O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

( 207 )

na sua máxima parte por caracter, índole, e costumes eminentemente moral, só posso ir descubrir a cau$a dessa itnmoraHdade, que se nota, no abandono, e despreso dos preceitos religiosos, abandono, e despreso praticados desgraçadamente por muitos de aquelles, que mais zelosos, e fieis observadores se deveram mostrar em razão do seu ministério; por muitos daqueiies, a quem a religião impõe urna rés!rida, e rigorosa obrigação de, com o seu exemplo, sua doutrina, e costumes, edificarem, e infundirem nos outros o respeito , e observância desses preceitos (apoiado).

São os peitos da religião, como já disse, que apuram , e mantêem a moral publica, e em nosso Paiz' seja licito dize-Io, já não e'desconhecido que a transgressão daquelles tem muito concorrido para a corrupção nos costumes, que hoje se observa. E comtu-do, Sr. Presidente, é na pureza dos costumes, que os legisladores, e a sã razão collocam o mais poderoso dos laços da sociedade, e éta.isbem na sua corrupção que se deve buscar as verdadeiras causas da dissolução dos Governos (apoiado). Proveja-se pois de re-inedio sobre uma tal causa, substituam-se por outros os que menos dignos se tiverem mostrado no cumprimento de seus deveres religiosos; altenda-se ás suas necessidades ternporaes; dêem-se-lhes os convenientes meios desustentação, csrja falta seaponta, corno uma das causas de seu pouco zelo, e que sem duvida tem muilo concorrido para o seu enfraquecimento; roas faça-se efíectiva, e real a sua representação, edesap-pareçam da nossa igreja os homens, que só possam deslustra-la em detsrimento da fé catiiolica, eus dete-rimento das Seis civis, eem descrédito das instituições, e lei fundamental do Estado.

Quanto agora ao estado da religião: pela maneira intimamente ligada, em que está com a moral, não pôde deixar ds ter igualmente soffrido com e!la; e a falia do Throno nos apresenta em parte o seu estado: ahi se dá a segurança, para nós sem duvida a mais satisfatória, de que não está distante a e'poca, em que hão de restaboiecer-se as relações de harmonia com o Chefe visível da Igrvja, e de que a pureza da Hi l g o Calholica tem sido conservada entre todos os Poriuguezes; mas a par de tão gratas seguranças ahi apparece também a revelação de que o fanatismo, nestes tempos de políticas oscilações, tem procurado seduzir ns incautos, que o fanatismo reviveu entre nós! O fanatismo, Sr. Presidente, este terrível flagelo das sociedades, que tantas calamidades tem acarretado ao nosso Paiz; o fanatismo entre o povo Por-tuguez, a respeito do qual, seja-me perrnittido repetir agora o que refere João de Barros, descrevendo o seu caracter, nesse livro justamente admirado como modelo de eloquência histórica » o povo Portuguez, (diz este illustre auctor) no qual seu indomável valor, seu amor pela gloria, pela novidade, e pelo perigo, se desenvolve com não menos violência do que o seu fanatismo religioso. 55

O fanatismo, Sr. Presidente, é reconhecido pela maior parte dos historiadores do nosso Paiz, como o instrumento funesto da perda, e quasi anniquiila-mento de toda a nossa primeiro, grandeza. E* ao ardor de imaginação do povo Poriuguez, segundo eiles referem, que deve o ter sido, por longo tempo, o mais fácil de enganar, seduzir, e encadear em inalaria de religião: logo que a palavra religião era pro-Bunciada, dizem ç!lês? este povo tão remarcavel pe-

la superioridade da sua inlelligancía . parecia perder toda a faculdade de pensar. Foi asâiro que este povo tão illustre por suas façanhas, que soube resistir aos Romanos; que repelliu os Mouros por espaço de trinta e cinco annos de occupação; quo viveu livre eoi presença dallespanha, setecentos anfios subrnettida ao domínio estranho, nas suas mais bellas Províncias ; que pôde em muitas famosas batalhas quebrar os ferros, que esta rival lhe preparava ; que fundou emfira dous grandes impérios nas duas índias, depois de tão numerosos, e variados triumphos veio a succumbir debaixo do fanatismo, e jesuitismo!

Hoje porém que a razão mais esclarecida parece ter já recobrado parte do seu império, não será tão fácil o engano, e a sedução no povo Porluguez por moio do fanatismo; mas convém estar sempre era guarda contra tão poderoso, e perigoso inimigo, convém applicar sobre elle os nossos mais vivos cuidados, convém concorrer quanto caiba em nossas forças para destruir seus planos, e seu nefando firn. Já não é desconhecido á maior parte da Nação, os Jor-naes o lêem já por muitas vezes publicado, e aqui foi hontem ministerialmente confirmado 5 que Jesuítas de urna nova espécie trabalham por introduzir no povo Porluguez novas divisões de crença religiosa, servindo-se da terrive! anua do fanatismo, e propagando uma falsa doutrina, idéas subversivas da ordem, e da lei fundamental do Estado. Poucos porém, ou ne-nhuns progressos tem até aqui podido fazer, sendo só talvez em alguns pontos das províncias do Norte que apparecem prosélitos deste novo scisma; pois que felizmente aparte do povo illustrada tern olhado com justa indignação, e justamente avaliado estes appa» rentes, e encobertos defensores da Rdigião, vendo aíravez do manto religioso, com que se encobrem , só talvez astutos, e ardilosos emissários de um Governo decaído , e já proscripto entra nós. (Apoiado, apoiado}.

Mas, Sr. Presidente, nem todo o povo está nas circumstancias de poder conhecer, o avaliar sua falsa doutrina, eoíirn político, queosdirige, existeainda; posto que em muito menor força , essa primeira tendência de credulidade no povo Português em matéria religiosa; e a nós cumpra, como um de nossos primeiros deveres na qualidade de legisladores, fixar a nossa attenção sobre tão importante ponto, que posto que débil, e fraco hoje em seu começo, póds ganhar incremento, e involver-nos em novas dificuldades ; a nós cumpre chamar a attenção do Governo t expressando na resposta ao Discurso da Coroa, da maneira a mais explicita os nossos ardentes desejas, não só de que sejam levadas a pleno efíeito essas negociações pendentes com a sua Santa Sé, á qual seguramente toda a Nação Portugueza tributa o mais profundo respeito; mas lambera de que o Governo providenceie enérgica, e activamente para a repressão, e anniquilamento destes novos partidários políticos, acubertados com o manto da religião; e empregar os esforços necessários, para remover a origera talvez mais directa do tnal, fazendo a escolha, para o desempenho, e exercício do culto, só daquylles que por seu caracter respeitável, zelo pela religião, sisudeza, e pureza de costumes, possam faze-la amar, e respeitar dos povos (apoiado, apoiado).