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mente vejo serenada) —direi sempre alguma cousa; explicarei francamente a minha opinião, e acabarei com o meu voto.

Tenho a felicidade, Sr. Presidente, de nunca ter sido chamado á ordem pelos Presidentes desta As-semblea, e sou um dos Deputados mais antigosdel-lá. —-Nesta Sessão, parece-me que o pouco que me ha sido permittido dizer, não tem escandalisado a ninguém; fallo pois sejn resentimento pessoal, e quando menciono o Sr. Presidente desta Camará, menciono um meu Amigo antigo, contemporâneo, companheiro muitas vezes na paz e na guerra (porque o Sr. Presidente também tem sido guerreiro) e finalmente um homem a quem me prendem muitas affeições de benevolência.

Sr. Presidente, por mais que um illustre Deputado quizesse metter-se nos fios delicados d'uma subtil dialéctica para mostrar que uma Sessão acabada , era o me&mo que uma Sessão continuada, eu não me posso persuadir disso : a Sessão acaba quando o Sr. Presidente diz — está levantada a Sessão j — tudo o que se disser depois disto, quer tenha passado uma hora, quer um minuto, ou um instante, não e' na Sessão: o nobre Deputado chamou acto continuo ao espaço, que mediou entre a voz = levantada a Sessão —e as palavras proferidas depois destas. — Sr. Presidente: actos contínuos são todos os da nossa vida ; mas uns auabatn, e outros começam ; e o que se segue ao acabado, e' outro , não é o mesmo, posto que sejam próximos. Pore'mquan-do isto assinn não fosse, pela decência da Camará, por bem do Systetna Representativo, deveríamos inventar um meio para decidir, que a Sessão tinha acabado. Não e' precizocomtudo inventar esse meio ; porque a Sessão acabara, e acabara felizmente para este acontecimento. Eu também fui testemunha delle ; mas não parte; e ás palavras;^ está levantada aSessão=;seguiu-se, antesde tudo, porem muitos Deputados o chape'o na cabeça , tanto d'um , como d'outro lado: isto que significa?

O que eu quero dizer, Sr. Presidente, não tern um intuito de louvar, o que aconteceu; eu o declaro; não é a primeire vez que o digo; a muitos il-Itistres Deputados da maioria, em quem conto ain-dí^os meus antigos amigos, e que me tractamcom muita bondade, e urbanidade, assim como aquel-les mesmos, que agora vem, pela primeira vez — a muitos delles disse eu: quanto similhante occor-rencia rne affligira! Mas, Sr. Presidente, nós devemos olhar para o fim e effeito das cousas, e não consi.dera-las para satisfação das nossas paixões; e quem dirá, que se não apaixona? O Sr. Presidente, se aqui estivesse, seria o primeiro a confessar, que se apaixonou, escrevendo o Officio , que delle ouvi ler.— Não tracto de fazer-lhe censura; mas invoco o testemunho imparcial de todos os Membros desta Carnara: digam elles.. .; mas não digam nada : contento-me corn a convicção, de que todos reconhecem , que o Sr. Presidente foi excessivo n'um § do seu. Officio ; e se estivesse nesta Camará, podia ser inetepado de ter alludido ás intenções, e a maus motivos; o que é prohibido pelo Regimento, pela raxâ >, e pela conveniência publica.

Quern poderá negar, que ahi seattribuem másin-tenções a um dos lados da Camará, intenções perversas, e malignas ? O Sr. Presidente é homem, escreveu o seu Oíficio ainda no calor do sentimento:

talvez que, se eu o escrevesse, o fizesse ainda mais ab ir ato. Mas, se isto lhesuccedeu em um momento, não se segue, que ein todos lhe aconteça : o espirito se achará•bastantemente acalmado, para convencer-se , de que o que esta Camará pôde fazer, que seja decente para ella, e para elle, e' chama-lo ao seu seio. De que serve, Sr. Presidente, recordar a occorrencia, que todos lamentamos? Essa recordação ha de necessariamente produzir unia censura a indivíduos, e ainda cousa peior. Eu não sei quem a mereceu; mas na maneira, porque se pretende exprimir a passagem, recáe censura sobre indivíduos, que a não mereceram: dado ainda, que houvesse direito para irroga-la ; digo, e sobre a maior parte dos Membros desta Camará, lemos nós alguma necessidade de ir a esses extremos, de indagar a quem se'dirige o stigma, contra quem se proferiram estas palavras?

Sr. Presidente, não teremos nós muitas vezes oc-casião de nos desculpar uns aos outros; e de proceder com generosidade uns para com outros ? Oxalá que as occorrencias a que me refiro sejam as ultimas que hajam de ter logar nesta Carnara!.....

Não é assim , não e' deste modo, não e' (perdoe-se-me a expressão, que a ninguém offende) por actos de tal qual vingança que havemos de conciliar os nossos ânimos e tranquilisa-los, e rivalisando em generosidade uns para com outros, isto e' tão nobre para uma parte como para outra ; mas quando uma delias quizer exercer sobre a opposta um certo direito de censura, ha de vir a reacção, e com ella resultados de que muitos se hão-de arrepender. Sr. Presidente, eu não quero recordar o que se passou, não quero saber quem leve rasão ; sabe-se que houve uma occorrencia desgraçada, não ha duvida'nenhuma, foi desgraçada: essa motivou o Offi-cio do Sr. Presidente ; não quero tomar conhecimento do Officio; sei só que o Sr. Presidente pede a sua demissão, e sei só que a Camará lha não deve dar, e que sim pelos meios que julgar convenientes convida-lo a vir continuar nos trabalhos da Presidência. Eis-aqut o que eu desejo; eis-aqui o que é simples. Na discussão de hoje sem duvida nenhuma , se fez muita honra ao caracter e compor-

tamento do Sr. Presidente, quem disse rnal d'elle í (Uma vo%: — Disse, disse.) Não disse, houve manifestação da opinião individual de um homem que julga que o Sr. Presidente não tem sido imparcial ; não é uma offensa ao Sr. Presidente, e' a exposição de uma opinião; eu também posso ter uma opinião qualquer; e o Sr. Presidente pode ser parcial sern culpa sua: pode parecer parcial por culpa do seu temperamento, pode parecer parcial porque irritável pode não entender algumas cousas ; e pode parecer parcial pelo seu mau ouvido ; o Sr. Presidente, a fatiar a verdade muitas vezes pecca por falta d'ouvir; eu tenho presenciado desta parte queixas de que o Presidente não concede a palavra aos Deputados que a pediram, e e porque elle não ouviu; mas o Deputado que pediu a palavra duas ou três vezes, e aquém se não dá, diz assim, o Sr, Presidente e parcial: eis-aqui como quasi sempre nós julgamos as cousas, ninguém presuma que as julga sempre rectamente.