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lêava a Bandeira gloriosa de tantos combates (Apoiados numerosos). — A posteridade nos fará justiça... Sr. Presidente, eu lenho contado, econ--tinuo com a verdadeira historia destes acontecimentos, para que se faça pnr uma vez justiça a este grande movimento, Naquellas circumslancias ^ foram chamados a uma conferencia todas as Au-ctoridades, nesta conferencia feita no dia âl—e repetida em varias horas do dia traclou-se de ponderar o estado das cousas; um destes cavalheiros j mostrando uma certa affeição á Carta" propôz, corno lhe cumpria as difficuldades da em preza-í—mas depois de tudo sahiu um resultado, e foi, que se fizesse tudo para restituir a Carla, embora corressem os maiores riscos. Sr. Presidente, para alcançar este resultado quaes foram os motivos , quaes foram as razões? Ouvem-me muitos daquelles*. que vem assignados nesta Circular de 22 de Janeiro; ouvem-me muitos sentados dentro, e fora da Sala, e que digam elles*, quaes foram os motivos, quaes foram as razões que acceleraram aquelle movimen* to* Sr. Piesidenle, o Sr* Ministro com a maior franqueza lhes disse, consideremos que neste movi* mento o Nonie da Soberana não vem para nada $ cada um corre por sua con'a e risco, cada um sd deve lembrar que deve esperar as suas demissões no dia seguinte, se lhe não tiverem já sido dadas. Quem ha ahi , que possa negar, que foi esta a lingoagem franca e leal que o .Sr. Ministro do Reino teve com os seus amigos-^ ou esles com elle». sem que nem remotamente addusissem para sirni-Ihanle resolução—nem a vontade, nem o conhecimento, e muito menos a ordem da Soberana ?.. . (Apoiados.) Eu queria appellar para o toslimu* nho desses illustres Cavalheiros; não e' necessário, porque os que se sentam nesia Casa , o deram au-thenii o, apoiarido-me de uma maneira positiva. Mas e' preciso mais outra prova? Eu a vou dar, e encontra-se ella nessa rnfc.ma Circular, qoe o Sr. Deputado por Lisboa (o Sr. Aguiar) não quiz ler , e onde se não fosse a sua própria e infelicíssima obsecação , acharia a prova principal, e bastante, do que tenho asseverado* Sr. Presidente, eis aqui a Circular; peço á Camará, peço á Nação que a medite, a fim de sentir mais vivamente a reprovação e indignação, com que deve receber certas ca-lumniosas expiessoes, que se lançaram não só em alguns documentos, mas que saíram de bocas aliás respeitáveis: falto desse embuste, dessa falsidade, .é da mais horrorosa caluinnia, com que se asseverou haver o Sr. Ministro do Reino abusado do No-me da Rainha — Iriste recurso da intriga, que nem ao menos previu que o seu mentiroso edifício estava destruído pela leitura da Circular referida, mandada publicar no Diário do Governo do dia 31 de Janeiro ! Que diz esta Circular se não que a tendência a favor da Carta em todo o Reino, e especialmente manifestada na Cidade tuvicta fora o in* centivo que movera os Cavalheiros que a assigna-ram a tomar sobre seus hombros aquella etíipreza , e ainda o incentivo único, com que convidavam os outros Cavalleiros, em quem suppunham idênticos sentimentos ? Ora pcrgunlo eu agora, Sr. Pie-bidente , se nestas ou outras expressões que alli se encontram, pôde notur-se alguma cousa, da qual se possa tirar a conclusão injuriosa de que os que entraram neste plano, abusaram do Nome da Rainha ?

Que documento mais próprio para haver de se referir qualquer ordem — qualquer insinuação da Soberana j do que essa Circular,'em que, para assim me explicar, se lançava o alicerce do movimento, e em que além disto se lançavam Iodos os estimu-los para a coadjuvaçâo, ou cooperação?... Ecom-tudo o que apesar disto se nota é, que effectiva-mente se não invocou tal Nome — e que outros foram os verdadeiros incentivos da deliberação, e progressiva coadjuvaçâo..*. É logo evidentissima a falsidade, a blasfémia j e a caíumnia com que similhanle insidiosa insinuação se fez não somente na Proclamação de 27 de Janeiro, onde se principiava por dizer á JSaçâo que se linha invocado f a l" gamente o Nome da Rainha; mas em outros escri* ptos, e por outras bocas! ! ! (Apoiados.)

Sr. Presidente , é depois de chegar esta Procla* mação ao Porto, por expresso, que a Junta entendeu dever responder ao Governo de Lisboa , que a Rainha estava em coacção; resposta curial , resposta .tão constiturinoal que a Junta faltaria aos seus deveres e á confiança * que a Cidade Invicta nella tinha depositado > se por ventura a omittiste ; resposta que não e' indecorosa para Sua Magestade, e antes ao contrario, e' altumente constitucional: ( /apoiados) eu rne explico, e peço que se me responda : -"-tinha-se posto na boca de Sua Mages-lade , pelo meio daquella Proclamação , uma falsidade, e a Sua Magestade, impeccavei segundo o •Systema'Constitucional pôde sem offensa attribuir-se uma falsidade, uma mentira? Eu supponho que não : que era pois necessário que a Junta dissesse ? Era necessário que dissesse ao Governo: «as vos* «sus suggestôes —- as vossas falsas representações , « e terrores-panicos dirigidos contra o enlendimen-' «to e vontade da Soberana não a deixam gosar de u liberdade, põem-a em coacção . •.. .« porque â coacção*. Sr. Presidente, não existe somente, quando ha força bruta que opprinie ; dá-se também quan* do uma serie de capciosas razões, quando uma serie de estratégias e sofismas lira a vontade á pessoa a respeito da qual ella se emprega: este era realmente o estado do Chefe do Poder Executivo..*. Nem, Sr. Presidente, eu preciso de outra prova para o contestar, ale'm do teslimunho do illustre Deputado por Lisboa, o Sr. Ávila, que principiando por dizer-—que elle mais que ninguém conhecia asreaes intenções de Sua Magestade, (fatuidade ainda sem igual — injuriosa a Soberana — inconstitucional — e ultrajante a seus Collegas !....) continua dizendo , que a Sua Magestade se tinham representado os imrninentes perigos a que estava exposto o seu Real Throno ! .. . . Oh ! Sr. Presidente, ainda que o espirito do Chefe do Estado fosse o mais forte , apresentando-lhe taes receios e taes sustos pelos Mi-nislrns da Corda, na ausência daquellas pessoas que podiam representar-lhe o verdadeiro estado das cousas , ou mesmo contestar essas razoe* „ póde-se dizer, que Sua Mageslade estava em perfeita liberdade de entendimento . e vontade? Sr. Presidente, nesta conjectura a Junta cumpriu por clireiío de necessária defeza, e como por direito de represália, oppôr á caíumnia levantada ura contra-veneno, um remédio effitax; eis aqui o espirito em que ella disse , que Sua Mngesfade estava eoncta....