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tido para a execução de uni projecto, que depois se realisou, ou queria comprometter-rne, e emquaí-quer deste dois casos abusou da confiança, que eu nelle tinha , e commetteu um acto de deslealdade, que mal pôde qualificar-se: ou o Sr. Costa Cabral não acreditava, ou não sabia que a dissolução da Camará teria alguma influencia, ainda remota, para a Restauração da>Carta, e então fez uma censura injusta , e só coro o fim de ultrajar-me (Apoiados). O Sr. Costa Cabral devia ser o ultimo homem, que ousasse fallar naquelle sentido da dissolução da Camará do Porto, pela parle que nella ti-verauí as suas instancias, e os seus conselhos. Disse mais o Sr. Costa Cabral que em uma Portaria á Camará, eu fallei em Systema Representativo, e na consolidação de lie, e. da ordem legal j mas, Sr. Presidente, alem de "que o Ministro nem sempre pôde responder pela redacção de similhantes documentos, aquellas expressões não são equivocas, e acham-se em um grande numero de Portarias, e outros actos expedidos a differentes Autoridades do Reino, e em differentes épocas, o nunca ninguém duvidou de que se entendem do Systesna Representativo em vigor; só podia tê-las por duvidosas, só podia interpreta-las ern outro sentido, só podia síippôr que seriam empregadas com outro fim, quem' tivesse um pensamento traiçoeiro, que mal pôde conceber-se. AccrescentoU pore'm o Sr. Costa Cabral, e o ultimo Orador quefallou sobre a Resposta ao ©iscHirso da Coroa — que no dia 2 de Janeiro houve no theatro do Porto serias demonstrações das tendências do Porto-—que se deram vivas á Carta, que se cantaram quadras allusivas a ella, e nenhuma medida se tomara — que no dia6acon-teceu o mesmo— e que participando-se ao Governo por um ojficio calculado se expedira no dia 20 uma Portaria, que foi publicada no Periódico dos Pobres, e que podia induzir alguém a crer, que o movimento a favor da Carta não seria desappro-vado pelo Governo. O Orador, a quem me referi para prova do que se passou no dia 2 no theatro no Porto, leu um arligo do Periódico dos Pobres; mas conV o mesmo Jornal posso eu mostrar-lhe, que não e' exacto o que elle disse. O Periódico dos Podres escreveu o acontecido no theatro, sem dizer que se deram vivas, ou se cantaram quadras allusivas á Carta, e só depois escreveu, provocado por um Periódico da Opposição, que se cantou uma quadra , que mal se percebeu, e que o Administrador Geral tomara conhecimento disto, e estranhara o facto como lhe cumpria , e nada mais se seguira.

Pelo que diz respeito á Portaria, relativa aos acontecimentos do dia 6, e sobre que o Administrador Geral dirigiu ao Governo um offício calculado, ac-crescento ao que disse de outra, e que lhe é ap-plicavel, que ella não podia ter tido influencia alguma para o movimento do Porto. E eu peço que se attenda, a que sendo ella datada de 20 de Janeiro, só podia ser, e foi com effeito, expedida no dia 22, dia da partida do correio, e quando chegou ao Porto, os habitantes, como nos disse o Sr. Costa Cabral, tinham-se pronunciado, estavam decididos, os chefes militares tinham , havia dias (no dia 27) sido convidados para auxiliarem o movimento a favor da Carta, o Sr. Costa Cabral achava-se já á testa dellé, e já rne tinha escripto, dizendo que 10,

ou 12 batalhões marchavam sobre Lisboa (Apoia* dos). Accresce, Sr. Presidente , que no dia 22 receberam o Administrador Geral do Porto, o General da Divisão militar, e mais authoridades , as ordens mais terminantes para impedirem qualquer tentativa revolucionaria, e nesse mesmo dia chegaram lambem alli as cartas, que eu, e os meus Collegas escrevemos no dia 19, que eram bem expressas, e que manifestavam as decididas intenções de Sua Magestade, e do Governo.

O Sr. Costa Cabral julgou ainda poder injuriar-me , repelindo o que disse de mim o Periódico dos Pobres em um dos números immediatos áquelle, em que referiu o que teve logar no Porto no dia 27 de Janeiro-

Disse o Sr. Costa Cabral que era fado meu mor» rerem-me nas mãos as Constituições; mas não viu que não era a mim, que ia ferir com esta cal umnia.

Em 9 de Setembro de 1836, quando a Carta Constitucional foi substituída, em consequência de uma revolta, pela Constituição de 1822 com as modificações, que lhe fizessem as Cortes, era eu Ministro da Justiça, e não sei porque o Sr. Costa Cabral, sendo seis os Ministros, quiz fazer pe-zar sobre mirn toda a responsabilidade daquelle infausto acontecimento. O Sr. Costa Cabral sabe bern—que o Presidente do actual Ministério, o Nobre Duque da Terceira , era o Preaidente daquelle, de que eu fiz parle — que era o Ministro da Guerra—que acabava de ser Commandante em chefe do Kxercito — e que tinha nesse toda a influencia, como um dos dous Capitães, que mais se illostraram na guerra contra o uzurpador.

Peço ao Sr. Costa Cabral que ouça da boca do illustre Marechal a historia dos acontecimentos daquelle dia, que elle não duvidará referir-lha, e estou certo de que não se recusará também a declarar que uma tal censura feita ou a mim , ou a algum dos meus Collegas e' injusta. O que se passou nos Conselhos desse tempo, justifica-nos complela-mente. Eu nem ao menos tive a confiança, que alguém tinha no fim, a que o movimento revolucionário se dirigia.