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SESSÃO DE 3 DE MARÇO DE 1888 1888

não ter ainda nenhum dos membros d'esta camara usado dos direitos que lhe confere o artigo 37.° da carta constitucional.
Sé porventura para as perguntas que eu acabo de formular, no espirito dê alguns dos meus colegas, n'esta casa, houvesse resposta afirmativa, certamente o paiz já teria visto aqui propor uma accusação criminal aos ministros; ver-se-ia apresentar, senão approvar, essa proposta. Mas similhante proposta de accusação criminal aos ministros ainda ninguem viu.
Apesar, porém, de não se apresentar essa proposta e ser, fundada, a minha supposição, nem por isso deixa de ser profundamente verdadeiro que e iniludivel e complete o desprestigio dos srs. ministros. (Apoiados)
O desceredito e a diffamação terem em pleno ponto srs. Ministros (Apoiados) e este descredito e esta deffamação, e não têem uma justificação completa nos seus actos, têem uma explicação, que é toda em desabono dos srs. Ministros (Apoiados) e da situação politica que os srs. Ministros representam.
São os srs. ministros, e a situação que representam, os fautores principalissimos, os unicos responsaveis da tempestade de lama e de suspeição que agora os suffoca. (Apoiados.)
Durante muitos annos fizeram da sua imprensa e da sua tribuna, da sua palavra escripta e da sua palavra fallada, o patibulo, onde rojaram as reputações de quasi todos os homens publicos d'esta terra (Apoiados )
Eu assisti a quasi todas estas execuções!
N'um anno, foi a concessão de Cacilhas, em que o ministro das obras publicas, de então, e um deputado foram accusados do terem praticado uma veniaga torpissima (Muitos apoiados)
N'outro anno, foi a concessão da elevação de tarifas á companhia real, dos caminhos de ferro do norte e leste, sendo o respectivo ministro e os sejas collegas accusados de terem frito uma tratada vergonhosa.
Mais tarda, veiu a concessão da Zambezia, em que foi roubada a melhor corôa, o melhor florão do nosso patrimonio colonial.
Em seguida, veiu a questão da penitenciaria, e essa não trucidou sómente a honra de um partido inteiro, sonido que fez borbotear a jorros o sangue de um engenheiro tão distincto quanto infeliz. (Apoiados )
Depois, vieram as portarias surdas, os fornecimentos do armamento militar; de umas o de outros sairam quantias fabulosas com destinos tão mysteriosos, como elevados... (Muitos apoiados )
E, constantemente e sempre, foram as armas do descredito e da diffamação as que foram reputadas de alcance mais certeiro a empregar na guerra truculenta, desleal e feroz contra os seus adversarios.
Procediam assim os srs. ministros e a situação politica que representam. E muito de proposito digo os srs. ministros e a situação que representam, porque eu não quero praticar a injustiça, que tantas vezes tenho visto commetter, de attribuir a responsabilidade d'essa guerra, sem nome, unicamente a dois homens, o sr. ministro da fazenda e o sr. ministro das obras publicas. Não, sr. presidente! Os srs. Marianno de Carvalho e Emygdio Navarro foram apenas o verbo corajoso e ardente da propaganda de descredito e diffamação, que estava no odio ou no coração de um partido inteiro. A cada victima que succumbia todos os chefes do partido batiam as palmas de contentamento e aos executares da alta justiça decretavam-se coroas de gloria e gratidão! (Apoiados.) Atraz da pena que escrevia, estava toda a alma apaixonada o violenta do par tido inteiro que a guiava!
Eu não trago, nem recordo, estes acontecimentos para fazer retaliações, e; muito menos, para fazer accusações aos membros da maioria, na qual me prezo de contar mais de um amigo; faço historia retrospectiva, porque a lição da historia póde fornecer mais de um ensinamento para os Cactos do momento. Podiam os adversarios de agora ser generosos e esquecer os aggravos recebidos? Podiam, como alguns o são. Mas a generosidade, n'estes casos é materia de favor, não é o objecto do direito; os favores acceitam-se e agradecem-se, não se impõem, nem se exigem, (muitas apoiados.)
Era uma epocha de exaltação, dizem. Mas quem é que decreta as epochas de exaltação?
São os proprios exaltados?
N'esse caso, epocha de exaltação é a que vamos atravessando, porque os exaltados, de agora têem o plenissimo direito de a decretarem. (Muitos apoiados.)
O governo o os srs. ministros não têem de quem se queixar. Queixem se de si proprios. O governo expia, amarrado a essas cadeiras, o seu pecado e o seu passado. De ninguem tem direito a queixar se. Mas se o governo não tem direito de queixar-se, tem direito de se. queixar o paiz, que assiste com tedio e tristeza a este abatimento, a esta depressão da dignidade moral do poder. -(Apoiados )
Q que offerece o governo em troca de tudo isto ao paiz? Perguntava hontem eloquentemente o distincto parlamentar e meu amigo, o sr. Lopo Vaz.
Pede lhe impostos e dá-lhe cutiladas, respondia com verdade. (.Apoiados.) Mas não dizia tudo. Eu. quero ser justo e imparcial. O governo offerece mais alguma cousa a camara de o ouvir.
O governo, diz o sr. presidente do conselho e repetem-n'o os arautos da situação, oferece ao paiz a, restauração do credito, a elevada cotação dos fundos publico?, Que mais querem?
Ora, sr. presidente, eu sei pouco, sou quasi profano n'esta sciencia complicada de fazer subir ou descer os fundos. Sei apenas o bastante para perceber que este assumpto é melindroso e delicado porque affecta e contende com o credito do paiz. Consequentemente, visto a modestia dos meus recursos, não fallo.
Ponho na minha boca as conceituosas palavras do grande chanceller, profundas nó discurso a que ha pouco alludi.
Disse o principe de Bismarck:
«Uma palavra altera ás vezes o sentido de muitas cousas, e muitas palavras trazem desvantagens e inconvenientes »
Por isso não fallo sobre este ponto. Mas dou homem por mim. O nobre presidente do conselho, que é o homem que eu dou por mim, ha de comprehender que, n'este caso, a substituição é permitida. Vae á camara ouvir, e é bom que a camara ouça a o paiz inteiro, porque é este o ponto importantissimo que servo de bordão á situação.
Perguntava o sr. Julio de Vilhena no anno passado, terminando o seu brilhante discurso sobre a concordata, a como estava a liberdade cotada na bolsa de Londres. Levantava se o illustre parlamentar, o sr. Lobo d'Avila, então, como agora, relator do projecto da resposta ao discurso da corôa, e respondia triumphante: hoje a 54, mas no tempo do sr. Hintze Ribeiro a 44.
E era apoiado calorosamente. Sempre a cotação dos fundos!
Por consequencia, creio que faço um grande serviço á camara, e, sobretudo, ao partido progressista, que está de boa fé n'este assumpto, dizendo lhe a opinião do sr. José Luciano de Castro acerca da significação da famosa elevação dos fundos
Falla o sr. José Luciano de Castro:
d E a elevação do credito? E estes louvores que se fazem ao sr. Marianno de Carvalho a proposito da elevação do credito? .. Custa a crer que os amigos do sr. Marianno digam isto a serio.
«Ora, digam-me: quando o partido historico, ou quando
fusão esteve no poder em 1869, estavam os fundos a 32,5, o passado pouco, a 19 de maio, ficaram a 35,5. Os fundos foram subindo successivamente, e quando o sr. Car-