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muita força de patriotismo, e amor pela liberdade! (Riso geral).

Sr. Presidente , o nobre Deputado, como eu disse, não quiz entrar nos motivos, e razões, que o Governo teve em vista quando adoptou as medidas tendentes ao apuramento da Guarda Nacional, e teve razão, porque devendo encontrar estes, e outros, que não e necessário agora expor, havia combater com mais dificuldade no campo da legalidade: vamos no entanto a este campo, e ahi acharemos armas, com que se possa rebater o injusto ataque, que o nobre Deputado dirigiu ao Governo: este negocio e' talvez mais para a especialidade; de passagem porem direi que sou conforme coíh o que S. Ex.a o Sr. Ministro do 'Reino expendeu hontem sobre este ponto. Já hon-tem se mostrou ao Sr. Deputado que o Decreto de 17 de Abril não teve por fim mandar fazer um novo resenceamento da Guarda Nacional, mas sim verificar se o resenceamento^ f cito^ havia tido logar em conformidade com a lei', no 1.° caso e' fora de toda a duvida, que tinha de ser feito pelas Auctoridades, a quem o Decreto de 29 de Março, ou antes do Código Administrativo hoje o imcumbe; assim mesmo o propuz ao Governo, assim elle o entendeu; no Í2,° caso, não previsto nem no referido Decreto, nem no Código, e sendo um acto puramente Administrativo , e' claro que o Governo podia a similhante respeito adoptar a medida, que entendesse, isto e', im-cumbi-lo á auctoridade, que bem lhe parecesse; e na verdade se a auctoridade do Governo não chega a poder virificar se a lei tern sido cumprida, ert* tão muito fraca eella. O mais forte argumento do Sr; Deputado e' este—mas a lei não auctorisa o Gover-nu a decretar um similhante acto — e eu respondo — róas a lei também o não prohibe; e então sendo ura acto puramente administrativo, sendo um acto Cujo fim é somente verificar se a lei foi cumprida, está exactamente nos principies geraes.

Sr. Presidente, é na realidade para desejar que um Deputado que combate os procedimentos do Governo, tenha antes de tudo perfeito conhecimeuto doa factos, e que.evite quanto seja possível o improvisa-los pára assim fazer maior impressão nasconsciencias dos ouvintes: o nobre Deputado disse hontem — O Governo com as medidas de apuramento anniqnilou a Guarda!.... Quem ouvisse uma tal asserção ao Sr. Deputado havia realmente persuadir-se de que milhares de cidadãos haviam largado as fileiras, e que a Guarda estava em verdade anniqnillada: este e um facto, que não hasta ser referido, e necessário, que sfja comprovado, e com os Documentos lê-gitimos; estes são (nem podem ser outros) os map-pas das Praças, que têem sido excluídas das fileiras depois das medidas do Governo: pois bem, eu tenho esse mappa presente, e note-se bem que compre-hende ainda urna e'pocha anterior áquella ern que fo-íam tomadas as medidas para o apuramento; quer V. Exc.a e a Camará saber quantas praças faltam nas fileiras em virtude da medida do Decreto de 17 de Abril, comprehendendo aqui alguma que tem morrido, ou se tem ausentado? são 1567, (vozesda esquerda : — Não pode ser).

O Orador: — Pode ser, e e', porque este mappa é um resumo dos differenles mappas, que têem sido enviados pelos Comoiandantes dos Corpos á Repartição competente, e os Srs. Deputados são obrigados a accreditar como verdadeiro, o que assim tem o ca-

racter de officiai, ao menos em quanto não provarèni o contrario.

Talvez pore'm que o Sr. Deputado se queira também referir á diminuição, que soffreu a Guarda em virtude das medidas tomadas pelos acontecimento^ de 14 de Junho, mas nem esta diminuição procedeu do Decreto de 17 de Abril, nem o Governo com essa medida teve ainda em vista o anniquilar a Guarda , como a seu tempo se mostrará: todos têem conhecimento daquelles acontecimentos, todos sabem que a maioria desses Batalhões, bem longe de satisfazer aos fins da sua creação, faltava aos seus deveres, e que assim sobre elles devia recair a pena da lei.

Estou, como se vê, chegado á e'poca dos acontecimentos de 14 de Junho; o Sr. Deputado, que ainda nesta importante questão pôz de parte os motivos, que obrigaram o Governo a dissolver alguns Bata-Ihões, preparava-se para increpar fortemente o Governo, porque não havia ainda satisfeito ao Art. 28 do Decreto de 29 de Março , felizmente os seus amigos lhe observaram que o Governo havia cumprido já o que dispunha «m tal artigo; o Sr. Deputado teve por isso de ceder dessa accusação; nada disse portanto a tal respeito, e eu seguirei o nobre Deputado, porque rne consta que esta matéria ha de ser fortemente discutida na especialidade do Projecto: alguns Srs. Deputados para ali se preparam, e como até se tem publicado que similhantes acontecimentos foram resultados da estratégia da política, lá vere-remos como isso se mostra, e prova.

Uma voz ; —Eu tenho muitas vezes escripto isso...

O Orador: — Pois eu espero que o Sr. Deputado assim o venha sustentar, e provar aquillo que diz ter escripto, e publicado.

Voltando portanto ainda á parte do Discurso do Sr. Deputado pela Guarda, em qiie elle combateu o Gdverno por haver tomado a medida do Decreto de 17 de Abril digo: o nobre Deputado disse que o Governo não tinha sido sincero, nem franco nos mo-, livos, que havia expendido no relatório do referido Decreto, pois quesendoo seu fim anniquilar a Guarda Nacional, com menos lealdade, dissera queera notório que muitos cidadãos, que pela lei deviam pertencer á Guarda Nacional de Lisboa, rçella se não achavam alistados: por este modo, Sr. Presidente $ combate-se tudo, e o Sr. Deputado, que já hoje censurou o Sr. Presidente do Conselho por ousar prescru-tinar na consciência do mesmo Sr. Deputado, esqueceu-se que viria elle próprio a tornar-se censurável! corno ousa o Sr. Deputado avaliar com tanta injustiça as intenções do Governo? Pertende-seassim lançar o descrédito sobre as pessoas dós Srs. Ministros, não se lembrando de que elles podem responder ao Sr. Deputado que o facto e' verdadeiro, e que a accusação portanto é sobre maneira injusta! quem ha ahi que possa negar que tem existido fora da Guarda Nacional indivíduos, que a ella devem pertencer? (vozes: — devem e verdade) então se isto é verdade, como ousa o Sr. Deputado accusar o Governo de pouco sincero, e falto de franqueza, referindo este no relatório da Decreto urn facto verdadeiro? Sr. Presidente, a accusação de. pouco leal e por extremo forte, e devia ser comprovada pelo Sr. Deputado por um modo , que não recaisse sobre S, Ex.a a nota de in^ justo accusador.

O Sr. Deputado continuando na analise do rela-