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«m objecto, que dizia respeito á nossa Augusta e Adorada Rainha. ,

O Sr. Silva Cabral:—Para que V. Ex.a se digne consultar n Camará, se este objecto está discutido. (O Sr. Almeida Garrei(•: -—• Para uma explicação, olhem, que acabou de falia r um Ministro.) Consultada a Camará , julgou-a discutida. Foi approvada unanimemente, O Sr. Almeida Garretl: — Sr. Presidente , e a segunda vez, que se fecha uma discussão sobre o Discurso de um Ministro da Coroa, a primeira vez foi o outro dia , nesta rnesina prodigiosa Sessão.

JEu devo pugnar pelos usos da Camará; lenho direito a fázê-Io, ninguém pôde, nem deve interromper uma exposição tão quieta, tão pacifica, corno esta, em que um Deputado pugna pelos usos da Camará. Mas ha uma cousa mais a fazer, do que fazer commenlarios, nós estamos todos aqui para exi-

gir uma cousa, para que a Camará tome nota.....

O Sr. Presidente: — O que é verdade, é, que a Camará tomou uma resolução, e parece-me, que o illustre Deputado está faltando contra ella.

O Orador: — Tenho direito de o fazer; protesto pelos louváveis usos do Parlamento, A Camará injuria-se a si, se o leva a mal.

O Sr. Presidente: — Eu devo cumprir o Regimento.

O Orador: — E' de obrigação, não é direito só ; tenho obrigação de lembrar as Leis. ou ellas sejam escriplas ou consueludinarias, quando, os que são encarregados de as executar , o não fazem : nem V. Ex.a ma pôde tirar ; não tem direito para isso, e não me pôde absolver sobre tudo da obrigação.....

O Sr. Presidente: — O Sr. Deputado começou o Discurso, protestando contra o que acaba de fazer

a Camará.....

O Orador:—Protestei contra o mau precedente e protesto , um mau precedente de que V. Ex.a se ha de arrepender cru outra occasião, e contra o qual hão de querer fallar então, porque assim sue-cede sempre aos cegos e obsecados : estabelecem precedentes, que depois se voltam contra elles. Nunca nesta Camará , nunca em Parlamento nenhum se usou fechar uma discussão , cortar a palavra aos Oradores, que a têem , depois de fallar um Ministro: já houve resoluções aqui tornadas nesta Casa a este respeito (Apoiados) • vão ás Actas, lá está, e osque não lêem a pratica desta Casa, devem pelo menos ter a moderação de ouvir e pezar, o que dizem os outros; vão verificar os documentos, que são as Actas, estas e, que são os documentos legaes da Camará , não são os Diários.

Ora, Sr. Presidente, devo duas palavras para explicação ao Sr. Ministro do Reino, a respeito de que pareceu censurar, o que eu tinha dito (O Sr. jVIiniílro dt) Reino : — Nada, não, pelo contrario.) JNão teve razão nenhuma, nós dissemos, que que-, riamos emendar no nosso Cootra-Projecto um erro de esquecimento, que suppunhamos, que entendia-mos, que continuámos a entender, que tinham com-metlido os Srs. Ministros. Mas quando não fosse para isso; ainda se podia fazer: muitas vezes nesta Camará, não só a Opposição, mus mesmo a Maioria, tem accrescentado alguma cousa áquillo, que está na falia da Coroa, e parece-me não sei se foi na Sessão passada, se na outra anterior, que, por

Proposta da mesma Commissâo, eleita pela Maioria, se accrescentou um parágrafo addicional e extraordinário, aos que vinham na falia doThrono. Falloem todas estas cousas , porque a mim, do que tudo me peza mais, não e, do que se está fazendo, porque isto não tem já remédio nenhum, ha de seguir o seu terrível fado, ha de ir ter aoabysmo, que o espera. O que eu mais sinto, e ver estabelecer precedentes, que depois hão de ser invocados, talvez por outros de menos boa fé, do que aquelles mesmos, que os eslão estabelecendo agora, que eu quero considerar de boa fé, muitíssimo de boa fé, de pasmossissima boa fé !

Mas, Sr. Presidente, o Sr. Ministro queixou-sey de que lhe quisessem dar urna lição; com toda a minhainhabilidade, que não sei ser pedagogo, nem de S. Ex.% nem de ninguém, tenho-me todavia can-çado em dar-lhe lições, e agora vejo, que aprovei* to u com ellas: elle está agora excellente Monar-chlsta : com toda a minha inhabilidade, com toda a minha incapacidade maleUme com elle, mas es-táoptimo, melhor do que eu o queria! (Ó Sr Ministro do Reino:—-Deus me livre de seguir o sen exemplo.)

O Sr. Ministro do Reino: — Eu pedia só a \T. Ex.% que notasse ao illustre Deputado, que se votou em urna questão, depois de fallar o Ministroy estando Ioda a Camará unanime nesta ide'a. E' a resposta, que dou á indicação do illustre Deputado.

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados vai entrar-se no vasto e espinhoso campo das explicações pes-soaes; eu espero, que os Srs. Deputados, em cuja prudência, e patriotismo tudo confio, e tudo tem. direito a confiar este dilacerado Paiz , terão, sem duvida, presente ás suas considerações, que as Cortes dão o tofn á Nação (Apoiados) ; que os homens illusirados considerão o procedimento das Camarás Legislativas uai diagnostico da sorte, e cauza publica, e que o vulgo, sempre menos illus-trado, carece por isso de bons exemplos ; e costuma dirigir-se cegamente pelos impulsos, recebidos dos. que são árbitros da sua sorte, ou em quem reconhecem superioridade; e além disso que a justificação de qualquer indivíduo não se consegue, senãc* trazendo a convicção aos ânimos, e não o que muitas vezes resulta dos doestos, injurias, ou motejos empregados para tal effeito, e que sempre produzem o contrario. Espero pois, que esta Camará torne frustrada a expectativa pouco honrosa, em que estão indivíduos mal intencionados, e eu de novo protesto, que para isso empenharei todos os meus esforços. (Grandes e muitos apoiados.)

O Sr. Rebello Cabral: — Ha differentes palavras para explicações, umas sobre a Resposta ao Discurso do Throno, e outras sobre um requerimento que aqui appareceu. Ora estas explicações é, que, eu entendo, devem primeiro darem-se, e eu não prescindo da palavra.

O Sr. Presidente: —W isto exactamente, o que« vou fazer, e neste caso vou dar a palavra ao Sr. Albano.

O Sr. Agostinho Albano: — As minhas explicações serão muito simples, procurarei conter-me, quanto me seja possível nos limites da decência, que é própria da minha educação.