O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

SESSÃO DE 22 DE FEVEREIRO DE 1886 499

de trabalho, como é o sr. Emygdio Navarro, e deixou o pobre sr. ministro da marinha com uma pasta onde se accumullam todos quantos serviços constituem os ministerios todos?! (Apoiados.) Eu sei que o meu illustre amigo, o sr. Henrique de Macedo, é tudo quanto ha de mais activo e diligente. (Riso.) Sabe-o toda a gente. (Riso.) Se até alguma cousa o tem prejudicado é a lenda, mais que justificada, da sua actividade extraordinaria, do seu trabalho infatigavel, do seu desejo de correr á pressa a tratar de todos os assumptos. (Riso prolongado.)
Mas a fallar a verdade, quando se olha para o sr. Emygdio Navarro, para o seu passado, para o seu presente, para a sua vida jornalistica e parlamentar, para os labores infatigaveis da sua actividade prodigiosa; (Apoiados.) quando Be considera tudo isto e se vê que é elle o que vae ser alliviado de trabalho, ao passo que assim é tratado o sr. Henrique de Macedo, percebe-se, sente-se que ha uma flagrante desigualdade! (Apoiados. - Riso.) Eu reclamo com todo o direito igual favor para o sr. ministro da marinha. (Riso.) A camara vê quanto s. exa. tem que fazer! Elle é o trabalho da saúde publica no ultramar; elle é as obras publicas no ultramar; elle é a fazenda do ultramar; elle é a nomeação dos bispos, conegos e parochos do ultramar; elle é a nomeação dos juizes, delegados e escrivães para o ultramar; elle é a policia do ultramar; elle é os governadores, secretarios do governo e residentes do ultramar; elle é a construcção dos navios para o ultramar; elle é a nomeação de todos os empregados de marinha desde o contra-almirante até ao grumete; elle é tambem a agricultura do ultramar; elle é o correio e as estações telegraphicas e submarinas; elle emfim, é todo o serviço do estado! (Risos prolongados.)
Isto, realmente, é assombroso!
Admiro, francamente, a pouca caridade que tiveram com o sr. Henrique de Macedo!
Parece que o fizeram ministro, de proposito, para que elle seja a victima expiatoria da situação. (Riso.)
Isto não póde ser.
Desdobra-se a pasta do ministerio das obras publicas e não se desdobra a pasta do ministerio da marinha!?
Então não se dá um cyreneu ao sr. Henrique de Macedo?
Não é justo.
Pois não ha ahi algum irmão syamez para ir para a pasta da marinha? (Riso.)
Vamos! Busquem bem e acabemos logo de contentar a todos. Dar esperanças a um, deixando o outro de fora é cruellissimo... (Riso.)
Sr. presidente, ou sei que este momento é o da apresentação de cumprimentos ao governo. Já lhe fiz os meus. (Riso.)
Não quero nem devo alongar-me mais.
Resta-me só acrescentar uma declaração, e é que por mais accentuada, convicta e sincera que seja a minha opposição ao gabinete, ella nunca será facciosa.
Nunca será facciosa porque na minha maneira de sentir julgo agora, e sempre assim o tenho julgado, que ser-se faccioso e ser se inferior.
Vozes: - Muito bem, muito bem.
O sr. Presidente: - Deu a hora. Ámanhã ha trabalhos em commissões e a proxima sessão é na quarta feira, á hora do costume.

Eram seis horas da tarde.

Discurso proferido pelo sr. presidente na sessão de 20 do corrente, e que, por ter saído com algumas inexactidões, novamente se publica

O sr. Presidente (Pedro Augusto de Carvalho): - Dou conhecimento á camara de que, mediante a minha intervenção como presidente supplente em exercicio, se acha pacifica e honrosamente terminada uma pendencia que se havia suscitado entre dois illustres membros d'esta casa, os srs. deputados Elvino de Brito e Franco Castello Branco, por occasião do incidente occorrido na sessão de quarta feira ultima.
Tendo-me constado que o primeiro d'estes cavalheiros se considerava offendido por algumas expressões que o segundo proferira como desforço de um aggravo que suppozera haver á sua pessoa n'um ponto do discurso que o sr. Elvino de Brito estava pronunciando, e tendo adquirido a convicção de que, explicadas lealmente as intenções por ambas as partes e apurada devidamente a verdade dos factos, nenhum motivo serio podia haver para proseguir similhante pendencia, dirigi-me separadamente a cada um d'estes cavalheiros, convidando-os a exporem-me os motivos do seu aggravo e as intenções com que haviam procedido.
A esta minha intervenção adheriram de boa mente os interessados, declarando-me formalmente o sr. deputado Elvino de Brito que de modo algum tivera em vista aggravar directa ou indirectamente o sr. deputado Castello Branco, na passagem do seu discurso sobre que se levantou o incidente parlamentar, e declarando-me não menos formalmente por sua parte o sr. deputado Franco Castello Branco que as expressões por elle proferidas tinham sido unica e exclusivamente determinadas pelo intuito de se desforçar do que suppozera ser aggravo á sua pessoa no discurso do sr. Elvino de Brito.
A pendencia não tinha rasão de ser, desde que mutuamente se reconhecia e confessava o falso presupposto que lhe dera origem; e eu folgo de poder declarar á camara que os dois interessados, annuindo ao meu convite e acceitando as explicações reciprocas trocadas por meu intermedio, houveram por finda e dirimida, como se não tivera existido, a mesma pendencia.
(A camara apoiou vivamente as palavras do sr. presidente.)

Rectificação

Na sessão de 19 do corrente, a pag. 475, na designação doe secretarios da mesa apparece repetido o nome do segundo secretario, o sr. Henrique da Cunha Matos de Mendia, faltando o do primeiro secretario que é o sr. João José de Antas Souto Rodrigues.

Redactor = S. Rego.