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SESSÃO N.° 30 DE 8 DE MARÇO DE 1902 5

ferro, a tonelagem media é de 94 por cento, isto é, quasi igual.

Todos os países teem dedicado a sua attenção á questão dos transportes pela via fluvial, com interesse e cuidado, facilitando assim o desenvolvimento da sua riqueza. (Apoiados).

Na Belgica encontram-se 2:196 kilometros abertos á navegação, sendo 41 por cento de canaes e 25 por cento de rios e ribeiras canalizadas.

A Hollanda tem 4:063 kilometros, sendo 81 por cento de canaes e ribeiras canalizadas.

Emfim, a Europa central, na Italia, Russia, etc., e a America, mostram-nos milhares de kilometros abertos á navegação.

Se é certo que em condições de concorrencia o preço do transporto pela via fluvial e ferrea é quasi o mesmo, no nosso país, em que a rede ferro-viaria é bastante reduzida, os transportes fluviaes seriam de grande utilidade e alto valor, pois que o preço por kilometro e tonelada nestes é de 2 réis, emquanto que na via ordinaria regula por 45 réis.

Num país como o nosso, essencialmente agricola, tem-se dos rios e dos ribeiros um outro partido a tirar, talvez ainda mais importante que o da navegação.

São as irrigações. (Apoiados).

São ellas o sonho querido de todos os agricultores, porque enriquecem o solo, e portanto a nação.

Nesta Camara, Sr. Presidente, encontram-se bastantes proprietarios, e elles poderão dizer o que é, quanto vale, qualquer trato de terreno regado sem dispendio sensivel de trabalho. (Apoiados).

Quando as irrigações, porem, se podem fazer com aguas carregadas de sedimentos, que trazem em dissolução e suspensão, maior riqueza provém para a agricultura. Pois ao mesmo tempo que levam a humidade necessaria á vegetação, fornecem-lhe os elementos precisos á vida da planta, e mais ainda, consegue-se a colmatagem, tornando portanto productivos terrenos que o não eram. (Apoiados).

Varios exemplos poderia citar do alto valor das irrigações, quer na Hespanha, Inglaterra, Suissa, Italia, Egypto, etc., mas a Camara sabe, muito bem, que com ellas se pode estabelecer a rotação das culturas, ter por conseguinte optimos prados e bons gados, tirando do solo tudo que elle nos poderia dar, e não alternar, como se faz entre nós, a cultura com o poisio, isto é, a restauração das forças do terreno, simplesmente pelos agentes atmosphericos.

Tudo isto o nosso Tejo nos poderia dar. (Apoiados.) Eu bem sei que as condições economicas e financeiras do país não permittem estabelecer canaes e syetemas de irrigação em larga escala; mas começando modestamente, em pouco tempo tirariamos juros bem remuneradores dos capitaes gastos.

Ha, porem, outros trabalhos a executar, e esses não admittem demora, por serem urgentes.

O que é necessario, é que esses trabalhos assentem em methodos, fundados em observações minuciosas o demoradas das leis naturaes; não as modificar, mas sim fazê-las concorrer para um fim determinado, isto é, dirigir as aguas com um fim util e geral, como dizia a lei francesa de 1790.

Tem-se feito isto com o Tejo? Não.

É preciso subordinar qualquer obra, por mais simples que seja, a um plano geral. Foi isso que pensou o distincto engenheiro o Sr. Almeida Eça, quando apresentou ha annos um relatorio, onde indicava as obras a fazer entre Tancos e Mugem, relatorio onde estão bem patentes, os vastos conhecimentos, e a profunda illustração d'este homem de sciencia. Mas, tempo perdido, nada se fez, e Deus sabe quando se fará.

O assoreamento do Tejo augmenta do dia para dia, de uma maneira espantosa. (Apoiados).

A parte comprehendida entre a Barquinha e Porto de Mugem, cujo declive é bem suave, pois é de Om,2 por 1000 metros, concorre bastante para esse assoreamento, pois a menor velocidade das aguas obriga a deposição dos elementos que trazem em suspensão, como é sabido.

Já a distincta commissão, que organizou o re atorio acêrca da arborização geral do país, dizia que concorriam para o assoreamento d'este rio o arroteamento sem nexo das encostas e das montanhas.

Mas ha mais ainda.

Não são só os assoreamentos provenientes dos elementos que as aguas trazem, são os devidos ainda ás escavações continuas nas margens, o que representa um perigo para a agricultura, concorrendo ao mesmo tempo para a modificação do talweg do rio depois das cheias, o que representa um inconveniente grave para a navegação. (Apoiados).

É sabido que cada cheia renova os materiaes que atapetam o leito do rio, e modificam a sua forma, mais ou menos, segundo as circumstancias, apresentando differenças no traçado, das sinuosidades, posição das profundidades, situação, orientação e relevo dos patamares. Mas, se as margens forem solidamente fixas, estas modificações, estas differenças, só se dão em proporções muito restrictas.

No relatorio que tive a honra de citar á Camara, apresenta-se como urgente a consolidação das margens do Tejo.

Tem a casa Palmella e a Companhia das Lezirias, por exemplo, propriedades que confrontam com este rio, protegidas por faixas de vegetação (principalmente salgueiros) cuidadas com o maximo esmero e attenção, de forma que ha sempre uma zona de protecção efficaz, que alem de fixar a margem, impede os rasgões e valoriza os terrenos.

Nos outros pontos já não acontece o mesmo: as faixas de protecção são cortadas á vontade por quem quer, e algumas que teem escapado não são tratadas com o cuidado que deviam ser.

Ha um meio efficaz de evitar as torrentes, os rasgões, os assoreamentos emfim. Esse meio é a arborização.

São as florestas que, consolidando o terreno o augmentando a accumulação de detrictos, impedem as torrentes, os rasgões, os assoreamentos, que tão graves são para a agricultura.

São ellas ainda que diminuem notavelmente a massa de agua que se escoa pelas montanhas, exercendo um duplo fim. - por um lado, a acção moderatriz, evitando as bruscas variações de caudal nas cheias o por outro lado alimentando os cursos de agua na estiagem.

A Camara sabe muito bem as vantagens enormes que isto representa para a agricultura o para a navegação. (Apoiados).

O Sr. Presidente: - Previno V: Exa. que faltam apenas 5 minutos para entrar na ordem do dia.

O Orador: - Muito obrigado a V. Exa.; eu vou resumir as minhas considerações.

Na bacia do Tejo é preciso que comecem estes trabalhos o mais breve que for possivel, que se executem debaixo de uma administração diligente e vigilante, não permittindo que as arvores sejam devastadas, não deixando os gados roer as pequenas plantas, que, sendo tão pequenas, protegem tanto.

E agora que se pensa mais seriamente na arborização, seria conveniente, que se estudasse as especies que melhor se dêem no país, procurando ao mesmo tempo aclimatar outras, pois a madeira tem representado sempre um papel importante na economia, e continua a sua marcha triumphal; de dia para dia são maiores, mais extraordinarias e mais brilhantes as suas applicações.

Já no aquecimento para o qual tem qualidades superiores, já nas construcções, já nas cidades ou nos campos,