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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

tor declarar que a commissão as havia de considerar devidamente,

(Interrupção do sr. José Luciano.)

Isso é que v. ex.ª não póde affirmar. As intenções são defezas á discussão.

O fôro intimo é um sacrario que a ninguem é dado violar.

(Interrupção do sr. Pinheiro Chagas.)

Não serei eu que affiance que as emendas hão de ser approvadas; pelo contrario, desde já declaro que hei de votar contra a que propõe a eliminação do imposto de circulação, porque se ha cousa com que eu sympathise na proposta é com elle, pela rasão que tão mal pareceu ao meu illustre amigo, o sr. Arrobas; pois que, por mais que em sentido contrario se diga, não me convencem de que tendo elle por fim abranger toda a materia collectavel sobre que deve recair, sem deixar escapar o rico como até aqui, não seja verdadeiramente democratico.

(Interrupção do sr. Pinheiro Chagas.)

Quer s. ex.ª saber o que faz o desvairamento das paixões?

Faz com que, por exemplo, s. ex.ª escrevesse em tres differentes occasiões, e em tres differentes numeros do seu periodico, tres artigos tratando de cousas tão serias, como a administração da justiça e a reputação de um homem que toda a gente tem por honestissimo, para no ultimo declarar que não entendia nada da questão!

O imposto é vexatorio! Não ha nenhum que o não seja, e a proposta tem, em parte, por fim attenuar-lhe os vexames.

(Deu a hora.)

Mau é isso, que eu não queria levar a palavra para casa.

Vozes: — Falle, falle,

Orador: — Tambem eu pouco mais tenho que dizer. Resta-me apenas fallar das barreiras, que é o que se devia discutir, (Apoiados) e quasi que se não tem discutido, e principiarei por dizer que, se a opposição não sympathisa com ellas, tambem eu não, podendo eu dizel-o mais affoitamente que ella, porque nunca as defendi, e não me leve ella a mal que lhe lembre quem fez o contrario, como parece que levou ao digno relator.

O sr. Pinheiro Chagas: — O systema é mau, porque póde provocar represalias.

O Orador: — Não me arreceio d'ellas.

(Interrupção do sr. Pinheiro Chagas.)

Não é porque eu não seja susceptivel de me contradizer, como acontece aos melhores, porque eu tenho bastante cuidado n'isso, não falhando nunca senão convicto.

O sr. Pinheiro Chagas: — Com este governo não lhe ha de ser facil evitar contradicções.

O Orador: — Mais facil do que com o seu.

O sr. Pinheiro Chagas: — Eu ainda não fui ministro.

O Orador: — Mas ha de sel-o, creio-o piamente. (Apoiados.)

Repito: não sympathiso com as barreiras, mas sei que até agora ainda se não descobriu melhor meio de tornar effectiva a fiscalisação, e não desdenhemos do passado só porque o é, que, segundo Libnitz, citado por Comte, que talvez d'elle tirasse a idéa da evolução, o passado anda gravido do futuro.

E porque é que só agora se brada contra as barreiras? Pois não as ha já ha tanto tempo no Porto e em Lisboa? E com que direito hão de repellil-as outras terras, que tanto invejam os imaginarios privilegios do que dizem que as duas capitães gosam? Pois as que vão já gosando iguaes privilegios, pela facilidade das communicações e vantagens inherentes, que vão tambem soffrendo as barreiras. Nós fazemos todos os dias maiores sacrificios á ordem bem commum, sem darmos por isso.

Terminando, agradeço, sr. presidente, a v. ex.ª e á camara a benevolenoia com que me ouviram, e com ella conto tambem para me desculparem o enfado de tão longa como despretenciosa oração.

(O orador foi comprimentado pelo sr. ministro da fazenda e deputados de um e outro lado da camara.)

Sessão de 15 de março de 1878