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que correm debaixo do'meu Ministério; quanto ás outras não tenho senão uma única responsabilidade, e vem a ser, que se ao Ministério da Guerra se votarem 2 ou 3$ contos, a riiinha responsabilidade consisle em não lhe dar mais do que esses 2-ou 3$ contos; mas não lhe posso perguntar ern que os gastou. E=te e o systeraa actual : o Ministro da Fazenda não é corno rToutro tempo. Eu podia porém responder ao Sr. Deputado em duas palavras; quaí: é a lei que me impõe a obrigação de não pagar senão com o rendimento corrente, despezas correntes? Diz-se: a lei e o próprio orçamento. Mas isso é que eu r:ao posso conceber, porque eu rião podia pagar immensas cousas não declaradas no orçamento. Diz-se : mas v. rn.cS teve a coragem de dizer aos Ingle-zes;—não vos pago o dividendo.—

Sr. Presidente, eu não tive a coragem, o que tive foi a lealdade, e a franquesa de dizer aos Ingle-zes, que não lhes podia pagar os dividendos, porque não tinha meios* fiu sabia que esta lingoagem havia de agradar á-uma Nação que e fiel aos contractos, e que sabe do que se passa nos Paizes estrangeiros, como do qr.e se passa em^sua própria casal não havia «m só ínglez, que não soubesse que a nossa receita estava equilibrada com a des-peza, rnas só ern algarismos; porque se sabia muito bem, que o Governo não tinha meios para pagar, e tanto isto era verdade, que, com esta declaração, os fundos não baixaram, mas subiram^; porque a imprensa Inglesa disse: este Governo e'fiel; disse que nos não "podia pagar por não ter meios. O que se podia fazer, eram essas operações, que as Administrações passadas tinham feito em Inglaterra ; mas isso é o mesmo que dizer a cada credor, que quanto mais ellas se repetirem , mais impossível é que se lhes pague: por isso o? mesmos credores Inglezes preferi rã 111° no seu modo.de pensar, a suspensão do pagamento aos dividendos a negociar urn empréstimo", porque sabiam , que uma Nação que quer pa-o-av os dividendos, e as annuidades por empréstimos repelidos, vem a carregar-sc de tal maneira , que se torna insolúvel, e não pôde pagar.

Ora, Sr. Presidente, mas a que vem aqui o pa-o-amenlo dos dividendos para fazer um argumento de paridade? com o pagamento das letras dos Estados Unidos, e das de França, e do que se de^ia ao Deposito Publico? Pois eu podia dizer aos Estados Unidos: não te pago porque não tenho 10, ou 14 contos de reis? não viam elles, que eu tinha esse dinheiro para pagar a letra, que estava assigna-da e que se vencia naquella data? Mas que fiz eu? ao'mesmo passo que disse em Inglaterra: não se pagam os dividendos, disse para a agencia:. nem mna só divida das pequenas se ha de vencer em Inglaterra sem ser paga no dia aprazado; e isto tern , para assim dszcr, sustentado o nosso credito naquella Praça. Se eu pequei por isto, quero a responsabilidade; mas oh ! preciso que a Gamara saiba que o meu "principio é ir pagando as dividas correntes; porque não e a divida consolidada, que nos mata e a divida corrente, a divida uni pouco atra-sada,' a do anno passado, que eu chamo corrente, e que se não pôde distinguir uma da outra ; o sys-terna de contabilidade está em tal desordem, que não e possível distinguir o que pertence a um anno,

ou a outro.

K' oreciso que a Camará saiba, que me tem de

pedir contas de muito mais: eu tenho pago em Inglaterra, tenho resgatado talvez 20, ou 22 mil libras esterlinas: quero dizer, haviu letras a vencer, parece-me que de Thama*, Sons, que eram 500 libras que tinha a pagar todos os mezes, segundo um contracto feito pelo meu-antecessor: essas letras resgatei-as, e fiz mais, dei ordem á agencia de Lon-dre°s, e disse-lhe: visto que alguns dos pensionistas, soldados estropeados , que fizeram aqui a sua campanha, têern querido resgatar as suas pensões, se elles quizerem , convoquem uma Junta de Médicos, que arbitrem pouco mais, ou menos a vida desses homens, e receberão a sua pensão de 34 libras esterlinas- e effectivamente tem-se remido 14, ou 15 dessas pensões. Corn isto, Sr. Presidente^ tenho mostrado a franquesa que me anima , os aesejos, que lenho de que os negócios públicos marchem como devem marchar.

Eu acabo de resgatar a letra de Ihoma*, àom, resultado de uma dessas negociações do i Ilustre Deputado o Si\ Passos (Manoel): era uma letra de 10 mil libras esterlinas, que se reformava de Q em 2 mezes; este homem era honradíssimo, devo fazer-lhe este elogio, porque, sempre reformou a sua letra e eu que ví° que era urna letra de 10 mil libras, e não era dos fundos consolidados, não lhe podia dizer, não lhe posso pagar; e então prevenindo o que'aconteceu, disse ú agencia de Londres: sempre que se reforme esta letra vá pagando mil libras esterlinas, para que em algum tempo me não viesse pôr uma faca aos peitos: a,,sirn aconteceu, porque em tantos de Dezembro passado, recebi uma carta delle dizendo, que o seu estado de negócios o obri-, o-avam a não reformar a letra que se vencia dulh a dous mezes: o homem foi honradíssimo, porque me preveniu a tempo, e eu disse cá para mim : se eu pago a letra perco 32 contos de réis, do^ que tenho para as obrigações do Estado ; mas se não pago, este homem vende os fundos, que tem em seu poder; e então tomei sobre mim o tirar 32 contos de réis'dos fundos que tinha á minha disposição, e tomei a responsabilidade, porque quero que esta Camará me mande cortar a cabeça sempre que tomar a responsabilidade de concorrer para o bem do^ts-tado; porque declaro terminantemente a V. Ex.% que se eu imaginasse quando entrei no Ministério, que havia uma lei, que me obrigava a empregar a receita corrente ás despezas correntes, não haviam forças humanas, que me obrigassem a acceitar a pasta, e declaro, que se passar uma lei nesse sentido, esta pasta não ha de ter quem a queira acceitar, e urn vaticínio, que aqui faço, e veremos se sou profeta.