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bani de repetir-me, nenhum motivo, nenhum pretexto mesmo pude encontrar admissível, pelo contrario convenci-me de que qualquer reluctancia da rainha parte, na presente conjunctura, não podia deixar de ser taxada, e com justiça, como prova de um génio indócil, ingrato c indómito.

Eu volto pois a este logar, fazendo o mais penoso sacrifício da minha resolução em contrario, e espero que assim se acreditará d'um homem , cuja independência de caracter se não tem demonstrado duvidosa, bem como não tem sido a sua indifferen-ça para coro todas as considerações políticas, que não são as do bem do seu Paiz. (Muitos apoiados.)

E' indispensável porem, Senhores, que vos previna de que neste coração, onde os sentimentos de homem honesto avultam incomparavelmente mais que os de housem político , se acha estabelecido um vivo desgosto, consequência necessária do complexo de circurnstancias tão desagradáveis para mim , e no meu humilde modo de pensar, tão funestas para o bem da causa publica, que ultimamente se tem succedido, e que por isso mesmo vos lembre, que o homem possuído, e constantemente divertido por um sentimento, que tanto o punge, não pôde ser sufficiente á execução de deveres, que demandam o exclusivo emprego de todas as ide'as, e de todos os esforços; e eis o motivo, porque ,ainda deste mesmo Jogar rogo á Camará me dispense de occupar esta Cadeira. (Muitas vozes: — £' impossível —Nada , nada.)

Se porem assim o não perrnitte a Camará, eu vou empenhar-me ainda quanto posso em mostrar-me digno da sua confiança; mas, assegurando desejos, e promettendo esforços, não me aventuro a aífian-çar resultados , que fora isso comprouielter-rae a um ponto , que considero fora do alcance das minhas faculdades — a intelectualidade da Camará não pôde deixar de reconhecer motivadas as minhas apprehensões, ou anies os meus present-imentos.

E visto que a maioria da Gamara, assim como Sua Magestade A Rainha, tern demonstrado appro-var o meu modo de proceder neste tão honroso, como difficil e temeroso cargo, assim continuarei. ORDEM DO DIA.

Continuação da discussão, na, generalidade, do Projecto n." 2.

O Sr. Silva Sanches : — (sobre a ordem) Não vejo no banco dos Ministros o Sr. Ministro da Fazenda, cuja presença eu acho indispensável nesta discussão, e por isso não sei, se a discussão poderá progredir; não, porque eu lhe tenha perguntas afazer, mas porque na verdade a presença de S. Ex.a é muito necessária. Desejaria que o Sr. Ministro, qu« está presente, nos dissesse, se poderiaonos esperar que o Sr. Ministro da Fazenda venha, quando esteja desembaraçado de outras funcçòes, que o retenham fora da Cornara.

O Sr. Ministro do Reino: —O Sr. Ministro da Fazenda não pôde tardar, e corno o mesmo Sr. Deputado que acaba de fallar , diz, que não tern pergunta alguma a fazer , entendo que não haverá inconveniente, em que continue a discussão; se se fizerem algumas perguntas para que eu não esteja habilitado a responder , então nesse caso reservam-se, para quando S. Ex.a estiver presente.

O Sr. Silva Sanches:—Uma das perguntas ? que VOL. 2.° — AGOSTO —1842.

eu desejava fazer àtí Sr. Ministra da Fazenda j é1 á qual V. Ex.a por certo não poderá responder, por* que e' alheia da sua Repartição, e em quanto importam os vencimentos de um rnez de todas as classes activas , e inactivas;

O Sr. Ministro do Reino : —* O nobre Deputado^ que já foi Ministro do Reino, sabe que eu não pòs^ só estar habilitado a responder sobre esta matéria.

O Sr. Silva Sanches: — Por isso mesmo e' que eu insistia pela presença do Sr. Ministro da Fazenda, mas como o Sr. Ministro do Reino nos informa de que S. Ex.a não tardará, creio que pôde continuar a discussão.

O Sr. Presidente: ~ Tem a palavra o Sr. Mou-sinho d'Aib«querque sobre a matéria.

O Sr. 'Mounnho d' Alb&qutrque :—Sr. Presidente, tendo nós sabido por agora, do campo das discussões políticas, entrámos pela primeira vez n'uma discussão económica; mas n'urna discussão económica altamente transcendente, por quanto ella não vem á Camará pelos meios ordinários; nem seguindo a marcha regular que lhe competia, e que eu espero se siga para o futuro em sirnilhantes nego* cios, sendo ao mesmo tempo declarada medida de maior urgência, e que o Governo veai trazer-nos impedido pelas circurnstancias difficeis e singulares, em que se acha. Não sei, nem quero examinar se o modo de propor este negocio e uma absoluta necessidade, porque seria preciso para isto ver, se elle podia já vir a esta Camará acompanhado dá forma competente para pedir taes medidas que é o Orçamento prompto e completo, O Orçamento da receita edespeza devia estar concluído para ser presente á Camará na Sessão de Janeiro passado , e ainda que houvesse de fazer-se nelle alguma alteração , essa alíeração devia ser de pouca monta, e talvez podesse ter-se effectuado para ser o Orçamento presente agora; mas não quero classificar ~ isto em censura, e será apenas uma simples observação. Considero na Lei que se propõe uma grande transcendência. O Governo apresenta-se perante a Camará sem meios para fazer face á despeza corrente, á despeza a que é absolutamente necessário satisfazer; não ha duvida alguma, que devemos da , maneira possível habilitar o Governo para que não comprometia o Credito Nacional, nem dentro, nem fora do Paiz. Esta necessidade é utna necessidade de primeira ordem , a que nós não podemos faltar; porque uma Nação generosa, como e a Nação Por-tugueza, não pôde querer que o seu Governo, quô a representa, principalmente fora do Paiz, passe pelo desar de faltar ás obrigações contrahidas; si-rnilhante desar e' inadmissível , nem nós, os Repre* . sentantes do Paiz, podemos ter duvida em fazer á honra Nacional um sacrifício sem limite, se o sã* crificio sem limite fosse demonstradamente necessário; porque, Sr. Presidente, os sacrifícios das Nações devem ser eminentemente poupados , se os interesses imediatos, e essertciaes do Povo de» vem ser emminenteraente zelados pelos seus Representantes; existe com tudo um lemite, e esse lemi-te é o da independência, e da honra Nacional, que nunca podem ser preteridos.