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SESSÃO DE 13 DE MARÇO DE 1885 723

noticias. Se leio a historia, sr. presidente, transporto-me com saudade aos tempos de El-Rei D. João II, que é o Rei portuguez que mais se empenhou na exploração scientifica do interior de Africa.
O sr. Luciano Cordeiro:- Apoiado.
O Orador:- Folgo com o apoiado do illustre deputado, que n'esta materia é um dos mais competentes. Agradeço-o porque me significa estar do accordo com a minha opinião, e juizo critico ácerca do que exponho.
Julgo que vem a proposito referir um facto citado por frei Luiz de Sousa na historia de S. Domingos.
Diz elle que o Rei quando enviava ordens ou estabelecia preceitos ás casas religiosas para mandarem missionarios para Africa, ordenava sempre que os escolhessem entre os individuos que entendessem de; materias mathematicas, e esta lembrança do Rei era para que elles inquirissem, nas horas vagas da pregação do Evangelho, das cousas uteis e transmittissem ácerca d'ellas noticias exactas para a metropole. Esta indicação do Rei e as noticias, que os missionarios davam, e as informações vindas, fizeram com que se publicassem, com exactidão relativa, é claro, as cartas geographicas que viram a luz publica nos seculos XVI, XVII e XVIII.
Desculpe-me a camara, mas eu sou apaixonado pelas missões, tenho por ellas devoção especial, porque vejo que ellas são altamente vantajosas, e porque conheço que os missionarios portuguezes affastam para bem longe o epitheto de ignorantes lançado é classe sacerdotal, e que ella não merece. (Apoiados.) E vejo mais, vejo que esta classe é das mais distinctas, não se pelos serviços que presta, como pelos principios que ensina, pelos riscos a que se expõe e pelos arrojos que commette, o n'esta parte refiro-me á classe sacerdotal e não sómente aos missionarios.
É por isso que eu desejo este testemunho de consideração publica dado ao padre Barroso: é por isso que eu faço votos por que se publique o seu relatorio e por que elle seja lido por todo o paiz e apreciado por todos os portuguezes; desejo ainda que a aureola brilhante que lhe orna a fronte de missionario catholico, não seja empanada e possa servir de estimulo e incentivo a futuros evangelisadores dos principies religiosos-catholicos, que foram e são a historia gloriosa da patria.
Admiro os serviços prestados pelos missionarios, porque conheço que são es apostolos mais fervorosos para a sciencia e para a igreja, reconheço o arrojo heroico dos seus commettimentos, respeito a sua abnegação e curvo-me cheio de gratidão diante do seu amor e zelo pela causa que ensinam e defendem.
E por isso que eu me associo da melhor vontade ao pedido feito pelo meu amigo e distincto collega o sr. Ferreira de Almeida, propondo é camara a necessidade que havia de se publicar este relatorio.
E ainda bem que é um brioso official, que conhece as cousas de Africa, que já fez um governo importante no ultramar, o governo da provincia de Mossamedes, (Muitos apoiados.) quem vem fazer esta proposta, e não e um padre, como eu que o faz simplesmente o principalmente para honrar os seus irmãos no sacerdocio, o que poderia ser acoimado de suspeito.
Esta brioso oofficial, o sr. Ferreira de Almeida, quando foi governador de Mossamedes, estabeleceu a missão de Huilla, porque reconheceu que podem bem alliar-se a administração civil com a administração religiosa, e porque lá é fora, como cá, a alavanca mais poderosa cio progresso moral é a religião, são os padres, e não são, permitta-me o illustre deputado que lho diga, porque bem o conhece, alguns sabios militares governadores, cuja historia... não trago agora para aqui.
Sr. presidente, se as minhas palavras podessem fazer ceco nesta casa, e provocar applausos, era-me grato, em frente da representação nacional dar um voto de louvor a este benemerito official, o sr. Ferreira de Almeida, pela maneira distincta e pouco vulgar como soube desenvolver a acção religiosa a par da acção civil. (Muitos apoiados.)
E justo que estas, declarações se consignem nos annaes parlamentares, e que sejam feitas por mim que me prezo de dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus, esteja onde estiver aquelle, que mereça justiça inteira por actos, que nobilitam a patria, que tão delicadamente serve.(Apoiados)
Vozes : é Muito bem.
(O orador foi comprimentado pelos srs. deputados de ambos os lados da camara.)
O sr. Ferreira, de Almeida:- Vejo-me na maior das difficuldades para agradecer as palavras que me acaba do dirigir o meu illustre amigo o sr. Santos Viegas.(Pausa.)
Careço então de fazer um pequena rectificação.
A missão de Huilla não foi fundada por mim, mas sim iniciada.
Quando fui nomeado governador de Mossamedes solicitei para convidar a missão, que era dirigida pelo padre Duparquet, e que já ali tinha estado estabelecida, a vir novamente estabelecer-se em Mossamedes, como auxiliar indispensavel para a civilisação d'aquelles povos, fazendo a propaganda da moral evangelica ao mesmo tempo que eu me empenhava na ardua tarefa da propaganda do trabalho livre.
Não logrei durante o tempo que ali estive de ver estabelecida esta missão se quando eu retirava do governo que durou oito mezes é que o chefe da missão, vindo é Europa chamado pelo superior da congressão a que pertence, por solicitação ao sr. dr. Almeida Pedroso meu collega na sociedade da geographia, que com elle tinha relações, foi entender-se com o governo, para que a missão se
Estabelecesse definitivamente no districto.
E esta a parto que eu tive no estabelecimento da missão da Huilla, que depois ponde organisar-se indo ali para esse fim o illustre bispo de Angola, o actual patriarcha de Lisboa, acompanhado pelo governador geral da provincia.
Folgo que um cavalheiro tão distincto como é o meu amigo o sr. Santos Viegas me acompanhe no pedido da publicação do relatorio do padre Barroso, e para agradecer a s. exa. a apreciação que dispensou ao meu caracter e aos meus actos como governador de Mossamedes; mais diz quanto callo, dominado pela commoção, do que o mais caloroso agradecimento.
Foi approvado o requerimento do sr. Ferreira de Almeida.

REPRESENTAÇÕES

1.ª Dos professores particulares de instrucção secundaria da cidade do Porto, pedindo a approvação do projecto de lei, apresentado na sessão de 9 de janeiro ultimo, pelo sr. deputado Alfredo Felgueiras da Rocha Peixoto, e que tem por fim estabelecer que os professores officiaes não possam exercer cumulativamente o ensino particular.

presentada pelo sr. deputado Rocha Peixoto, e enviada
Á commissão de instrução primaria e secundaria, e mandada publicar no Diario do governo.

2.ª Da camara municipal de Pinhel, pedindo auctorisação para desviar do fundo de viação municipal até é quantia de 7:000$000 réis para a exploração de aguas.
Apresentada pelo sr. Adriano Cavalheiro, ficando sobre a mesa, para ter o destino que foi dado ao respectivo projecto de lei do mesmo sr. deputado e que ficou para segundei leitura.

3.ª Dos officiaes de diligencias do juizo de direito da comarca de Monsão, pedindo providencias para o pagamento das diligencias praticadas nos processos de recrutamento.
Apresentada pelo sr. deputado Luiz José Dias e enviada é commissão de legislação civil.