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paga-los para o futuro ? (O Sr. Ministro âa Fazenda:-— Por ora só 2 eè). D'aqui a dois annos hade pagar 3, •d'aqui a 6 ha de pagar 4, e ha de finalmente chegar a 6 por cento. (O Sr. Ministro -du Fazenda : — Quando nós já não estivermos cá.) O Sr. Ministro revelou agora inteiramente o seu systema — sacrificar o futuro ao presente: isto e terrível: o meu e o contrario — sacrificar o presente ao futuro, quero dizer, soflfrer hoje alguma cousa, para termos amanhã melhor â\a.(Apoiados da minoria). Sr. Presidente: porque não se diz, que, se onerei o The-souro com 338 contos, diminui a sua despeza ern 420 contos, ale'm daquella somma enorme de divida, que amortizei? Se se fizesse assim, em logarde me cobrirem de vitupérios, e de injurias, haviam de confessar, que -eu tinha feito ao meu Paiz um grande serviço.

Disse-se, que essa Operação tinha acabado inteiramente com o Credito: pergunto ao Sr. Ministro da Fazenda , a como estão hoje os descontos ? Estão rnais vantajosos, do que estavam, quando a Operação se fez. Portanto escusam de vir lançar nesta Casa vozes lúgubres, e medonhas; porque não devemos desesperar da Organização da Fazenda Publica: estou persuadido, que nós temos immensos meios para a sua Organização. (O Sr. Ministro da Fazenda: — Apoiado.) O que é precizo, e que se queira; e logo que se queira, todo o homem, que se sentar naquella Cadeira, conte com a minha cooperação. Mas não se pôde querer, em quanto não se vier a esta Casa manifestar, qual e o estado, em que está a Fazenda, e quaes são as medidas necessárias para a sua regularisação. Mas não se quer , em quanto o Governo não entrar francamente na estrada das economias.

Fallou-se em fixação de quadros; e' precizo, que vejamos, que nas Repartições, onde ha Empregados de mais, quando morre um, não se despache outro: morreu ha pouco no Ministério da Fazenda um Official Ordinário? já está preenchido o seu lo-gar, apezar de haver ainda «tn fora do quadro! Se o Sr. Ministro da Justiça fizer o mesmo, o que não espero, ha de ter eternamente 7 Officiaes de mais, e o mesmo os outros Srs. Ministros. E o Sr. Ministro da Fazenda, que é o primeiro, que deve dar o exemplo aos seus Collegas, e quem se excede mais, do que elles! Aqui estão os meus, que digam, se, apezar da cooperação, que nelles sempre encontrei, eu não era urn Companheiro muito incommodo? Uma vez ralhei muito com o meu Collega, Ministro dos Negócios Estrangeiros, por nada (riso). Mas, Sr. Presidente, o meu espirito d^economia está provado no Orçamento, No dia 16 de Novembro votaram-se 668 contos, e não sei quantos centos de mil réis para o Ministério da Fazenda : pois no dia 22 de Novembro, em que distribui essa somma, já a despeza era menor.

O que se pôde dizer, e' que eu exigia dos meus Empregados talvez urn trabalho superior ás forças de homem ; mas, Sr. Presidente, dava-lhes o exemplo; e eu quero, que a Camará tenha por isso alguma consideração para comigo. Eu trabalhava 16 horas cada dia ; e os rneus Empregados não se recusavam a ajudar-me: e eu tinha amigos, que me ajudaram, e muito lealmente, e que deram todo o contingente,,que podiam, para que a Fazenda se reorganizasse quanto antes; porque, Sr. Presiden-

te, é a verdadeira questão, que nos deve oceupaf , não e' questão de nenhum partido, e de todo o Paiz^ E repito, que o Ministério, quem quer que forern os homens, que o componham, que a quizer resolver, ha de ter sempre em mim o mais firme alliado*

Não enfado mais a Camará , nem digo mais nada sobre a matéria ; quando se tractar da discussão-deste Projecto na sua especialidade, direi alguma cousa sobre cada um dos seus artigos.

O Sr. Presidente: — A ultima hora desta Sessão e' destinada para a continuação das explicações; porém já se excedeu mais meia hora nesta discussão, e entendo por isso, que se deve passar ás explicações no resto do tempo, que falta, que é meia hora; porque eu conto as horas da Sessão, desde aquella em que se abre a Sessão: é isto o que continuarei a fazer, se a Camará não deliberar o contrario.

SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA.

EXPLICAÇÕES. — O Sr.Ottolini: — Sr. Presidente, não me lendo chegado a palavra . que pedira na discussão da Resposta ao Discurso da Coroa , para dar o motivo, porque votava contra o actual Gabinete de Sua Mageslade, não posso agora, quando ella me é dada para explicações somente, deixar de rectificar um facto asseverado pelo Sr, Ministro da Justiça, de que se podem seguir péssimas consequências contra os direitos da Coroa, e liberdades da Igreja Lusitana, vindo a exercer jurisdic-çãp, quem a não pôde exercer nestes Reinos.

O Sr. Ministro da Justiça, disse — que no Re» gio Avizo de Restricções, se havia respondido ao Inter-Nuncio de Sua Santidade, que usasse do seu Breve de Faculdades, no que senão oppuzesse á Carta Constitucional , e ás Leis vigentes.

Esta resposta genérica , e lacónica ao Breve mais amplo, que tem apparecido nestes Reinos, em que além das faculdades costumadas se concede ao In-ter-Nuncio o poder de, como Visitador Apostólico, nomear Ecclesiasticos , que rejam e governem as Dioceses vagas, o poder de exercer plena juris-dicção nos Conventos existentes, o poder de sanar os actos praticados nas Dioceses, por defeito da legitima jurisdicção em todos elles, e finalmente o poder deeregir mais Mosteiros; esta resposta, digo, tão vaga é altamente censurável por se haver feito agora, que o Breve é mais amplo, menos que sempre se fez quando élle era rnais restricto; e sendo a única restricção a frase genérica -—na conformidade da Legislação vigente — é então que S. Ex.* accrescentoii, fallando nesta Casa—que o Art. 4.° do Decreto de 23 de Agosto de 1833 era direito de momento, e que estava portanto em vigor o direito anterior.

Sr. Presidente, cumpre que no Parlamento se não deixe passar em silencio tal asserção : a asseveração de S. Ex.a foi inexacta,.

A determinação do Art. 4.° do Decreto de 23 d'Agosto de 1833 — não foi direito de momento^ nem guando o fora, estava restabelecido o direito anterior.