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664 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

te, que todos sentem, menos o governo, que parece deliciar-se n'esta derrocada geral. (Muitos apoiados.)
Precisa o governo que eu lho aponte outro facto, da sua inteira e precipua responsabilidade, que profundamente tem desgostado o paiz?
Ahi tem a reacção religiosa. (Apoiados.)
A reacção religiosa alastra e invade todas as populações do reino.
A reacção religiosa levanta o collo, triumphante e altaneiro, se não com o auxilio do governo, pelo menos, com a cumplicidade do seu assentimento.
Desde a proclamação, no parlamento, da existencia de collegios de jesuitas, até ás famosas e celebres circulares do sr. arcebispo do Larissa, tudo o governo tem ouvido e consentido, sem um protesto energico da sua parto, som uma repressão seveia por parte das suas auctoridades! (Apoiados.) No parlamento, o governo ouve a provocação ameaçadora que lhe lacera, a que cumpra as leis do paiz, expulsando os jesuítas, e não tom uma palavra ou um acto a oppor a esta insolita provocação!
E faz isto um governo saido do partido progressista, o qual, pela bôca do sr. presidente do conselho, ainda ha pouco tempo, ostentava como brazão e timbre da sua bandeira, a expulsão das pobres irmãs da caridade! (Apoia dos.)
O governo entrega as christandades de Ceylão á cubica e avalez dos padres da propaganda fide, (Apoiados) se padres se lhes pôde chamar, no sentido christão d'esta palavra, e consente que os votos das duas casas do parlamento sejam menosprezados pela curia romana, com evasivas piedosas, ainda, por cima, acrescentadas da reprimenda humilhante de não ter sabido o governo apresentar a petição das camaras pelas vias competentes!
O governo assiste, silencioso e de braços cruzados, á exautoração religiosa de um brilho benemerito d'este paiz, o sr. Antonio Augusto de Aguiar, (Apoiados) e, se tenta, na sua imprensa, exhibir a defeza da sua cumplicidade é para comparar, truanescamente, as ceremonias e praticas do culto religioso do estado, ás formalidades dos ritos maçonicos do grande oriente! (Apoiados.)
O governo toma, finalmente, conhecimento da famosa circular do sr. arcebispo de Larissa, em que ordenava uma devassa ás conscientes da sua diocese, ouve a resposta do sr. arcebispo, de que aquellas informações oram colhidas para fornecer elementos de estatistica as secretarias superiores do estado, e nem sequer occorreu ao sr. ministro da justiça perguntar ao sr. arcebispo de Larissa, quando é que s. exa. rev.ma tinha faltado á verdade: se quando dizia aos fieis dá sua diocese que as informações que prestassem, haviam de ser guardadas sob o mais completo e inviolavel segredo, se quando disse para o ministerio da justiça, que essas informações seriam fornecidas as reparações publicas, paru se organisarem estatisticas, tão proveitosas ao seculo como á igreja... (Apoiados )
Nem esta simples observação lembrou ao sr. ministro da justiça, todo occupado em fazer codigos! Mas nem só de codigos vivem as nações! Tambem vivem das suas regalias e dos seus direitos, das buas prerogativas e dos seus principios. (Apoiados )
E tudo isto, sr. presidente, o paiz tem presenciado com profundo desgosto!
Com profundo desgosto, digo, porque o paiz é religioso, mas não é lazarista. (Apoiados.) O paiz é religioso, mas não é jesuíta. (Apoiados.)
O paiz ama e quer a religião de Christo, que é a religião dos seus maiores; mas quer e ama, igualmente, a liberdade desaffrontada das nefastas influencias ultramontanas. (Apoiados.) O paiz quer e respeita bispos e padres, mas quer e respeita bispos o padres portuguezes e liberaes. (Apoiados.) O paiz não quer milionarios, não quer conventos, não quer padres da, companhia ou de companhias. (Riso. Apoiados.)
E porque o governo se tem divorciado d'este sentimento geral do paiz, é que o governo perdeu a sua confiança, mantendo-se n'essas cadeiras unicamente pela confiança da corôa, não sei se diga já em demasia benevola. (Muitos apoiados.)
Quer ainda o governo que lhe aponte mais um acto da sua inteira e completa responsabilidade, que produz á agitação e o descontentamento do paiz?
Ahi tem o espectaculo desconsolador e profundamente deprimente que offereceu uma parte do exercito, nas manobras do outono do anno passado (Apoiados.)
O paiz sabe que o exercito lhe custa perto de cinco mil contos. O paiz sabe tambem que apenas gasta com a sua instrucção publica mil contos, com a justiça e cadeias quinhentos contos, com a beneficencia publica trezentos Contos, com a industria oitenta contos, com a agricultura quatrocentos e cincoenta contos, com o commercio oitenta coutos, e com a saude publica sessenta e seiscentos. D'este modo o paiz sabe que cada um d'estes principalissimos serviços do optado tem uma dotação minguada e insufficiente, e que todos juntos custam metade da despeza que é absorvida pelo exercito.
Todavia não lhe repugna o pagamento d'esta somma importante, porque sabe que aos brios nunca desmentidos, á coragem sempre provada, ao acendrado patriotismo, á heroicidade tradicional do exercito está confiada a funcção social, mais bella e mais gloriosa, sim, mas, sem duvida, a mais arriscada e perigosa: a funcção de manter a ordem social e a defeza do territorio nacional. (Apoiados.)
Mas, por isso mesmo que o paiz, se mio paga com prazer e contentamento, paga, conformado e resignado, esta verba importante, é que v. exa. e a camara toda avaliava o com quanto desgosto o paiz assistiu ao que succedeu nas manobras do anno passado (Apoiados )
Uns modestos e acanhados exercicios, ás portas da capital, puzeram a descoberto faltas imperdoaveis, erros reprehensiveis na administração militar. (Apoiados.)
Por pouco que os pobres soldados e officiaes, com forno durante dezesete horas, não pereceram n'essa memoravel campanha do Sabugo (Riso.-Apoiados)
N'outro paiz, onde houvesse uma opinião com juizes mais severos, onde não reinasse a apregoada e famosa brandura dos nossos costume, similhante tacto teria produzido, não a queda de um ministerio, mas do dez ministerios. (Muitos apoiados.)
E preciso, finalmente e ainda, mostrar a v. exa. e á camara mais outra causa, da responsabilidade do governo, efficiente da agitação e descontentamento que lavram no paiz.
Abstráia o governo, por um momento, dos interesses partidarios que representa n'essas cadeiras, abstraia, por instantes, da ambição do mando, consulte bom a sua consciencia e seja se ella lhe não está dizendo que, acima dos elementos constitucionaes, de que tanto se vangloria, existe no paiz uma corrente de opinião accentuada e energica que lhe é abertamente hostil, (Apoiados) ainda perante os actos considerados menos culposos? (Apoiados.)
Porque succede isto? É porque é inilludivel, palpavel, evidentissimo, o desprestigio dos srs. ministros. (Apoiados.)
O nome e a reputação dos srs. ministros andam manchados e maculados no conceito publico. (Apoiados)
Porque ?
Têem os ministros commettido malversações dos dinheiros publicos? Têem pretendo os interesses legitimos da nação para só attenderem aos interesses illegitimos e criminosos do particulares?
E o governo réu dos crimes de concussão, peita ou peculato?
Não o creio nem o supponho eu, nem supponho que haja, alguem n'esta casa que o creia ou supponha.
Alem de outras rasões, a que prevalece no meu espirito para assim o crer e suppor, e a que se deriva do facto de