. Arthur Seguier: - Mando para a mesa uma representação da mesa da santa casa da misericordia da Guarda, pedindo que lhe seja concedido o convento de Santa Clara, d'aquella cidade, que hoje se encontra em ruinas, com todos os foros e rendimentos que lhe são inherentes, a fim de que esses rendimentos possam servir de base a um emprestimo para a reconstrucção do edificio com applicação a um hospital que satisfaça às necessidades d'aquella povoação.

Acompanha esta representação um projecto de lei no mesmo sentido e que vae assignado por todos os representantes d'aquelle circulo.

Deixo de fazer agora algumas considerações sobre a conveniencia d'esta concessão, porque me reservo, porém, para quando o projecto vier á discussão.

O sr. Scarnichia: - Mando para a mesa a seguinte

Proposta

Por parte da commissao do ultramar, proponho que seja aggregado á mesma commissao o sr. deputado Elvino do Brito, eleito pelo circulo de Quilimane. = J. E. Scarnichia, deputado por Macau.

Foi approvada.

O sr. Ferreira de Almeida: - Pedi a palavra para responder a uma observação feita hontem, pelo sr. ministro da marinha, em referencia a um acto do governo progressista, quando ministro da marinha o sr. visconde de S. Januario; mas como o sr. ministro não se acha presente, abstenho-me de fazer agora uso da palavra, pedindo a v. exa. a bondado de ma reservar para quando s. exa. chegue a esta casa, e v. exa. o julgue opportuno.

O sr. José Borges: - Mando para a mesa a renovação de iniciativa do projecto de lei n.° 94-F de 1879, e que tem por fim considerar os capellães militares parochos de 1.ª classe, quando tenham tres annos de bom e effectivo serviço.

Esta renovação de iniciativa vae tambem assignada pelo gr. Santos Viegas.

Ficou para segunda leitura.

O sr. Luiz José Dias: - Desejava fazer uma pergunta ao sr. ministro da justiça, mas como não vejo s. exa. presente, reservo-me para occasião opportuna.

O sr. Coelho de Carvalho: - Pedi a palavra para mandar para a mesa um requerimento do sr. Napoleão Baptista Joaquim da Pureza e Couto, sargento quartel-mestre do corpo de policia da guarnição do estado da India, pedindo que o artigo 16.° da lei de 10 de abril de 1874 seja extensivo á força armada da India.

Peço a v. exa. se digne dar a este requerimento o devido destino.

Vae indicado a pag. 413.º d'este Diario.

O sr. Antonio Centeno: - Mando para a mesa um requerimento pedindo, pelo ministerio da marinha e ultramar, diversos documentos relativos á suspensão do curador dos serviçaes e colonos da provincia de S. Thomé e Principe, o dr. Antonio Augusto Jorge Freire.

Eu tencionava acompanhar de algumas considerações este requerimento, e dirigir ao sr. ministro da marinha algumas perguntas sobre o assumpto, porque, devo confessal-o, sempre esperei que s. exa. depois do incidente levantado hontem pelo sr. Elvino de Brito, a quem a camara não consentiu responder logo ao sr. ministro, não deixaria de comparecer hoje n'esta casa antes da ordem do dia.

Infelizmente vejo que me enganei; e como não sei se mo será permittido utilisar da auctorisação concedida por s. exa. ao sr. Ferreira do Almeida para o chamar pelo telephone, (Riso.) quando pretenda dirigir-lhe algumas perguntas, por isso terei de esperar que o sr. ministro compareça, pedindo desde já a v. exa. que me reserve para então a palavra.

O requerimento vae publicada a pag. 413.

(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)

O sr. Seguier: - Peço a v. exa. queira consultar a camara sobre se permitte que a representação que ha pouco mandei para a mesa seja publicada no Diario do governo.

Consultada a camara, resolveu affirmativamente.

ORDEM DO DIA

Continuação da discussão do projecto de resposta ao discurso da corôa

O sr. Presidente: - Tem a palavra sobre a ordem o sr. Goes Pinto, que é quem se segue na inscripção.

O sr. Goes Pinto: - Tenho a convicção profunda de que n'este momento a continuação d'este debate é absolutamente de nenhuma vantagem pratica, porque o assumpto está esgotado, e está dito de parte a parte o que havia a dizer.

N'estas circumstancias, como a discussão, prolongando-se, só ao governo póde beneficiar, e eu não tenho interesse algum em lhe ser agradavel, politicamente, por isso desisto da palavra.

O sr. Presidente: - Seguem-se inscriptos contra o projecto e sobre a ordem o; srs. Simões Dias e Mariano de Carvalho, mas como s. exas. não estão presentes, dou a palavra ao sr. Luiz Jardim, primeiro dos inscriptos sobre a materia.

Vozes: - Não está na sala.

O sr. Presidente: - N'esse caso cabe a palavra ao sr. Elias Garcia.

O sr. Elias Garcia: - Sr. presidente, a desistencia dos meus collegas permitte que me chegue a palavra. Consintam-me dizer que assistimos a um espectaculo singular, singularissimo.

Ainda não ha muito tempo encerrava-se aqui um debate, e d'aquelle lado da camara assegurava-se que, por ter sido atropellada a lei, se abstinha de entrar na discussão que ía seguir-se, e, mais do que isto, se abstinha de votar.

Agora veiu aqui o illustre chefe do partido progressista, e pondo de parte as praticas ultimamente usadas por aquelle partido, e recordando-se dos seus bons tempos, entendeu que a occasião era asada e opportuna para discutir e apreciar os actos do governo.

Effectivamente á voz do illustre chefe do partido progressista vimos as hostes d'aquelle partido precipitarem-se impetuosas sobre a inscripção.

Vieram á tribuna campeões valorosos; alguns talvez temerarios, mas as forças principaes do partido não entraram em acção.

Os generaes, dos quaes se esperavam naturalmente feitos heroicos, e porventura o desenlace victorioso, ficaram uns no quartel general e os outros recolheram ás suas tendas; e é em vista da sua desistencia que me é permittido poder hoje usar da palavra.

Peço a attenção da camara para este facto, e não quero que nas minhas palavras se veja sequer a suspeita de que d'aquelle lado ha debilidades e fraquezas. Não. Este silencio, este recolher das ousadias é porque vão seguir outro rumo, o irromperão em qualquer outra parte; e é para ahi que peço a attenção de todos.