4 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
sentação dos contadores e escrivães do direito da comarca de Setubal contra a proposta da cohtribuição industrial. Peço a v. exa. para enviar esta representação, com toda a urgencia, à commissão de fazenda, pois me parece que os signatarios têem toda a justiça nas considerações que apresentam.
Peço tambem a v. exa. que me reserve a palavra para quando estiver presente o sr. ministro das obras publicas para tratar de um facto que está para se dar em Setúbal, e que causa grande transtorno ao commercio d'aquella cidade.
(Interrupção.)
O facto a que desejo referir-me é o dá mudança da estação telegraphica para o extremo da cidade, ficando muito distante do centro do commercio e da industria.
O sr. Moraes Sarmento: - Mando para a mesa um requerimento de João José Leite Gomes Junior, 1.° cabo de infanteria n.° 13, no qual pede dispensa de preparatorios da escola polytechnica para se matricular na escola do exercito.
O sr. Mattoso da Camara: - Mando para a mesa uma representação dos tabelliães da camara de Elvas contra a proposta de lei da contribuição industrial.
O sr. Carlos Gouveia: - Desejava dirigir algumas perguntas ao sr. ministro da guerra, mas como s. exa. não está presente desisto da palavra.
O sr. Eduardo Abreu: - Como sabe que está para entrar em discussão um parecer importante, pede ao sr. presidente que, por qualquer meio, avise para comparecer na camara o chefe do gabinete, ou o sr. ministro do reino, pois deseja ouvir a opinião do governo sobre o assumpto.
O sr. Presidente: - Mándarei prevenir os srs. ministros do desejo do illustre deputado.
O sr. Arroyo: - Por parte da commissão de administração publica, mando para a mesa uma proposta para que sejam aggregados á mesma commissão os srs. Costa Pinto o Reimão.
Peço a urgencia.
Leu-se na mesa a seguinte:
Proposta
Proponho que sejam aggregados á commissão de administração publica os srs. deputados Jayme da Costa Pinto e José Malheiro Reymão. - O deputado, João Arroyo.
Foi approvada a urgencia e em seguida a proposta.
O sr. Francisco José Machado: - Sr. presidente, desejava usar da palavra quando estivesse presente algum dos srs. ministros, e principalmente o sr. ministro das obras publicas, porque precisava de chamar a attenção de s. exa. para o estado em que se encontram os vinhedos do circulo que tenho a honra de representar n'esta casa.
Cartas que hoje recebi de amigos meus dizem-me que ultimamente, um forte ataque de mildeio atacou repentinamente e destruiu uma grande parte das uvas causando prejuizos consideraveis.
A intensidade com que o mal atacou foi tão grande, que não foi possivel acudir-lhe com remedio. Para que a calamidade subisse de ponto até o mau serviço do caminho de ferro a veiu auxiliar.
Alguns proprietarios vendo a assustadora destruição que a molestia estava fazendo nos seus fructos, e não tendo sulfato de cobre em quantidade sufficiente para de bellar a molestia que era mais intensa do que se podia prever, mandaram a toda a pressa fazer novas encommendas, porque todos os que conhecem a natureza d'este mal e a rapidez com que ataca as vinhas, sabem que é necessario acudir-lhe sem perda de um momento.
A companhia dos caminhos de ferro, no seu proprio interesse, devia empregar todos os meios para bem servir os proprietarios e contribuir para que o mal se não propagasse.
Mas, em vez de assim proceder, demorou os transportes do sulfureto de cobre muitos dias;
Alguns proprietarios, e entre esses o sr. D. Duarte Gorjão Henriques, proprietario da importante quinta da Freiria, do concelho de Obidos fez uma encommenda de sulfureto do cobre, e cinco dias depois de ser expedida de Lisboa ainda não tinha chegado á estação de S. Mamede!
Durante estes cinco dias a molestia atacou intenssissimamente as vinhas e causou prejuizos incalculaveis de que o povo, os proprietarios e até o caminho de ferro muito se hão de resentir.
D'aquella região, póde dizer-se que só se exporta Vinho, se não o houver a companhia nada tem que conduzir e é portanto muito prejudicada.
Este facto, que é simples e intuitivo não foi attendido pela companhia, e eu em nome dos proprietarios prejudicados pelo mau serviço da companhia peço providencias ao governo que deve, como tem obrigação, fiscalisar o serviço que ella faz.
O governo dá garantia de juros á companhia e a verba com que contribuo não é pequena, e portanto tem o dever de zelar os interesses do paiz e obrigar a que o serviço seja feito com regularidade e sobretudo com rapidez, para que não hajam os prejuizos que acabo de apontar.
De maneira que, para a estação de S. Mamede, um proprietario fez uma encomenda de cinco barris de sulphato de cobre para applicar immediatamente ao tratamento das vinhas, que repentinamente foram atacadas pelo mildew e cinco dias depois das barricas terem sido expedidas de Lisboa, ainda lá não tinham chegado!
Note v. exa., que se os proprietarios tivessem mandado a Lisboa um carro de bois buscar o sulfato do cobre, tinha lá chegado muito mais rapidamente.
O interesse da companhia é de bem servir o publico e o interesse do governo é obrigar a companhia a não ser tão morosa nos seus transportes.
Deu-se como rasão da demora, que durante três dias não houve carros de mercadorias!
Mas esta rasão póde lá servir para justificar tão mau serviço!
Quem indemnisa os proprietarios dos prejuizos que soffreram?
Não basta já a desgraça para aquelles povos de verem as suas vinhas invadidas pelo mildew e ainda por cima querendo acudir-lhes com o remedio efficaz, não o têem a tempo e horas, porque a companhia dos caminhos de ferro pela fórma que tem o seu serviço montado não satisfaz ás necessidades publicas!
Queria, pois, chamar a attenção dos illustres ministros para ver se davam algum remedio a casos d'esta ordem, que são extremamente graves.
A principal riqueza do paiz é a sua producção vinicola, o mildew atacou a vinha com muita intensidade e rapidez; foi completamente impossivel acudir-lhe de prompto por falta de braços e por falta de sulfato de cobre, de maneira que muitos proprietarios estão com as colheitas completamente perdidas.
Pedia, pois, providencias ao governo, só elle as póde dar e peço a v. exa. que logo que esteja presente algum dos srs. ministros me conceda a palavra para tratar d'este assumpto, com mais desenvolvimento.
E como as providencias que se requerem, é necessario serem dadas1 com urgencia, peço a v. exa., sr. presidente, se digne levar ao conhecimento do governo as considerações que acabo de fazer e de me conceder a palavra caso venha á camara algum dos srs. ministros.
Tenho dito.
O sr. Dias Costa: - Disse que, como o sr. ministro da fazenda o tinha convidado hotem, na discussão do im-