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a não tive; isso pertence a uma certa ordem de seres; e eu não me considero nella.

Agora considerando a questão em relação á época, e ao estado commercial e economico do Paiz, digo, que realmente houve já uma época em que a discussão sobre este assumpto se tornava mais necessaria do que hoje; essa época era, quando havia muita duvida a respeito da situação do Paiz; era quando se escreviam contas que faziam abalar os animos de todos os interessados para confiar na situação do Banco; é então que era muito mais necessaria a discussão deste objecto do que hoje, em que o pensamento e as opiniões a respeito do Banco estão muitissimo mais illucidadas. Em abono da verdade, e sem querer arrogar tal circumstancia á Commissão de Inquerito, ella collocou melhor esta questão do que o estava antes do seu Relatorio, e collocou-a de tal modo, que hoje o interesse da discussão é muito inferior ao que já fôra: o facto está nesta propria Caso. Quando no anno passado, e no anno antecedente de 1848 se tratavam de Projectos que tinham relação com a questão do Banco, eu vi a attenção que todos os Srs. Deputados davam a esta discussão, e o interesse que todos tinham em resolverem esta materia, porque todos viam a relação que elles tinham com o Banco. Mas hoje o que vejo? Que estamos nós vendo hoje?... (O Sr. Carlos Bento: - São as épocas.) O que se prova é que a época actual é muito mais natural para se tratar deste negocio; é que a situação do Banco é muito mais favoravel, do que o era em outro tempo; a sua situação hoje é muito mais favoravel para fixar bem a sua organisação. Por tanto muito limitadas são todas essas considerações que o nobre Deputado fez, e que eu sem o querer offender, o que jamais foi das minhas intenções, as tenho reputado de pura dialectica. Em summa resumem-se todos os seus argumentos em um unico, e vem a ser, quanto maior fôr o capital d'um Banco, para poder fornecer meios á Industria, ao Commercio, á Agricultura e ao Governo nas occasiões que elle precisa, quanto maior fôr este capital, melhor deve ser a situação desse Banco. Mas este capital reduzindo-se, ou abaixando-se ainda mais, não póde produzir os mesmos effeitos; estamos de accordo: mas é necessario considerar o que valem taes idéas. Os capitaes com que foi creado o Banco de Portugal, não foram mais de 10:000 contos, e não 23:000; a somma de todo o activo estava sugeita á deducção de 13:000 contos em que importavam os passivos, os quaes assim com a differença a favor do activo é que faziam 23:000 contos; logo vê-se claramente, que os capitaes do Banco de Portugal nunca foram de 23:000 contos. Já tivemos sobre isto uma questão não pouco acalorada na propria Commissão de Inquerito. Os 23:000 contos da somma do activo que o Banco tinha, estavam necessariamente sujeitos a deducção de 13:000 que era o seu passivo, e por tanto não era de 23:000 contos o capital; este não ficou sendo senão 10:000 contos. Mas que valeriam elles effectivamente, quando o Banco foi creado? Procure o nobre Deputado e a Camara a relação dos valores dos diversos objectos que constituem o seu activo, e verá que o que poderia valer todo esse capital na occasião em que o Banco foi creado, seria não digo 5:000, mas talvez nem 1:000 contos; isto por muitas razões, não só pelo valor da época, mas porque esse valor concorria muito para que aquelles Capitalistas, em cujos cofres existem sommas muito superiores a 1:000 contos, não quizessem largal-os de si, para os entregar ao Banco, em cujo credita se não queria confiar cousa nenhuma n'essa occasião.

Agora occorre-me dizer ao nobre Deputado que se senta no banco inferior, que a Companhia Confiança Nacional foi creada com a faculdade de ter 8:000 contos; mas não foi com a necessidade absoluta de formar um capital de 8:000 contos; mas sim de o poder formar até 8:000 contos, se as suas operações se multiplicassem de tal maneira, que por seu interesse fosse necessario realisar integralmente as subscripções. Mas o capital não se podia formar senão pelos termos marcados na Lei da sua creação: as prestações em Maio de 1846 ascendiam a 47 1/2 por cento. E como queria o nobre Deputado realisar o resto para os 8:000 contos, quando não havia formal obrigação de o fazer senão pela fórma prescripta nas condições, que faziam parte integrante da Lei? Quando se falla nestas cousas sem se attender ás diversas circumstancias com que ellas se apresentam, e em these, resulta o que? Ouvem-se destes paralogismos, que realmente é o nome que tem; não é um nome offensivo porque é consagrado na logica, e na dialectica; e nós quando usamos das frases technicas, não temos intenção de offender. Pois para que é ir buscar rodeios para se dizerem as cousas, se ellas se podem dizer pelos nomes que tem? Tudo que assim não for, é não exprimir bem nossos pensamentos. O mesmo que digo a respeito da Companhia Confiança, digo a respeito da Companhia das Obras Publicas, etc., etc. Já o mesmo exemplo não póde applicar-se á Companhia das Lezirias, por que quando ella se formou, o seu capital havia de ser expressamente preenchido n'um curto espaço; mas os 47 1/2 por cento já realisados destes 8:000 contos fazem, creio que 3:800 contos; não poderei fazer agora o calculo exacto, porque isso não é para mim, era bom para Paschal, que aos sete annos de idade já fazia calculos por ahi além; e para outros, mas eu não tenho essa habilidade.

Em these já disse, quanto maior fosse a somma dos capitaes effectivos, melhor seria para o Banco; mas assim mesmo não estou conforme com a sua dialectica, porque um estabelecimento tendo capitaes em effectivo, superiores ás necessidades communs ás Artes, á Industria, ás do proprio Governo, digo que seria em perfeito prejuizo, porque essa somma de capitaes ficariam mortos, por não terem applicação, nem entrarem na circulação. Em Inglaterra e França tem havido essas reservas de que fallo; não é systema novo; o nobre Deputado deve-se lembrar que ellas quanto ao Banco de França chegaram em diversas épocas a dividir-se: tambem não tenho agora presente a época em que a primeira reserva, e dos capitaes já accumulados, se dividiram 7 1/2 por cento a cada um dos seus Accionistas, e poucos annos depois em que se tornou a fazer outra reserva, foi o dividendo creio de 15 por cento, e daqui a alguns annos mais ha de fazer-se uma nova distribuição.

Mas, Sr. Presidente, quando um Estabelecimento tem credito, e credito sufficiente, não lhe faltam capitaes; o dinheiro não é essencialmente necessario senão áquelle que o carece para transacções correntes. Pois qual é o credito do Banco de Londres, ou qual é o capital do Banco de Londres? Seus fun-

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