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SESSÃO N.° 31 DE 16 DE MAIO DE 1893 5

Depois, esta situação começou a modificar-se de tal maneira que em 1863 já a producção dos alcools n'aquelle paiz era a seguinte:

Alcool de vinho 300:000 hectolitros
» de beterrabas 335:000 »
» de melaços 200:000 »
» de substancias farinaceas 150:000 hectolitros
Total .... 985:000 hectolitros

Esta proporção a favor dos alcools industriaes á custa do extraordinario desenvolvimento da agricultura das beterrabas e dos cereaes no solo francez, tinha augmentado constantemente, affirma o relatorio, até 1870. Se pois em França ainda antes de começar a devastação das vinhas pelo phylloxera já se reconhecia que a producção do alcool de vinho, ia diminuindo, depois d'aquelle flagello, que vinho terá restado á França para distillação, a fim de preparar aquelle que consome e exporta? Muito pouco.

Ali, em 1.000:500 hectolitros de alcool, producção calculada, em 1884, não chegam a figurar 50:000 hectolitros de alcool etylico. Isto é, admittindo se por hypothese que todas as bebidas consumidas nas duas grandes cidades, Paris o Lyon, são preparadas ou adubadas com purissimo alcool de vinho, a França só produz d'aquelle alcool, para esse fim e para nenhum outro. No resto dos vinhos ali produzidos, importados, preparados, consumidos ou exportados, o alcool que se lhes junta é todo amylico, ou propriamente industrial. Em 1884, a producção total do vinho em Portugal, foi de 327.479:733 litros. Para obtermos 10.000:000 de litros de alcool de 95°, dando a producção maxima de 12 por cento de rendimento alcoolico aos nossos vinhos, seria necessario distillar a quarta parte da producção. Ora, este desfalque da quarta parte da producção não iria influir na exportação dos vinhos portuguezes, fonte importantissima da nossa riqueza, e quem sabe, talvez o unico oiro que Portugal tenha para exportar, pagando dividas de honra e uma boa parte do pão que come? Em Portugal, pois, e mais em Portugal do que em qualquer outra nação vinicola, o alcool propriamente industrial é, quando muito, uma triste necessidade. E o dever de todos é trabalhar no sentido de se modificar essa necessidade, colhendo d'ella a maior somma de beneficios, para a agricultura nacional tão atrazada e desditosa.