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SESSÃO N.º 37 DE 23 DE MARÇO DE 1900 7

beiro e Frederico Arouca. Que enorme é a contradicção entre estas afirmações e as da moção do illustre deputado!

Este relatorio precede uma serie de decretos; no primeiro d'elles, entre outras cousas, era o governo auctorisado a mandar proceder a obras de fortificação, que tinham começado em 1874 e a contratar o fabrico de bocas de fogo, contrato que esteve quasi assignado, e não sei mesmo só assignado, mas que não teve execução. Por esse contrato eram encommendadas 30 bocas de fogo de 28 centimetros para defenderem o nosso porto, e a entrada da barra, a fim de não dar rasão ao que dizia no outro dia um jornal burlesco que para simplificar notavelmente o complicado problema da nossa defeza, e nos livrarmos de despezas sempre incommodas, bastaria mandar pôr um distico ou taboleta á entrada da barra com o seguinte dizer: É prohibida a entrada.

Mas, sr. presidente, não é com graças nem de graça que se defendem e protegem os portos dos ataques das esquadras inimigas.

As taboletas para defender os portos são peças de artilheria que custam 100 contos de réis, que disparam tiros que custam 4005000 réis, e que com um só tiro podem inutilisar e destruir totalmente um couraçado. N'estas circumstancias os navios de combate hesitarão a maior parte das vezes, ficando em duvida se devem ou não atravessar o passo que lhes conviria forçar. O couraçado por mais forte que seja, quando vê um porto bem defendido tem sempre receio de entrar e de o atacar, porque com um tiro póde ir para o fundo o navio o a guarnição, e um torpedo facilmente destroe um tão valioso elemento do combate entre esquadras.

Nós estamos longe dê ter o porto de Lisboa bom defendido, mas vamos cuidando um pouco d'isso com o dinheiro das remissões - e a proposito devo dizer que não sympathiso muito com estas.

(Interrupção do sr. Luciano Monteiro.)

O Orador: - Aos officiaes do exercito já lhe tiram a pelle - o melhor é munir-se de uma sevilhana e rasgal-os. (Riso.)

O sr. Luciano Monteiro: - Eu não quero estabelecer desigualdades; o que pretendia apenas era que o funccionario militar fosse posto no mesmo pé de igualdade com as funccionarios civis.

O Orador: - Não digo o contrario; mas eu direi a s. exa. que ha empregados de categorias equivalentes no civil e militar. Quando eu tiver de marchar para qualquer localidade tenho de ajuda de custo diaria 500 réis - sabe comquanto sáe um empregado, por exemplo, do ministerio da fazenda de categoria igual á minha?

O sr. José de Azevedo: - Não falle v. exa. n'isso. Isso é uma carta. (Riso)

O Orador: - Não é certamente com 500 réis diarios; é seguramente com quantia incomparavelmente superior. Continuando as minhas considerações sobre os decretos de 10 de fevereiro direi que nenhum teve execução a não ser o que se referia ás guardas municipaes. E não foi porque no partido regenerador não haja homens que amem o progresso das nossas cousas militares, e a prova é que têem comprado o armamento que existe hoje, com excepção de uma pequena parto como já tive occasião de dizer, e o sr. Avellar Machado que me ouve sabe muitissimo bem, porque foi chefe da repartição por onde essas cousas corriam e ainda hoje correm.

O decreto n.° 3, refere-se ás guardas municipaes que foram organisadas.

O decreto n.° 2, um dos mais importantes, entre varias cousas mandava reformar o exercito. O actual sr. ministro da guerra, n'essa occasião, foi um membro preponderante da commissão então nomeada para proceder ao estudo d'cssa reforma, commissão de que eu tive tambem a honra de ser humilde membro. O mesmo decreto entre as suas varias disposições mandava melhorar e completar o armamento das diversas armas do exercito.

Completar o armamento só poderia fazer-se pela compra de mais material.

Melhoral-o não poderia significar outra cousa tambem, senão adquirir armamento novo, pois não é facil melhorar armas de modelos atrazados, por meio de transformação.

Geralmente a transformação significa deitar dinheiro á rua.

Em tempos não muito remotos, ainda alguns paizes, por motivo de economia, transformaram alguns dos seus armamentos, mas reconheceram sempre, passada algum tempo, que o melhoramento pouco ou nada valia.

Hoje é regra adquirir-se novo armamento quando o existente é inferior pela qualidade, e se pretende melhorar de arma.

N'estas cousas de armamento não basta só ter armas, é necessario ter as melhores, (Apoiados.) porque de paizes armados desigualmente, aquelles que se armam mal o mesmo é que não se terem armado, (Apoiados.) e um mau armamento só serve para crear victimas. (Apoiados.)

Que poderiamos nós transformar? As armas de 8mni não, pois a transformação não poderia ir alem de melhorar o systema de repetição, e a vantagem resultante não compensaria a despeza a fazer. Seriam as armas Snider do 14mm? Essas são insusceptiveis de qualquer melhoramento. Armas de 11mm não tivemos outras senão as Westley Richards, e outras que tivéssemos tambem não poderiam nem deveriam ser transformadas com qualquer vantagem, por ser impossivel obtel-a

Como melhorar pois, sr. presidente, o armamento da nossa infanteria, como determinava o decreto n.° 2 de 10 de fevereiro de 1890?

Sem duvida comprando armas novas. É o que só pretende no projecto em discussão.

Todo o armamento portátil que possuimos de calibre mais alto que 8mm, como é a Snider, poderá muito bem servir contra pretos, e para serviço de policia e de guarda em tempo de paz.

Uma voz: - Para eleições.

O Orador: - Para eleições cá e lá. A manutenção da ordem é um dever dos governos.

Sr. presidente, com a adopção do pequeno calibre em todos os paizes, milhões de espingardas dos modelos anteriores ficaram pejando os arsenaes da Europa, das quaes procuram desfazer-se os varios governos, vendendo-as a preços minimos. Armas que custaram de 70 a 85 francos, e mais, conforme os systemas, chegam a ser vendidas por 3 francos e meio.

Por informação segura sei que na actual guerra do sul de Africa está sendo empregado por parte dos boers armamento que foi comprado por este preço.

E estou certo, sr. presidente, que, mais tarde por falta de comprador, alguns milhões de armas serão reduzidas a sucata, por não valerem a armazenagem nos depositos.

Em 1886 a Allemanha estava completamente armada com a sua espingarda Mauser de 11mm, de tiro simples modelo 1872, que succedêra á espingarda de agulha Dreyse com que fizera a campanha de 70 a 71.

N'este anno de 1886 a Allemanha adopta uma nova arma do mesmo calibre, mas de repetição, de que fabricou e adquiriu enorme quantidade. Em 1889 adopta o pequeno calibre de 7mm,9 com que actualmente tem armado todo o exercito. N'este momento este paiz procura melhorar o seu armamento, adoptando um novo modelo, posto que do mesmo calibre.

Eu entendo que devo dar estas informações sobre armamento porque esta é a parte mais importante do projecto. (Apoiados.) Precisámos de adquirir 70:000 armas que sejam boas e quão longe ficámos ainda do necessario se n'um dado momento quizermos armar 400:000 homens que os temos em Portugal!