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606 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

com eses serviços, que prestou ao paiz, atiral-os ás faces dos homens que têem administrado este paiz; não respeitando sequer, as cinzas, dos que já não são d'este mundo?! (Apoiados)

Não commento os factos nem os aprecio; deixo isso á opinião da camara e ao juizo do paiz, de todos aquelles, emfim, que presenceiam o espectaculo, que se tem desenrolado, sempre que uma ligeira referencia se faça ao sr. conde de Burnay. A mais pequena e leve referencia, vem logo s. exa. dizendo que estranha que assim se pratique, para com quem tem feito tantos serviços!

Pois as cousas são, o que são. A verdade dos factos, tem valor superior, a todas as ficções, que porventura queiram figurar-se; e a verdade dos factos é que o sr. Burnay é incontestavelmente uma das primeiras potencias da companhia dos tabacos; e portanto, não obstante estar comprehendido na letra da lei, e ser compativel o seu logar de director d'aquella companhia, com o logar de deputado, visto que não está actualmente em exercicio como director; a verdade é, que elle é accionista e directamente interessado, nos negocios da companhia dos tabacos. É, ou não é?! É. E porventura ouviu-me s. exa. dizer que s. exa. vinha para aqui sacrificar os interesses do paiz em favor dos interesses da companhia dos tabacos?! Não o disse, nem das minhas palavras isso se inferia. (Apoiados.) O que se inferia das minhas palavras era, que se dava realmente um facto positivo e verdadeiro; que era o sr. conde de Burnay ser uma das primeiras potencias financeiras interessadas na companhia dos tabacos; e que, como tal, s. exa. tinha apresentado n'esta camara argumentos em defeza d'essa proposta do governo, preconisando-a, como a unica solução do plano financeiro do sr. ministro da fazenda. E n'estas minhas palavras não fazia injuria nenhuma, nem offensa ao sr. conde de Burnay! O que fazia, apenas, era accentuar um facto, que vale mais por si só, pela realidade das cousas, do que, todas as incompatibilidades legaes. (Apoiados.)

O que é necessario é que s. exa., todas as vezes que se fazem aqui referencias ou á sua personalidade, ou ás companhias em que s. exa. tenha interesses, e com que esta relacionado, não imagine que é um tutor ou um mentor; que estamos aqui subordinados ao seu voto e á sua opinião; e que ha de ameaçar-nos com o terror de revelações! (Apoiados.) Faça essas revelações que quer fazer, tudo o que sabe; ponha tudo em pratos limpos. (Apoiados,) S. exa. engana-se completamente, se imagina que o partido regenerador, e parece me, poder dizer tambem n'esta parte, o partido progressista, têem algum receio das suas revelações n'esta camara.

O que faço, é pugnar pelo meu direito parlamentar, em proveito d'esta camara. Não tenho receio de revelações de especie alguma, parece que uma força superior pesa sobre nós e nos esmaga; e que a nossa palavra ha de ser acautelada, que as nossas phrases hão de ser medidas, para que não possam ir magoar o sr. conde de Burnay. Porque?!

Nós todos, nas discussões parlamentares, no calor da discussão, nos invectivamos e deixâmos escapar alguma phrase mais aspera, que muitas vozes vae ferir o nosso adversario; mas somos todos os primeiros a retirar essas phrases, como ditas no calor da discussão e sem idéa de offensa pessoal; nada d'isto significa um proposito aggressivo; todos fazemos justiça ás intenções d'aquelles com quem nos degladiâmos. (Apoiados.)

O sr. conde de Burnay picou-se, saiu logo á estacada, enumerando e lendo uma estatistica de serviços e favores feitos a todo o mundo!

Ora, deixe-me s. exa. dizer-lhe, muito á boa paz: esse papel não mette medo, nem inspira receio, francamente, e creia s. exa. e a camara que se não fosse já, n'outro dia, o sr. conde de Burnay levantar-se da mesma fórma, em resposta a uma pequena e ligeira referencia do illustre leader da opposição parlamentar, e isso me ter magoado, ferido e irritado tambem, talvez que nem hoje tivesse feito esta innofensiva referencia, que já apresentei á camara, e que ella tem na sua memoria.

S. exa. com isso o que faz é provocar, naturalmente, a referencias que tenhamos de fazer no uso liberrimo dos nossos direitos de critica e de apreciação, e ir até onde muitas vezes ...; em todo o caso queria fazer estas observações, para que se não imagine que estamos com receio das criticas do illustre deputado. (Apoiados.)

Sr. presidente, eram estas as observações, que tinha a fazer, pedindo desculpa á camara de me ter alongado tanto nas minhas considerações.

Vozes: - Muito bem.

O sr. Conde de Burnay: - Peço a palavra.

Vozes: - Ha sessão nocturna. (Sussurro.)

O sr. Conde de Burnay: - A minha attitude a respeito do banco parece-me que ...

O sr. Presidente: - Hoje ha sessão nocturna, começa ás nove horas, sendo a ordem da noite a continuação da que estava dada.

Está levantada a sessão.

Eram seis horas e vinte minutos da tarde.

Documentos enviados para a mesa n'esta sessão

Representações

Da camara municipal do concelho de Alemquer, pedindo a reconstrucção da igreja da Varzea, onde se encontra a sepultura de Damião de Goes.

Apresentada pelo sr. deputado Lopes de Carvalho, enviada á commissão de obras publicas e de fazenda, e mandada publicar no Diario do governo.

Da associação da classe dos constructores civis, mestres de obras de Lisboa, pedindo que não seja approvada uma representação dos mestres de obras de Villa Nova de Gaia, na qual se solicita a reforma de algumas disposições do decreto de 6 de junho de 1895.

Apresentada pelo sr. deputado Campos Henriques, enviada á commissão de administração publica, e mandada publicar no Diario do governo.

De fabricas de distillação de alcool de S. Miguel e outras, contra a proposta do exclusivo via fabricação, do assucar, apresentada pelo sr, ministro da fazenda.

Apresentada pelo sr. deputado conde de Paçô Vieira, e enviada ás commissões de fazenda, de agricultura e de artes e industrias.

O redactor = Barbosa Colen.