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ctos desta naturera. Bem sei que para os usos communs é completamente indifferente que se adopte qualquer destes metros, das não acontece outro tanto para os usos scientificos, e declaro que não é infinitamente pequena, e do dominio do calculo infinitissimal, a differença que existe entre uns e outros metros, como ouvi a um Sr. Deputado: pelas primeiras observações, e pelos primeiros calculos, achou-se ser de 10 milhões de metros legaes o quarto do meridiano eliptico que passa por París: pelas correcções de Delambre se reconheceu que era de 10 milhões e 725 metros legaes; e finalmente, pelos ultimos trabalhos de Puissant, que são os rigorosos e modernos, se soube que o dito quarto de meridiano tinha 10 milhões e 1:789 metros legaes; donde se vê que quantidades desta ordem estão muito longe de ser infinitamente pequenas, com quanto influissem de uma maneira inapreciavel, para os usos ordinarios, nas medidas que se empregam. Faço estas considerações, Sr. Presidente, unicamente para mostrar que não errei nas minhas primeiras asserções, sem comtudo ligar grande importancia a que seja um ou outro metro, com tanto que se diga qual é; apezar de que n'um systema que se estabelece de novo, parece-me mais regular adoptar o mais perfeito.
Eu discordo completamente do systema apresentado pela Commissão, com a denominação do Systema Metrico-Decimal portuguez: já hontem expendi, Sr. Presidente, as minhas opiniões a este respeito; eu prefiro o Projecto apresentado pelo Sr. Margiochi em 1845; e quando se discutir a especialidade, fundamentarei largamente as emendas que tenciono propor.
O Sr. Presidente: - Tem a palavra peja terceira vez o Sr. A. Albano por ser quem abriu o debate.
O Sr. Agostinho Albano: - E era muito necessario que eu nesta occasião tivesse a palavra, e se V. Exa. não ma podesse conceder, eu teria de pedir á Camara que me permittisse fallar pela terceira vez, ou teria de fazer as observações que agora vou fazer na discussão do art. 1.º, porque esta questão ahi se renova, e lá tenho eu direito de fazer as observações que me parecessem sobre o assumpto em questão.
Sr. Presidente, começarei primeiro respondendo ao Sr. Deputado por Cabo Verde, e depois farei tambem algumas observações sobre o que disse o meu nobre Amigo e Collega o Sr. Deputado J. J. de Mello. Sr. Presidente, disse já hontem o nobre Deputado por Cabo Verde, e hoje o tornou a repetir, que visto que a Camara ia fazer uma nova lei reguladora dos pesos e medidas, que felizmente não estavamos ligados a qualidade nenhuma de consideração para deixar de seguir o resultado dos ultimos trabalhos geodesicos sobre a medição do arco do Meridiano terrestre, que passa por Dunkerke, Pariz e Barcelona, em relação aos quaes a Camara devia adoptar a medida do metro real, por ser o mais conforme com os principios da sciencia, isto pouco mais ou menos é que o nobre Deputado disse, eu convenho no principio, mas não na conclusão que o nobre Deputado tirou; para ressalvar todos os escrupulos já aqui tenho formulado uma Emenda feita d'accordo com o illustre Relator da Commissão que será offerecida ao art. 2.°, então a apresentarei, ella tira toda a qualidade de duvida sobre o ponto em questão; repito, não posso conformar-me com a conclusão absoluta que o nobre Deputado tirou dos seus principios, quer dizer - formulando-se hoje uma Lei de pesos e medidas, devemos necessariamente admittir e desde já entrar na adoqção do systema metrico rectificado: - não estou por esta conclusão, nem me parece que seja conveniente affastarmo-nos do primeiro metro, isto é do que está adoptado em Fiança, e seguido em Hespanha, na Italia, e emfim em quasi toda a Europa (Apoiados) se nos affastarmos desse metro iremos caír necessariamente em inconvenientes mais graves, muito superiores áquelles que havemos de ter se a lei passar com a base legal, adoptada em toda a parte para regular o systema actual dos nossos pesos e medidas (Apoiados): segundo a rectificação, essa base seria não a decima millionessima parte do quarto do Meridiano terrestre, mas uma fracção differente daquella que se achou, e por conseguinte os pesos e medidas calculados sobre ella seriam differentes; aonde nos levaria tal alteração? Era perfeitamente uma revolução, e foi neste caso que eu usei da palavra infinitessimo, e não julgue o illustre, Deputado que o disse sem saber o que dizia, não Senhor, sei muito bem o que digo felizmente, e o mesmo Sr. Deputado deve saber que um homem que já fez exames, e actos em mathematica, está mais ou menos habilitado para fallar a lingoagem da sciencia, e se foi erro, aqui estão as minhas mãos, porque eu sou docil, e acceito as lições dos mestres; mas não foi erro, até ahi ainda chegam os meus apoucados conhecimentos. Ainda repito outra vez o que disse, e é: que o erro, a differença e tão infinitessima, e tão imperceptivel, que nas medidas ordinarias, e para o uso commum não é possivel haver meio exacto de a poder avaliar; quando porém se tractar de objectos astronomicos, geodesicos, e calculos mathematicos então sim, e já vê o illustre Deputado que ou não estou inteiramente alheio na materia; ahi entendo eu que podia e hade haver alguma differença, mas no uso ordinario da vida não se dá nada disso. E então digo que a alteração desse systema produsiria gravissimos inconvenientes; nem era possivel estabelecer uma definição de pesos e medidas rasoavel e propria. E concluo por uma observação que já fiz hontem: pois os nossos visinhos serão menos sabios do que nós?! Pois os nossos visinhos Hespanhoes que ainda no anno passado em Junho publicaram uma Lei de pesos e medidas similhante a esta; que a formularam, discutiram e publicaram, fixando já a época em que hade ter execução, e isto quando não estavam tão prevenidos, nem tão preparados como nós, porque nós já temos muitos trabalhos feitos, e de ha muito tempo, e que não escrupulisaram em incorrer nesse desaire, em que o illustre Deputado entende que vamos caír, se não for tractada agora esta materia com toda a exactidão scientifica; se elles não escrupulisaram, havemos nós escrupulisar! Pois será erro, será inconveniente emitarmos os bons exemplos, e seguir aquillo que temos visto seguir-se em toda a Europa? Diz o illustre Deputado, não é razão o haverem já trabalhos feitos, se ha erro deve necessariamente emendar-se, mas esse erro é tão pouco importante para usos domesticos, para o uso commum e ordinario, que não vale a pena essa Emenda. A exactidão mathematica é necessario que seja attendida pera o estudo geodesico, e astronomico, por certo que não pode deixar de haver a exactidão precisa; mas para os usos ordinarios e communs não se carece della. Para a França aonde o Systema Metrico já está estabelecido ha tan-