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20 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

providencia, mas por completo. Façam uma reforma administrativa radical e profunda, restabeleçam a antiga divisão provincial e entreguem a administração propriamente dita ás corporações locaes.

Quem quizer melhoramentos, que os faça á sua vontade, mas á sua custa.

Acabem com os governos civis, com os administradores de concelho, descentralisem até as repartições de fazenda, e façam com que a cobrança e lançamento das contribuições directas fique a cargo das localidades, lançando o estado depois uma percentagem sobre aquellas contribuições, Conforme as necessidades publicas.

Emquanto fizerem socialismo do estado, e quizerem substituir-se em tudo e por tudo ao paiz, hão de ser cada vez maiores e mais complicados os orçamentos e o seu desequilibrio mais profundo.

Não continuo n'este tom, posto que sobre isto podesse discorrer largamente, porque é minha opinião que, emquanto n'este paiz se não administrar, como na Suissa ou na Inglaterra, sem tutela do poder central, nem burocracia, nada conseguiremos.

Pois quem é que póde cuidar melhor das suas cousas do que os proprios interessados?

A machina centralista tem este defeito que lhe nota Horbert Spencer: é pesada, lenta, estupida e carissima. Dentro d'ella abafa-se e enerva-se por falta de exercicio a vontade do cidadão. É uma verdadeira machina pneumatica.

Emquanto não mudar de regimen não entra o paiz em bom caminho. E já não fallo em regimen politico porque a Inglaterra é monarchica, e ali quem administra é o povo. Burocracia e cousa que na Inglaterra e na Suissa se desconhece.

Na Inglaterra nunca houve ministro das obras publicas! A propria Hollanda tem seis vezes mais caminhos de ferro do que nós, e fel-os á, sua custa.

E declaro francamente que, quando o sr. Fuschini entrou para o governo, eu suppuz que s. exa., que é um homem de talento, laborioso, desprendido de prejuizos e preconceitos, acabaria com estes velhos processos, sairia d'estas vias já demasiadamente seguidas, e inteiramente estereis.

Imaginava que teriamos um novo regimen administrativo, porque só com elle é que podemos ter boas finanças.

Lembrem-se do celebre dito do barão Louis: "Dae-me boa politica, que eu vos darei boas finanças".

Emquanto não tivermos boa politica e bom regimen administrativo, não podemos ter boas finanças.

Não prosigo porque a camara está fatigada, e mando para a mesa a minha moção.
Leu-se na mesa a seguinte:

Moção

Considerando que o projecto de lei em questão augmenta consideravelmente o imposto;

Considerando que se não deve nem póde augmentar o imposto, seja qual for a sua natureza, sem que previamente se mostre a sua absoluta necessidade;

Considerando que essa necessidade só póde apurar-se no exame e discussão do orçamento;

Considerando, alem d'isso, que o orçamento se não discute ha muitos annos, apesar da carta o mandar discutir annualmente:

Resolve a camara adiar a discussão do parecer sobre o imposto do sêllo, para depois da discussão do orçamento. = O deputado por Lisboa, J. Jacinto Nunes.

O sr. Presidente; - A ordem do dia para ámanha É a continuação da que estava dada para hoje.

Está levantada a sessão.

Eram seis horas e vinte minutos da tarde.

O redactor = Barbosa Colen.