O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

406 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

amigo e collega, mas faça-me a camara a justiça ás minhas intenções e aos meus sentimentos; provocaram-me de um modo tal que, ainda que muito violentado, não pude deixar de fazer essa declaração que me exigiam.

Agora o illustre deputado dirá o que lhe parecer, e peço a v. exa. que depois de fallar o meu amigo e collega, que naturalmente limita a muito pouco o que tem a dizer, me permitta, usando da mesma benevolencia com que a camara me tratou, que eu diga em seguida algumas palavras, ainda que muito breves.

O sr. Saraiva de Carvalho: - Serei sobrio em palavras, porque carecemos de poupar tempo, e não de nos alargar na discussão. Mas preciso repellir, e repellir o mais aberta, positiva e categoricamente possível, a declaração que se acaba de fazer.

É certo que conversei com o meu amigo, o sr. Falcão da Fonseca, muito particularmente sobre negocios passados na commissão de fazenda. É certo ainda que lhe fallei em alguma cousa que ahi se dissera, e que é ocioso relatar agora; mas que é muito diversa, muito outra d'aquella a que s. exa. ha pouco alludiu na sua declaração.

Não fallei em ponto nos pagamentos; cousa que envolve por forma tal um absurdo, que não comprehendo que se possa attribuir a ninguem, porque a fallencia não se impõe, não se decreta; é um facto que se manifesta, que falla por si, e que assim se torna evidente.

É certo que em conversa intima com o sr. Falcão da Fonseca, com quem tenho tido trato e frequencia particular, lhe narrei alguns factos passados na commissão de fazenda; mas em conversa que tive, não ha muito ainda, com o illustre deputado, ratifiquei as palavras que disse então, e s. exa. póde agora, se quizer alludir a essas palavras, dizer se era ou não uma cousa muito alheia áquella a que se refere.

Declaro que não demitto de mim a responsabilidade das palavras que acabo de pronunciar, como tambem não declino dentro d'esta casa, ou fora d'ella, a responsabilidade que de outras quaesquer palavras ou actos me possa porvir

Vozes: - Muito bem.

O sr. Falcão da Forseca: - O facto foi passado particularmente, e eu já disse, e repito, que foi com a maior violencia que fiz esta declaração. Sc ha cousa que eu aprecie n'este mundo é a verdade, e sobretudo a dignidade do meu caracter; mas não sou eu, sr. presidente, que posso ser juiz da intenção das minhas palavras e das minhas acções; esse juiz só o póde ser os meus amigos, e aquelles que me tratam e conhecem o meu caracter; é para o testemunho d'estes que eu appello, porque só elles podem saber se eu sou homem de faltar á verdade.

Nós fomos levados por involuntariedade minha a um campo bastante arido, em que me custa bastante ter entrado. Resta-me dizer tão sómente que ratifico o que disse. Entenda-se, não é rectificar, é ratificar. Póde ser que eu entendesse mal, póde ser que o illustre deputado se quizesse referir a outro objecto; eu porém repeti, ainda que involuntariamente, o que ouvi a s. exa.

Franqueza com franqueza, e coragem com coragem. S. exa. nega que me disse o que expuz á camara, e eu declaro a s. exa. que confirmo o que disse.
Tenho dito.

O sr. Dias Ferreira: - Não fui eu que levantei esta questão, foi levantada por um membro d'esta casa e pela commissão de fazenda, mas por um dever de consciencia devo significar a v. exa. e á camara o meu sincero desejo de que esta questão termine aqui (apoiados). Desejo que as questões levantadas no parlamento e as phrases pronunciadas no calor da discussão sejam aqui mesmo explicadas e retiradas, se não são convenientes e parlamentares. O illustre deputado já confessou o seu arrependimento por ter proferido umas palavras que não eram rigorosamente parlamentares; não lhe cabe deshonra, antes muita honra por ter reconhecido que tinha andado menos convenientemente.

Creio que depois d'esta explicação categorica de s. exa., toda a questão devia terminar aqui por decoro e dignidade de todos nós e dos cavalheiros que tomaram parte n'ella.

Requeiro pois a v. exa. que convide o illustre deputado, no que, estou certo, elle não terá duvida alguma, a dar as explicações convenientes por ter levantado esta questão; a com missão de fazenda, em vista d'estas explicações não terá duvida em retirar também a sua declaração, e d'este modo terminará este incidente, porque eu creio que ninguem tem interesse em que elle continue, depois das explicações entre os dois cavalheiros.

Creio que todos reconhecem que da parte do illustre deputado que levantou este incidente, não bouve intenção alguma de com elle affectar o credito do paiz (apoiados), portanto entendo que devemos d'esta forma terminar um incidente em cuja continuação de certo não interessa a causa publica (apoiados).

O sr. Falcão da Fonseca: - Ouvi com toda a attenção o illustre deputado o sr. Dias Ferreira, e concordo plenamente com s. exa. em que devemos terminar este incidente que se tornou desagradavel á camara, e particularmente para mim.

Eu já pedi desculpa á camara de ter, no calor da discussão, avançado uma asserção que devera não referir.

Mas, disse o illustre deputado que lhe parecia conveniente que para terminar esta questão, se desse algumas explicações á commissão de fazenda.

Ora eu não sei que explicações deva dar mais? Já disse que tenho o mais elevado respeito por todos os membros d'aquella illustre commissão. Em tudo que disse, não tive intenção de, por fórma alguma, dirigir a mais pequena insinuação a qualquer dos membros da mesma commissão, porque isso seria faltar á dignidade do meu caracter e ao muito respeito que devo a todos os membros d'esta camara.

É certo que avancei uma proposição menos conveniente, mas declarei tambem que foi isso devido ao calor com que estava fallando.

Talvez que eu interpretasse mal, repito, as palavras do sr. Saraiva de Carvalho (apoiados).

Se a camara fica satisfeita com esta declaração, estimarei muito, mas confesso que não sei que mais deva acrescentar (apoiados. Vozes:- Muito bem.)

Vejo que fica satisfeita e eu julgo-me honrado com a sua annuencia.

Vozes: - Muito bem, muito bem.

O sr. Saraiva de Carvalho: - Insisto em usar novamente da palavra, não para discutir a questão pessoal, mas sim a de interesse publico.

A conversa que tive com o sr. Falcão da Fonseca versou sobre um objecto, aliás grave, e de que já têem conhecimentos os outros membros da commissão de fazenda e alguns dos srs. ministros, e que não cumpre discutir agora, mas objecto muito outro, muito differente d'aquelle que diz respeito ao ponto no pagamento. Como o illustre deputado diz que é possível que desse ás minhas palavras uma interpretação errada, está a questão cortada (apoiados).

As palavras que nós aqui pronunciámos têem uma certa influencia lá fora, e é por isso que tomei pela segunda vez a palavra n'este incidente.

Torno a repetir. O negocio de que eu tratei é muito diverso d'aquillo que se suppõe. Sabem-o todos os membros da commissão de fazenda, que estão presentes, que podem confirmar se o negocio é ou não muito outro.

Ora, se o negocio é muito alheio áquelle a que s. exa. alludiu, se s. exa. concorda em que deu uma interpretação errada ás minhas palavras (não trato agora da questão pessoal, o que seria ocioso), creio que em relação ao publico deve ficar completamente desvanecida qualquer impressão que podesse resultar das palavras soltas, menos pensadamente, e certamente inconvenientes, do sr. Falcão da Fonseca.