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SESSÂO N.º 39 DE 16 DE AGOSTO DE 1897 671

nuações que s. exa. fez n´uma das ultimas sessões, e para isso tenho pedido todos os dias a palavra; mas s. exa. não tem comparecido na camara, e não creio que tenha andado a fazer jogo de porta, antes da ordem do dia.

Talvez s. exa. tenha andado preoccupado com o cirio do Adamastor.

Creio que agora poderá comparecer já, tendo de mais a mais aviso previo para outros assumptos, e n´esse sentido, de certo v. exa. providenciará.

Parece-me que s. exa. pela sua categoria social, e pela idade em que está, não se quererá inscrever na lista da juventude traquina, que dispara a funda e se esconde atrás do muro.

O sr. Presidente: — Tenho a dizer a v. exa. que só por motivo de serviço publico é que o sr. ministro dia marinha não está n´está camara; s. exa. é um dos ministros mais assiduos em vir ao parlamento, e não só pelo respeito para com a camara, como para com o illustre deputado, de certo, se não fosse motivo de serviço urgente, não se teria eximido ao seu dever de vir ao parlamento. (Apoiados.)

O sr. Teixeira de Sousa: — Sr. presidente, a fatalidade da inscripção, ao discutir-se este projecto de lei, fez que eu tivesse de fallar em seguida ao illustre deputado o sr. Alpoim.

V. exa. comprehende que, se na ultima sessão eu tivesse podido ainda fazer uso da palavra, ter-me-ia visto em grandes embaraços, não porque o discurso de s. exa. fosse irrespondivel, mas porque não poderia ter sido tão severo, como talvez fosse minha obrigação partidaria, nem tão benevolo, como o exigiria o affecto que voto áquelle illustre deputado.

Mas, sr. presidente, passadas quarenta e oito horas sobre a objurgatoria do sr. Alpoim, essa obrigação desapparece, e eu, com toda a serenidade, sem azedume, sem acrimonia, venho reparar as grandissimas injustiças feitas pelo sr. Alpoim no seu discurso, por certo muito eloquente, mas tão irritante, quanto apaixonado, e por fórma a destoar do tom calmo que tem distinguido a actual sessão parlamentar.

Sr. presidente, a discussão d´este projecto abriu com o notavel discurso, proferido pelo meu querido amigo e chefe político, o sr. Franco Castello Branco, discurso tão brilhante na fórma, como levantado nos conceitos, á altura dos seus creditos de parlamentar incomparavel, á altura das suas elevadas qualidades de estadista (Apoiados) que o sr. Alpoim póde não reconhecer, mas que o reconhece o paiz, pela confiança que n´elle deposita.

Não foi um discurso vehemente, justificado pela paixão partidaria; foi um discurso sereno, de verdadeiro homem de estado, que comprehende as responsabilidades da situação culminante que occupa na política portugueza, (Apoiados.) é que sabe muito bem o que deve a si e ao seu paiz (Apoiados.)

Não veiu s. exa. fazer aggravos, não veiu ferir interesses, nem irritar as paixões; no exercício do seu indeclinavel dever veiu sustentar a sua obra política, mas com tão grande elevação, eloquencia e sinceridade, que o sr. Alpoim, em quem aliás reconheço notaveis qualidades de intelligencia e de palavra, não podendo luctar contra o cerrado da argumentação, contra a sympathica sinceridade de tão notavel peça oratoria, foi para o caminho das aggressões e das ameaças, que, sr. presidente, poderiam levar a graves consequencias políticas, se, porventura, fossem per filhadas pelo governo. (Apoiados.)

O sr. Alpoim obedeceu de certo ao seu temperamento exaltado, e deixou-se levar pelo seu facciosismo habitual e lendario, prejudicando assim o brilhantismo do seu discurso, que sou o primeiro a conhecer e a que presto homenagem.

Ninguem dirá, sr. presidente, que a sua palavra, sempre eloquente, que está ao serviço de uma intelligencia superior não está ao mesmo tempo ao serviço de um coração aberto, de um espirito generoso e de um caracter franco; mas a paixão partidaria perturbou em s. exa. o sentimento e justiça por tal fórma que eu, appellando para o sentimento de amisade que existe entre nós, pedirei ao sr. Alpoim que não restitua as notas tachygraphicas d´esse seu discurso, não por aquelles a quem feriu, mas pelos seus reditos de homem generoso e justo.

No seu ardente enthusiasmo, o illustre deputado fez a affirmação de que não ficaria pedra sobre pedra da obra politica do sr. Franco Castello Branco. Foi calor rhetorico que não teve as legitimas consequencias que d´esta affirmação podiam derivar para o effeito de nós regularmos nossa attitude política.

Aquella afirmação, como a de que a obra política do sr. Franco Castello Branco está fallida, são afirmações gratuitas e que contrastam singularmente com o appello que o governo faz todos os dias á collaboração do partido regenerador. (Apoiados.)

Mas foi ainda mais alem o sr. Alpoim. S. exa. disse que nem sequer ficariam leves vestígios de tão nefanda obra politica.?

Ora, sr. presidente, a verdade é que são passados seis mezes depois que o governo assumiu o poder e ainda até esta hora nem sequer de leve elle tocou na obra política do sr. João Franco. O proprio projecto que se discute, mísero e mesquinho como é, nasceu, viveu, morreu, resuscitou, e sabe Deus que voltas deu para ser apresentado n´esta sessão como questão aberta, embora profundamente mutilado pela commissão. Isto, apesar de se dizer que a obra política do sr. Franco Castello Branco ha de desaparecer diante da cruel iniciativa do actual governo!

Mas não desapparecerá, sr. presidente, porque a insania e a loucura, quer-me parecer que ainda não se apoderaram por completo das regiões governativas. E não desapparecerá, porque a afirmação verdadeiramente meridional, feita pelo sr. Alpoim, contrasta com a fraqueza do governo, bem traduzida pelos factos, e posta hoje em evidencia em um artigo de um dos mais notaveis jornaes de Lisboa. (Apoiados.)

Mas supponhamos que a obra política do sr. João Franco vae ser revogada. O que julga o illustre deputado que acontecerá á individualidade política do sr. João Franco? pensa, por ventura, que elle soffrerá alguma cousa no conceito em que é tido pelo seu paiz? Se pensa, engana-se.

Por cima dos destroços d´essa obra política, que foi orientada no mais acrisolado patriotismo, ficará sempre o sr. João Franco com o seu enorme talento, com a sua mascula energia, com a sua fervorosa dedicação pela causa publica, contra quem nada podem os actos de loucura praticados pelo governo. (Muitos apoiados.)

Por cima dos destroços d´essa obra política ha de ficar sempre o sr. João Franco, com todos os seus amigos que o estremecem e com o respeito do paiz, contra o que nada podem os discursos apaixonados dos seus adversarios. (Muitos apoiados.)

Querem reduzir a nada essa obra. Pois pratiquem mais esse acto de rematada loucura; mas não venham aqui cobrir de aggravos uma camara, que serviu bem o seu paz, que deu provas de grande isenção patriotica, e que, se os talentos se não contavam n´ella pelo numero de deputados que acompanham, não praticou, todavia, um unico acto que justificasse a acrimoniosa e injusta aggressão que lhe foi feita pelo sr. Alpoim.

Fiz parte d´essa camara, honro-me de lhe haver pertencido, e v. exa. comprehende que, se fosse tão pouco generoso, como foi o sr. Alpoim, eu podia apresentar essa camara em condições de vantagem e de superioridade a outras, que não especialiso, porque não quero ser desagradavel a nenhum homem do meu paiz, nem a nenhuma instituição. (Apoiados.)

Não valia nada essa camara? Na verdade não valia, por